Publicado em 03/01/2026
Fumaça é vista após explosão na base aérea de La Carlota, na região de Caracas Foto: Matias Delacroix
Fortes explosões atingiram Caracas, capital venezuelana; Trump diz que ditador Nicolás Maduro foi capturado
Por José Maria Tomazela e Fabiana Cambricoli
Os Estados Unidos atacaram a Venezuela com bombardeios em Caracas
Presidente americano confirmou bombardeios e prisão de Maduro em sua rede social; ditadura chavista decreta estado de emergência por ‘ofensiva imperialista’. Crédito: APVideoHub
Os Estados Unidos promoveram um intenso ataque a Caracas, capital da Venezuela, e outras regiões do país na madrugada deste sábado, 3. O governo venezuelano confirmou os ataques e disse que o país foi alvo de uma “agressão militar”. Líderes mundiais reagiram à ação bélica americana. O presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou em rede social um ataque em larga escala das forças americanas ao país e afirmou que o presidente Nicolás Maduro foi capturado.
A vice-presidente venezuelana, Delcy Rodriguez, disse neste sábado que desconhece o paradeiro de Maduro e de sua esposa, Cilia Flores — ela também teria sido capturada. Trump confirmou que Maduro e a esposa foram capturados e levados para fora do país. Além de Caracas, os ataques atingiram os estados de Miranda, Aragua e La Guaira.
O que se sabe até agora é que as explosões começaram por volta das 2h, pelo horário local (3h em Brasília).
Ainda não há informações sobre mortos e feridos. Os relatos apontam grandes danos nas áreas atingidas.
Veja, a seguir, a repercussão do caso entre governos e líderes mundiais:

Colômbia
O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, manifestou “profunda preocupação” com os relatos sobre explosões na Venezuela e afirmou que rechaça “qualquer ação militar unilateral” que possa agravar a tensão na região ou “colocar em risco a população civil”.
Chile
O presidente chileno, Gabriel Boric, condenou as ações militares americanas e fez um apelo para “uma saída pacífica à grave crise” que afeta o país sul-americano.
Disse ainda que reafirma sua adesão “aos princípios básicos do Direito Internacional, como a proibição do uso da força, a não intervenção, a solução pacífica de controvérsias internacionais e a integridade territorial dos Estados”.
União Europeia
A vice-presidente da União Europeia e representante da entidade para assuntos internacionais, Kaja Kallas, disse que conversou com o secretário de Estado americano, Marco Rubio, e com o embaixador europeu em Caracas e que está acompanhando de perto a situação na Venezuela.
Disse que a UE “tem afirmado repetidamente que Maduro não tem legitimidade e defendido uma transição pacífica. Em todas as circunstâncias, os princípios do Direito Internacional e a Carta da ONU devem ser respeitados. Pedimos contenção”, declarou, em publicação no X (ex-Twitter).
França
O presidente da França, Emmanuel Macron, manifestou apoio à ação dos EUA. Ele afirmou que o “povo venezuelano está livre da ditadura de Nicolás Maduro e só pode se alegrar com isso”.
Macron diz, na postagem, que o presidente venezuelano causou um “grave dano à dignidade de seu próprio povo” ao confiscar o poder e pisotear as liberdades fundamentais. Ele afirmou, também, que “a transição que está por vir deve ser pacífica, democrática e respeitosa à vontade do povo venezuelano”.
Já o ministro das Relações Exteriores da França, Jean-Noël Barrot, disse que o ataque dos Estados Unidos contra a Venezuela contraria o princípio do não uso da força, um dos fundamentos do direito internacional.
“A França lembra que nenhuma solução política duradoura pode ser imposta de fora e que os povos soberanos decidem sozinhos o seu futuro”, disse em publicação na rede social X. Barrot afirmou que as múltiplas violações do princípio do não uso da força terão “graves consequências para a segurança mundial”. “Instruída pela história, a França se prepara para isso, mas não pode se conformar”, acrescentou. Ele disse ainda que o país reitera o seu compromisso com a Carta das Nações Unidas.
Apesar das críticas aos EUA, o ministro também se posicionou em relação ao presidente venezuelano, Nicolás Maduro. Ele afirmou que, ao confiscar o poder do povo venezuelano, “privando-os de suas liberdades fundamentais”, o líder do país sul-americano “cometeu uma grave violação à sua dignidade e ao seu direito à autodeterminação”.
Espanha
A Espanha também defendeu o Direito Internacional e fez um apelo “à desescalada e à moderação”. O governo espanhol se colocou à disposição para mediar o conflito. “A Espanha está disposta a colocar seus bons ofícios à disposição para alcançar uma solução pacífica e negociada para a crise atual”, declarou o Ministério das Relações Exteriores espanhol, em nota.
O presidente espanhol, Pedro Sánchez, disse que o país acompanha “exaustivamente” a situação na Venezuela e também defendeu o respeito às normas do Direito Internacional e da Carta da ONU.
Reino Unido
O primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, disse em publicação na rede social X que há muito tempo o país apoia uma transição de poder na Venezuela. “Consideramos Maduro um presidente ilegítimo e não derramamos lágrimas pelo fim de seu regime”, postou.
Starmer disse que o governo do Reino Unido discutirá a situação com os Estados Unidos nos próximos dias. Afirmou, ainda, que isso ocorrerá “enquanto buscamos uma transição segura e pacífica para um governo legítimo que reflita a vontade do povo venezuelano”.
Pela manhã, o primeiro-ministro afirmou que o Reino Unido não esteve envolvido “de forma alguma” no ataque contra a Venezuela.
Rússia
A Rússia condenou o ataque e também se ofereceu para ajudar a buscar uma solução pacífica. “Nas circunstâncias atuais, é particularmente importante evitar qualquer nova escalada e concentrar-se na busca de uma solução por meio do diálogo. Acreditamos que todas as partes com queixas existentes devem buscar soluções para seus problemas por meio do diálogo. Estamos prontos para ajudar nesses esforços”, declarou o Ministério das Relações Exteriores russo.
China
A China afirmou estar “profundamente chocada” e condenou “veementemente o uso flagrante da força pelos Estados Unidos contra um Estado soberano e contra seu presidente”, segundo comunicado distribuído pelo Ministério de Relações Exteriores do país. “Tais atos hegemônicos dos EUA violam gravemente o direito internacional e a soberania da Venezuela, e ameaçam a paz e a segurança na América Latina e na região do Caribe. A China se opõe firmemente a isso”, diz o texto.
O país apelou aos EUA para que “respeitem o direito internacional e os propósitos e princípios da Carta da ONU, e cessem as violações da soberania e da segurança de outros países”, afirma o documento. A China é um dos principais aliados de Maduro. Os chineses têm criticado duramente a pressão militar e econômica dos Estados Unidos sobre a Venezuela, enquanto o governo americano tem ampliado o cerco a empresas que tentam driblar sanções impostas ao petróleo venezuelano, mirando inclusivo frotas ligadas a grupos chineses.
Irã
O Irã, aliado da Venezuela, chamou a ação militar de “uma violação flagrante de sua soberania nacional e integridade territorial”. O Ministério das Relações Exteriores iraniano pediu ao Conselho de Segurança da ONU que “aja imediatamente para interromper a agressão ilegal” e responsabilize os culpados.
Argentina
Já o presidente argentino, Javier Milei, aliado de Trump, celebrou o anúncio da captura de Maduro, como “um avanço da liberdade”.

