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terça-feira, 5 de maio de 2026
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“Pobreza é contaminar o rio”: Isaac Piyãko rebate declarações de Bocalom sobre povos indígenas

Publicado em 05/05/2026

Foto: Reprodução

Por Alessandra Karoline

O líder indígena e ex-prefeito de Marechal Thaumaturgo, Isaac Piyãko, manifestou-se, nesta terça-feira (5), contra recentes declarações de Tião Bocalom acerca dos povos originários do Acre. Em nota e declarações públicas, Piyãko afirmou que as falas do ex-prefeito da capital revelam um “desconhecimento profundo” e perpetuam estereótipos históricos que ferem a dignidade das comunidades indígenas.

O embate político foi motivado por declarações de Bocalom que, segundo a liderança Ashaninka, simplificam a realidade indígena ao utilizar termos como “morar na mata” ou “comer bicho”. Para Piyãko, essa visão ignora a complexidade social, cultural e produtiva dos povos originários.

Isaac Piyãko enfatizou que a relação dos povos indígenas com a terra não é uma questão de escolha política, mas um direito assegurado pela Carta Magna. O ex-prefeito citou o Artigo 231 da Constituição Federal para lembrar que a autonomia sobre as terras tradicionais e o respeito aos costumes ancestrais são pilares da democracia brasileira.

“Esse tipo de fala fere e desrespeita um direito constitucional: o direito de viver nossa cultura, nossa língua e nossa organização social da forma como escolhemos”, afirmou Piyãko. “Nós não vivemos no ‘mato’. Vivemos em território. Território com história, produção e dignidade.”

Conceitos de Progresso e Pobreza

Um dos pontos centrais da crítica do pré-candidato a deputado estadual foi a divergência sobre o que define desenvolvimento. Segundo ele, o modelo defendido por setores que ignoram a preservação ambiental é, na verdade, um vetor de degradação.

“Pobreza não é viver na floresta”, rebateu. “Pobreza é tirar um povo do seu território e jogá-lo numa cidade sem saneamento, sem moradia e sem oportunidade. Pobreza é contaminar o rio e chamar isso de progresso.”

A liderança indígena ressaltou que a busca das comunidades não é pelo isolamento, mas pelo acesso a direitos fundamentais — como internet, saúde e educação de qualidade — sem que, para isso, haja a renúncia da identidade e da preservação dos recursos naturais.

Piyãko aproveitou o momento para rebater o questionamento sobre a capacidade administrativa de lideranças indígenas, citando sua própria gestão à frente da Prefeitura de Marechal Thaumaturgo. Segundo ele, seu mandato demonstrou que é possível governar para todos — ribeirinhos, agricultores e comerciantes — sem promover conflitos sociais.

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