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PM usa bombas, ‘corredor polonês’ e gás para desocupar reitoria da USP

Publicado em 10/05/2026

Batalhão da Polícia Militar desocupa reitoria da USP na madrugada deste domingo (10) – Guilherme Farpa/Divulgação

  • Governo Tarcísio diz que ‘eventuais denúncias de excesso serão rigorosamente apuradas’

  • Cerca de 50 policiais participaram da ação, que durou aproximadamente 15 minutos

Por Danilo Verpa, Bruno Lucca e Aline Mazzo | Folha de São Pauloi
São Paulo

A Polícia Militar de São Paulo desocupou, na madrugada deste domingo (10), o saguão da reitoria da USP, na zona oeste da capital. O local estava ocupado por estudantes desde a última quinta-feira (7).

A operação começou por volta das 4h15. A ação durou aproximadamente 15 minutos. De acordo com os estudantes, houve o uso de bombas de efeito moral, gás lacrimogêneo e cassetetes.

Quatro estudantes foram detidos e encaminhados ao 7º Distrito Policial, da Lapa, onde foi registrado um boletim de ocorrência por dano ao patrimônio público e alteração de limites. Mais tarde, os estudantes foram liberados.

A gestão Tarcísio de Freitas (Republicanos) afirmou que cerca de 150 pessoas ocupavam o saguão.

“Cerca de 50 policiais participaram da ação, que foi concluída sem registro de feridos. Toda a ação foi registrada pelas câmeras operacionais portáteis dos policiais, e as imagens serão anexadas aos autos da ocorrência”, afirmou a SSP (Secretaria de Segurança Pública) em nota.

Após a desocupação, a secretaria disse que uma vistoria “constatou os danos ao patrimônio público, entre eles a derrubada do portão de acesso, portas de vidro quebradas, carteiras escolares danificadas, mesas avariadas e danos à catraca de entrada”.

Além disso, a pasta declarou que “foram apreendidos entorpecentes, armas brancas e objetos contundentes, como facas, canivetes, estiletes, bastões e porretes”.

“A Polícia Militar ressalta que eventuais denúncias de excesso serão rigorosamente apuradas. O policiamento segue no local para garantir a ordem pública e a integridade do patrimônio público”, afirmou a secretaria.

O planejamento da ação foi iniciado na sexta-feira (8), no dia seguinte à ocupação, entre a gestão Tarcísio e a USP. A decisão de desencadê-la neste domingo, Dia das Mães, estaria relacionada ao menor número de estudantes no local.

Segundo vídeos divulgados e relatos dos estudantes, policiais militares formaram uma espécie de corredor polonês na entrada principal da reitoria e agrediram alunos enquanto eles deixavam o saguão ocupado.

Ainda de acordo com os estudantes, ao menos cinco alunos ficaram feridos. Um deles sofreu uma fratura no braço.

Depois da desocupação, equipes da PM permaneceram no prédio da universidade.

Em nota, estudantes afirmaram que o reitor Aluísio Segurado teria acionado a polícia, que “violentamente expulsou os estudantes que lutavam por melhores condições”.

 

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“Com escudos, cassetetes, bombas de efeito moral e gás lacrimogêneo, a polícia deixou dezenas de estudantes feridos. Essa ação desmascara a fachada de democrático que o reitor tenta pintar. Os estudantes pediam pelo diálogo e uma mesa de negociação com o reitor e essa é a resposta que recebemos”, continuou o comunicado.

O DCE (Diretório Central dos Estudantes) da USP afirmou, em nota, que a comunidade universitária deve repudiar a ação policial. “A USP já foi tomada por períodos sombrios de autoritarismo, e a Reitoria da USP, no dia de hoje, escolheu relembrar esses períodos da pior forma possível, recusando o diálogo e optando pela força e pela violência da Polícia Militar.”

O diretório disse ainda que a ação foi ilegal. “Essa ação ocorre de forma abusiva eivada de ilegalidade, vez que ocorre sem qualquer determinação judicial que pudesse embasar a ação policial. É preciso apontar que, mesmo em situações em que há determinação de reintegração de posse (o que não é o caso), existe um conjunto de regras que orientam o procedimento de desocupação, entre as quais a ilegalidade da realização de operações entre às 21h e 5h, algo pacífico nos tribunais.”

Em imagens divulgadas pelos estudantes, policiais militares aparecem formando um corredor na entrada principal da reitoria, golpeando alunos com cassetetes enquanto eles deixavam o saguão.

 

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Segurado afirmou na sexta (8) que não iria reabrir negociações com os estudantes em greve após a invasão do prédio da reitoria.

“Abrir negociação novamente para uma proposta que já foi apontada como proposta final da universidade, do ponto de vista das suas possibilidades orçamentárias, não nos é possível fazer”, disse em entrevista a jornalistas.

Ainda na sexta, a Polícia Militar havia fechado os acessos da rua da reitoria da USP, cercado o prédio ocupado pelos estudantes e cortado a energia elétrica e a água do prédio.

 

 

 

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