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Atirador tinha Trump e membros do governo como alvo, aponta investigação

Publicado em 26/04/2026

O presidente Donald Trump gesticula durante entrevista coletiva na noite de sábado (26) após jantar em hotel em Washington interrompido por disparos – Mandel Ngan/AFP

  • Procurador-geral afirma que suspeito provavelmente viajou de Los Angeles até a capital para realizar atentado; homem está detido

  • Presidente diz que homem havia escrito um manifesto anticristão

Washington | Reuters | Folha de São Paulo
O procurador-geral interino dos Estados Unidos, Todd Blanche, disse neste domingo (26) que as autoridades policiais acreditam que o atirador que tentou invadir, na véspera, a sala onde ocorria o jantar dos correspondentes da Casa Branca tinha como alvo o presidente Donald Trump e funcionários do governo americano.

“Parece que ele, de fato, tinha a intenção de atacar pessoas que trabalham no governo, provavelmente incluindo o presidente”, disse Blanche ao programa “Meet the Press” da NBC News, acrescentando que o suspeito provavelmente viajou de trem de Los Angeles para Chicago e depois para Washington.

O suspeito se chama Cole Thomas Allen e será formalmente acusado em tribunal federal na segunda-feira (27) por agressão a um agente federal e disparo de arma de fogo em tentativa de matar um agente federal, disse Blanche.

O procurador-geral interino afirmou que o suspeito não estava cooperando com os investigadores até a manhã de domingo. A motivação para o ataque não foi esclarecida ainda.

Logo após o incidente, Trump afirmou que a investigação aponta que ele seja um “lobo solitário”, ou seja, um criminoso que agiu sozinho. Neste domingo, em entrevista à Fox News, o presidente disse que o homem escreveu um manifesto anticristão.

Fotografia divulgada por Donald Trump mostra atirador detido em hotel por agentes do Serviço Secreto neste sábado (25), após disparos em jantar com o presidente em Washington – @realDonaldTrump/via TruthSocial

“O cara é um doente”, disse ele em entrevista à Fox News. “Quando você lê o manifesto dele, ele odeia cristãos”, disse. “A irmã ou o irmão dele estava reclamando sobre isso. Sabe, eles estavam até reclamando para as autoridades policiais. Ele era um cara muito perturbado.”

De 31 anos, o homem é professor e desenvolvedor de jogos, segundo fontes policiais. Ele mora em Torrance, cidade litorânea da Califórnia que faz parte da região de South Bay, adjacente a Los Angeles.

O jornal New York Post afirma que o suspeito enviou o manifesto a familiares dez minutos antes do ataque. E fontes ouvidas pela CBS News disseram que o irmão do atirador ligou para a polícia do estado de Connecticut ainda na noite de sábado para alertá-la, após receber o email que sugeria o ataque. Ainda não se sabe o que as autoridades fizeram após receber o alerta.

O estado fica a aproximadamente 480 km de distância de Washington, onde ocorria o jantar.

Segundo a CBS, o documento foi enviado por email ao irmão de Allen e a outros familiares. “Olá a todos!”, escreveu o home. “Então, talvez eu tenha dado uma surpresa a muita gente hoje.”

O suspeito também pediu desculpas aos pais por ter dito que tinha uma entrevista, “sem especificar que era para ‘Procurado'”. No mesmo e-mail, revelou a escolha tática de usar chumbo múltiplo na espingarda em vez de projétil único, alegando querer reduzir danos colaterais pela menor capacidade de penetração em paredes.

Com base no texto divulgado pelo New York Post, com exclusividade, o manifesto faz uma citação ao cristianismo quando o autor menciona a máxima cristã de “oferecer a outra face”.

“Dar a outra face é para quando você mesmo é oprimido. Não sou a pessoa estuprada em um campo de detenção. Não sou o pescador executado sem julgamento. Não sou uma criança de escola explodida, uma criança faminta ou uma adolescente abusada pelos muitos criminosos desta administração. Dar a outra face quando outra pessoa é oprimida não é comportamento cristão; é cumplicidade nos crimes do opressor”, diz o texto obtido pelo New York Post.

O manifesto faz ainda críticas à conduta de Trump, que já foi condenado por abuso sexual e é alvo de críticas por supostas ligações com o financista Jeffrey Epstein, preso por liderar uma rede de aliciamento de menores e morto em 2019.

“Eu sou um cidadão dos Estados Unidos da América. O que meus representantes fazem reflete em mim. E não estou mais disposto a permitir que um pedófilo, estuprador e traidor cubra minhas mãos com seus crimes”, diz o texto.

Ainda segundo o documento divulgado, funcionários da administração eram os alvos do atirador, do mais alto ao mais baixo escalão. Agentes do Serviço Secreto seriam atacados apenas se necessário, enquanto convidados do evento e funcionários do hotel não eram visados.

Em entrevista coletiva na Casa Branca ainda na noite de sábado (25), Trump já havia dito que acreditava ser o alvo do ataque. O presidente já sobreviveu a outras duas tentativas de assassinato desde 2024, um período de crescente polarização política nos Estados Unidos.

“Eu acho que era [o alvo]. Essas pessoas são loucas. Tinha muitas pessoas no salão, ele teria que percorrer um longo caminho”, disse.

Em um dos casos, em julho de 2024, em Butler, no estado da Pensilvânia, Trump foi atingido de raspão por uma bala durante um comício.

Neste sábado, a ação começou com o atirador disparando uma espingarda contra um agente do Serviço Secreto em um posto de controle no hotel Washington Hilton, antes de ser imobilizado e preso. O porta-voz do Serviço Secreto dos EUA, Anthony Guglielmi, disse que o agente havia recebido alta do hospital.

O chefe interino da polícia de Washington, Jeffery Carroll, afirmou que o suspeito estava armado com uma espingarda, uma pistola e várias facas. Ele foi levado a um hospital local para avaliação, disse também na noite do sábado.

Informações preliminares indicam que o homem se hospedou no hotel na véspera do ataque.

Os disparos ocorreram em uma sala de checagem de segurança que dava acesso ao espaço onde acontecia a festa em que estavam Trump e outros membros do governo.

Após os tiros, o presidente e a primeira-dama, Melania Trump, foram retirados às pressas do palco do jantar da Associação de Correspondentes da Casa Branca em Washington. Agentes do Serviço Secreto removeram também outros membros do governo presentes.

De acordo com reportagem da Bloomberg, com base em relatório de inteligência policial, Allen comprou uma espingarda há oito meses e uma pistola semiautomática há dois anos.

Um perfil no LinkedIn em nome do suspeito o descreve como “engenheiro mecânico e cientista da computação por formação, desenvolvedor de jogos independente por experiência, professor por vocação”.

Ele obteve um diploma de bacharel em engenharia mecânica pelo Instituto de Tecnologia da Califórnia em 2017 e um mestrado em ciência da computação pela Universidade Estadual da Califórnia em Dominguez Hills em 2025, de acordo com o perfil. O Caltech disse em comunicado que uma pessoa com esse nome se formou em 2017.

Em sua fala neste domingo, Blanche disse estar confiante de que o rei Charles 3º, do Reino Unido, estará seguro durante sua visita de Estado aos EUA, agendada para esta semana.

O Palácio de Buckingham informou que houve conversas com autoridades americanas no domingo para determinar se o tiroteio afetaria o planejamento da visita e confirmou a viagem durante a tarde.

Procurador-geral interino Todd Blanche durante uma coletiva de imprensa na Casa Branca no sábado – Mandel Ngan – 25.abr.2026/AFP

“Após discussões em ambos os lados do Atlântico ao longo do dia, e seguindo orientação do Governo, podemos confirmar que a Visita de Estado de Suas Majestades ocorrerá conforme planejado”, disse o Palácio de Buckingham em comunicado.

Charles e sua esposa, Camilla, também entraram em contato de forma privada com Trump e Melania para expressar suas condolências, disse uma fonte do palácio.

Ao redor do mundo, líderes condenaram o ataque e expressaram solidariedade.

Na manhã deste domingo, em publicação na rede Truth Social, Trump reiterou que o ataque evidencia a importância da construção de um salão de eventos na Casa Branca, um projeto de sua administração orçado em US$ 400 milhões que está envolto em polêmicas.

Ele já havia feito a defesa do salão após o ataque, na entrevista coletiva na noite do sábado.

“O que aconteceu na noite passada é exatamente o motivo pelo qual nossas grandes Forças Armadas, o Serviço Secreto, as forças de segurança e, por diferentes razões, todos os presidentes dos últimos 150 anos vêm EXIGINDO que um grande, seguro e protegido salão de baile seja construído DENTRO DOS TERRENOS DA CASA BRANCA”, escreveu Trump neste domingo.

No dia 17 de abril, um juiz federal liberou a construção da nova ala, que estava suspensa por uma decisão de primeira instância.

O Washington Hilton é o mesmo hotel no qual, do lado de fora, o presidente Ronald Reagan sofreu uma tentativa de assassinato, em março de 1981. Na ocasião, Reagan andava até a limusine após um discurso quando John Hinckley Jr. desferiu seis disparos. Cinco pessoas ficaram feridas, incluindo o então presidente, atingido abaixo da axila esquerda.

 

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