Publicado em 19/03/2026
Lá fora, os arranca-rabos, ou seja, as brigas causadas pelas candidaturas, chegaram ao auge, mas cá, ainda não. Se dispuséssemos de uma legislação eleitoral minimamente respeitável e não maximamente bagunçada, jamais estaríamos esperando o fechamento da imoral janela eleitoral para definir por qual partido os nossos trânsfugas partidários sairão candidatos nas próximas eleições.
Demais a mais: se dispuséssemos de partidos políticos verdadeiramente estabelecidos, digamos assim, tradicionais, as disputas estariam se dando no interior de cada um deles, jamais buscando compor as mais inconsequentes e despudoradas alianças partidárias.
Lá fora, por exemplo, em algumas das unidades de nossa federação, até mesmo os detentores de mandatos (e, no meio deles, os futuros candidatos) estão buscando participar da aliança que lhes convier. Do contrário, batem o pé, deixam a poeira baixar e pulam fora.
Volto a repetir, e tantas vezes quantas necessárias forem, repetirei: o ex-presidente Jair Bolsonaro e Ciro Gomes, duas das nossas maiores expressões políticas, já foram filiados a uma dezena de partidos. Infelizmente, quando os maus exemplos vêm do andar de cima, não será daqueles que estão nos andares de baixo, tampouco dos seus porões, que será estabelecida uma ordem política e partidária coerente.
Não por acaso, quando criou o seu atual partido, o PSD, Gilberto Kassab chegou a dizer que o mesmo não seria de direita, nem de centro e nem de esquerda. Só faltou dizer que também não seria nem de cima e nem de baixo. Detalhe: o dito-cujo já foi vereador de São Paulo pelo outrora PL, deputado federal pelo antigo PFL (atual União Brasil) e hoje preside o PSD, justamente o partido que mais tem acolhido os trânsfugas partidários, sobretudo aqueles que estão abandonando o outrora fortíssimo PSDB, já que este se encontra à beira da morte.
Cá entre nós, particularmente aqui no Acre, até o fechamento da nossa imoral janela partidária e do que irá restar quando das realizações das nossas convenções, já se pode crer que algumas encrencas, e grandes, poderão ocorrer. O mais ameaçado de ser vitimado vem a ser o atual prefeito Tião Bocalon, não por ele pretender se evadir do PL, o partido pelo qual busca se reeleger, mas pelo fato de o partido lhe negar legenda para que possa se candidatar a governador.
Quanto às candidaturas às duas vagas do Senado, considerando que o ex-governador Gladson Cameli vem aparecendo como favoritíssimo, a disputa pela segunda vaga, dada a multiplicidade de candidatos, dependerá de uma série de fatores: os apoios que cada um obtiver, seus desempenhos em suas campanhas e de algo fundamentalmente importante: a própria matemática eleitoral.

