Publicado em 26/05/2026
Foto: Reprodução
Por Alessandra Karoline
Em um embate de mais de duas horas que marcou a corrida pelos votos rumo à Câmara Federal, os pré-candidatos a deputado federal João Paulo Bittar (PL) e Virgílio Viana (PV) protagonizaram, nesta segunda-feira (25), o episódio nº 72 do programa “Em Cena”, transmitido pela TV ContilNet Notícias e TV Rio Branco. O encontro expôs não apenas visões ideológicas opostas para o desenvolvimento do Acre, mas também o desafio de uma nova geração que busca se consolidar sob a sombra de sobrenomes históricos da política local.
A mediação foi conduzida pelo jornalista Éverton Damaceno, que estruturou o debate em dois grandes blocos: o primeiro dedicado a eixos temáticos e ao histórico pessoal dos postulantes, e o segundo voltado para o confronto direto, com perguntas livres, réplicas e tréplicas.

Um dos momentos mais contundentes do primeiro bloco ocorreu quando o mediador questionou os candidatos sobre a pecha de “nepo babies” da política — termo utilizado nas redes sociais para definir herdeiros que se beneficiam do prestígio dos pais. João Paulo é filho do senador Márcio Bittar (PL), enquanto Virgílio é filho do ex-governador Tião Viana (PT).
“É natural que as pessoas se incomodem com um postulante a cargo político que já tenha uma estrutura, uma base sólida por trás. Afinal de contas, eu e o Virgílio temos muito mais futuro do que passado, então nós temos muito mais a apresentar”, defendeu João Paulo Bittar, minimizando o impacto negativo do rótulo.
Por sua vez, Virgílio Viana adotou uma linha de valorização do legado familiar, embora tenha demonstrado desconhecimento inicial sobre a expressão em inglês. “Independente se me prejudica ou se me beneficia, eu diria que me orgulho muito de ser ligado à história da minha família”, declarou o advogado, pontuando que o foco da sua candidatura é o que pretende construir a partir de agora.
Diagnósticos e propostas para o Acre
Ao longo das discussões temáticas, Virgílio Viana subiu o tom contra a atual conjuntura socioeconômica do estado. O pré-candidato do PV alertou para indicadores sociais alarmantes e cobrou uma mudança de postura na gestão pública.
Crise Social: Virgílio apontou que a juventude acriana carece de oportunidades profissionais, os idosos sofrem com a falta de assistência digna na saúde e destacou o fato de o Acre liderar índices de feminicídio. “Isso não pode ser normalizado”, criticou.
Transparência e Emendas: Questionado sobre a crise de credibilidade do Congresso Nacional, Virgílio destacou que a gestão das emendas parlamentares — estimadas em cerca de R$ 60 milhões anuais por deputado — precisa de participação popular e rigor máximo. “É fundamental gerir com responsabilidade e fiscalizar. Hoje é natural ver escândalos de desvio e o parlamentar querer se livrar dizendo que a culpa foi de quem recebeu. O deputado precisa acompanhar a aplicação”, afirmou.
Do outro lado, João Paulo Bittar, que traz na bagagem a experiência recente como diretor-presidente da Fundação de Tecnologia do Estado do Acre (FUNTAC) entre 2025 e 2026, utilizou sua formação em gestão pública para defender um projeto alinhado às diretrizes da direita, focado na eficiência administrativa e no fortalecimento do setor produtivo como motores para a geração de emprego e renda.
Olhar para o futuro
Na reta final do programa, ambos os candidatos convergiram na tese de que o Acre precisa criar um ambiente econômico e social que estanque o êxodo da população local. Virgílio reforçou a necessidade de uma política feita “com humanidade e sem discursos de ódio”, defendendo que o debate central das eleições de 2026 deve ser o amparo aos produtores desassistidos, às mulheres e aos jovens.
Veja o debate na íntegra:

