Publicado em 10/04/2026
Foto: Arquivo Pessoal
Por Alessandra Karoline
Um estudo científico liderado por pesquisadores da Universidade Federal do Acre (Ufac) está trazendo novas perspectivas sobre a conservação da biodiversidade na Amazônia. A pesquisa, realizada na Reserva Extrativista (Resex) Chico Mendes, comprovou que sistemas agroflorestais (SAFs) maduros têm a capacidade de recuperar a biodiversidade a níveis próximos aos da floresta nativa.
Segundo a Mestre em Ciências, Inovação e Tecnologia para a Amazônia (UFAC), Dhâmyla Bruna de Souza Dutra, a ideia do estudo surgiu o meu mestrado. “Ao longo da minha trajetória acadêmica, eu fui entendendo cada vez mais a importância das formigas para o funcionamento dos ecossistemas. O ponto de partida foi que a Amazônia vem passando por intensas mudanças no uso da terra, principalmente com a conversão de florestas em pastagens e áreas agrícolas, o que gera impactos ambientais significativos.” destaca Dutra.
O estudo possui 12 autores, contando com mestrandos, doutores e alunos de graduação vinculados à Universidade Federal do Acre (UFAC). Também participaram pesquisadores da Universidade Federal de Lavras (UFLA), Universidade Federal do Paraná (UFPR) e do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), por meio do Centro de Estudos Integrados da Biodiversidade Amazônica CENBAM.
O trabalho contou com o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Acre (Fapac), ganhando projeção global ao ser publicado na prestigiada revista internacional Biodiversity and Conservation.

Formigas como indicadores de saúde ambiental
Para medir o impacto do uso da terra, os cientistas utilizaram as formigas como bioindicadores, comparando áreas de floresta primária, pastagens, agricultura e sistemas agroflorestais. O levantamento revelou um dado inédito para a ciência regional: o registro de 21 novas ocorrências de espécies de formigas em território acreano.
Os resultados apontam que a idade do sistema agroflorestal é o fator determinante para a regeneração. Segundo o estudo:
Sistemas Maduros: Conseguem mimetizar o ambiente natural, permitindo o retorno de espécies sensíveis típicas da floresta fechada.
Pastagens e Cultivos Intensivos: Apresentam baixa diversidade, abrigando apenas espécies generalistas que sobrevivem em ambientes abertos.
Função Conectora: Os SAFs funcionam como “pontes” ecológicas, auxiliando na recuperação de áreas degradadas e mantendo o equilíbrio do ecossistema.
Impacto nas Políticas Públicas
A pesquisa fornece subsídios científicos para a formulação de políticas de preservação, demonstrando que a produção agrícola sustentável pode ser uma aliada estratégica da “floresta em pé”. Com a comprovação de que áreas manejadas podem recuperar a fauna nativa, o modelo de sistemas agroflorestais ganha ainda mais força como alternativa econômica para as comunidades tradicionais da Amazônia.

