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Atlas da Violência 2026: Entre avanços históricos e gargalos profundos, Acre vive os dois lados da segurança pública

Publicado em 26/05/2026

Foto: Reprodução/Divulgação

Por Alessandra Karoline

O Acre vive uma realidade de contrastes na segurança pública. É o que revela o Atlas da Violência 2026, documento divulgado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) com base nos dados consolidados de 2024. Se por um lado o estado celebra uma histórica e expressiva redução no índice geral de homicídios, por outro, enfrenta um cenário alarmante no que diz respeito à vulnerabilidade de jovens, negros e mulheres.

De acordo com o relatório, o Acre registrou uma taxa de 20,2 homicídios por 100 mil habitantes, índice que coloca o estado ligeiramente acima da média nacional, que fechou em 20,1.

Queda histórica no índice geral e o “fator fronteira”

Apesar de ainda figurar acima da linha média do país, o Acre consolidou uma redução de 56,6% no acumulado de mortes violentas intencionais nos últimos anos. Especialistas e analistas do setor atribuem esse recuo expressivo à implementação de políticas de atuação integrada entre as forças de segurança estaduais.

Entre os principais fatores para a retração dos homicídios, destacam-se:

Policiamento de Divisas: A intensificação das ações do Grupo Especial de Fronteira (Gefron) ao longo dos mais de 2.100 quilômetros de divisa seca e fluvial do estado.

Tecnologia Aplicada: O fortalecimento do Centro Integrado de Comando e Controle (CICC), que otimizou o tempo de resposta e o monitoramento em áreas críticas de Rio Branco e do interior.

Contudo, os pesquisadores alertam que a “violência de fronteira” continua sendo a principal pressora dos índices locais. Por fazer limite com o Peru e a Bolívia, o território acriano sofre os reflexos diretos das disputas entre facções criminosas pelo controle das rotas de escoamento do narcotráfico internacional.

Os desafios estruturais: Jovens e negros são as principais vítimas

Se os números globais encolheram, a letalidade se afunilou em recortes demográficos específicos. A população jovem, na faixa etária de 15 a 29 anos, permanece no centro do alvo da violência letal no Acre, representando a fatia mais expressiva das estatísticas de mortes intencionais.

O perfil das vítimas de homicídio no estado repete um padrão de desigualdade social e de gênero: o fenômeno é majoritariamente masculino e negro (pretos e pardos). A vulnerabilidade socioeconômica nas periferias urbanas e o forte assédio do crime organizado para o aliciamento de novos membros são apontados pelo Atlas como os principais combustíveis para a manutenção dessas altas taxas de mortalidade.

Alerta vermelho para o feminicídio

Um dos pontos mais críticos do relatório para o Acre reside na violência de gênero. O estado continua figurando nas posições mais altas do ranking nacional de violência doméstica e feminicídio.

“O isolamento geográfico de diversas comunidades no interior do estado e a severa falta de redes de proteção estruturadas e descentralizadas — que hoje se concentram quase que exclusivamente na capital — agravam drasticamente a situação, gerando um ciclo de subnotificações e agressões continuadas”, aponta o documento.

O Atlas da Violência 2026 conclui que o Acre avançou no combate ao crime organizado macroeconômico e no controle territorial das fronteiras, mas carece urgentemente de políticas públicas transversais que protejam os grupos sociais mais vulneráveis em suas rotinas diárias.

Taxa de homicídios no Brasil

A taxa de homicídios no Brasil recuou para 20,1 mortes violentas a cada 100 mil habitantes, atingindo o menor patamar dos últimos 11 anos. Ao todo, o país contabilizou oficialmente 42.590 homicídios ao longo do ano avaliado. O número absoluto e a taxa por habitante representam uma queda de 7,4% no comparativo com o ano anterior.

Apesar do recuo em nível nacional, o relatório expõe uma profunda desigualdade na distribuição da violência pelas unidades da federação. Enquanto estados das regiões Sudeste e Sul registram os índices mais baixos, estados do Norte e Nordeste continuam a enfrentar taxas alarmantes, superiores ao dobro da média nacional.

Os extremos da violência: São Paulo tem menor taxa; Amapá lidera ranking

A discrepância geográfica da segurança pública fica evidente nos extremos da lista. O estado de São Paulo registrou a menor taxa de homicídios do país, com 6,6 ocorrências por 100 mil habitantes, seguido de perto por Santa Catarina, com 8,1. No outro extremo do ranking, o Amapá desponta como o estado mais violento, alcançando a marca de 45,7 homicídios por 100 mil habitantes, seguido pela Bahia, com 40,9.

Na região Norte, o Acre aparece alinhado com o cenário nacional, registrando uma taxa de 20,2 homicídios por 100 mil habitantes — ligeiramente acima da média do país.

Os dados detalhados pelo Atlas da Violência mostram o panorama completo do país em 2024:

Região Norte

Amapá: 45,7

Amazonas: 32,2

Rondônia: 30,3

Roraima: 27,8

Pará: 27,4

Acre: 20,2

Tocantins: 19,8

Região Nordeste

Bahia: 40,9

Pernambuco: 37,3

Alagoas: 35,9

Ceará: 34,3

Maranhão: 31,1

Paraíba: 25,7

Rio Grande do Norte: 23,5

Sergipe: 23,0

Piauí: 20,6

Região Centro-Oeste

Mato Grosso: 29,1

Goiás: 18,4

Mato Grosso do Sul: 18,3

Distrito Federal: 10,3

Região Sudeste

Espírito Santo: 26,0

Rio de Janeiro: 20,4

Minas Gerais: 12,8

São Paulo: 6,6

Região Sul

Paraná: 18,6

Rio Grande do Sul: 15,2

Santa Catarina: 8,1

Análise dos Especialistas: Pesquisadores do Ipea e do FBSP ponderam que a queda nacional reflete o amadurecimento de políticas locais de segurança e o controle de territórios por forças integradas, mas alertam que estados do Norte e Nordeste ainda sofrem o impacto direto das rotas de escoamento e disputas do tráfico internacional de drogas, exigindo uma atenção federal coordenada e direcionada a essas regiões.

Documento divulgado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) com base nos dados consolidados de 2024: Atlas Violência 2026

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