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quinta-feira, 30 de abril de 2026
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Da ocupação à moradia digna: Famílias celebram avanço do Loteamento Marielle Franco

Publicado em 30/04/2026

Foto: Alessandra Karoline

Por Alessandra Karoline

As famílias rio-branquenses da área conhecida como Terra Prometida, no bairro Irineu Serra, dão um passo decisivo rumo à conquista da casa própria. Os moradores compareceram à Associação de Docentes da UFAC (ADUFAC), nesta quarta-feira (29), com a presença do ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Guilherme Boulos, para participar do debate e da assinatura da documentação para a fase final da construção das moradias no Loteamento Marielle Franco.

O cenário, que antes era de ocupação irregular e falta de perspectivas para dezenas de famílias, dá lugar a um projeto habitacional estruturado. A trajetória de luta pela conquista da casa própria vive agora sua fase final, marcada pela expectativa de início das obras de construção.

O grupo, composto por cerca de 45 famílias, foi transferido para o Residencial Marielle Franco, localizado na Defesa Civil, após ações governamentais realizadas anteriormente. De acordo com as lideranças do movimento, a solução habitacional contempla tanto famílias que, no período de transição, dependiam de auxílio-aluguel social, quanto aquelas que aguardavam a disponibilização direta de unidades habitacionais.

A iniciativa tem como meta a construção de 226 unidades habitacionais, entre casas e apartamentos, visando oferecer moradia digna a famílias da região. O empreendimento é fruto de uma parceria estratégica que envolve o Governo do Estado, o Governo Federal — através do programa “Minha Casa, Minha Vida – Entidades” — e o Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST).

Foto: José Caminha/Secom

A história do projeto começou com a ocupação do terreno por famílias que se identificavam como invasores, uma condição que, na época, trazia insegurança e falta de garantia jurídica sobre a permanência no local. O ponto de viragem ocorreu com a intervenção do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), que mediou o conflito e propôs a criação de um projeto habitacional estruturado para a área.

Segundo relatos dos próprios moradores, a organização foi fundamental. Um dos pilares desta mobilização foi a implementação da “Cozinha Solidária”, um projeto que fornecia refeições diárias às famílias, oferecendo apoio e dignidade durante o longo processo de negociação com o poder público.

Expectativa para o fim do ano

Os moradores expressam um sentimento de esperança e confiança renovada. “Estamos com fé de que, até o final do ano, as obras comecem”, afirma a moradora Fabíola dos Santos, ressaltando que, após o período de incertezas, a segurança da habitação definitiva é a grande conquista que a comunidade aguarda.

Para as famílias que antes não possuíam garantias, a concretização do Residencial Marielle Franco é vista não apenas como a entrega de um imóvel, mas como a consolidação de um direito básico conquistado através da persistência e da organização coletiva.

Foto: Marcos Vicentti

A formalização do projeto ocorreu de um processo de diálogo entre o poder público e as lideranças comunitárias. O secretário adjunto do então Governo, Luís Calixto, e o chefe de Gabinete do governador, José Messias, reuniram-se com representantes dos moradores da ocupação Marielle Franco. O encontro definiu a agenda para o anúncio da ordem de serviço, que marcou o início efetivo das obras.

O marco histórico para a política habitacional de Rio Branco foi consolidado no dia 2 de maio de 2024, quando o Governo do Estado, em parceria com o Governo Federal, a Associação Esperança de um Novo Milênio e o Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), anunciaram oficialmente a construção do Loteamento Marielle Franco.

Além da construção das moradias, o projeto destaca a relevância do trabalho social já realizado na localidade. A iniciativa da “Cozinha Solidária”, conduzida pelo MTST, tem sido fundamental na região, distribuindo mais de 200 marmitas diariamente para moradores da ocupação e bairros carentes do entorno.

Mais do que um empreendimento imobiliário, o Loteamento Marielle Franco é apresentado pelo governo acreano como um símbolo de perseverança e solidariedade, garantindo que o direito constitucional à moradia seja respeitado e efetivado para centenas de famílias que aguardam por uma nova etapa em suas vidas.

Foto: José Caminha/Secom

O projeto vai além da construção de novos imóveis: o objetivo central é regularizar uma ocupação anterior, garantindo segurança jurídica e infraestrutura básica aos moradores. Como parte da viabilização legal do projeto, o terreno foi doado à Associação Esperança de um Novo Milênio, entidade que atua na organização e representação das famílias envolvidas.

A expectativa é que a conclusão do Loteamento Marielle Franco contribua significativamente para a redução do déficit habitacional na capital acreana, consolidando um espaço de assentamento que combina a articulação de movimentos sociais com o poder público.

Regularização e expectativas

A assinatura do termo com a Caixa Econômica Federal é uma etapa burocrática fundamental para a consolidação dos direitos das famílias. Com o envio da documentação pelos órgãos competentes, a expectativa agora é pela liberação e conclusão das obras.

“Este é um passo fundamental para que tenhamos a segurança de nossa moradia definitiva”, destacou uma das moradores, Simone Evangelin.

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