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terça-feira, 10 de março de 2026
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Política

Lulinha enfrenta nova ofensiva na CPMI do INSS; entenda

Publicado em 10/03/2026

Fábio Luís Lula da Silva (Lulinha), filho do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT)  • ALEX SILVA/ESTADÃO CONTEÚDO/AE/

Parlamentares dizem que vão recorrer da decisão do ministro Flávio Dino, do STF (Supremo Tribunal Federal), que anulou a quebra do sigilo fiscal, bancário e telemático do filho do ex-presidente

Por Leonardo Ribbeiro, da CNN Brasil, Brasília

O surgimento de indícios contra Fábio Luís da Silva, o “Lulinha”, levou o filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) a se tornar um dos focos das investigações da CPMI (Comissão Parlamentar Mista de Inquérito) do INSS, no Congresso Nacional.

No fim do mês passado, numa reunião tumultuada, os parlamentares conseguiram aprovar a quebra do sigilo fiscal, bancário e telemático de Lulinha.

O ministro Flávio Dino, do STF (Supremo Tribunal Federal), anulou a decisão. A comissão de inquérito deve apresentar um recurso e também mira um convite para ouvir esclarecimentos do magistrado.

A cúpula da CPMI se reuniu nesta segunda-feira (9) com a Advocacia do Senado para tratar do recurso. O pleno do STF analisará a decisão de Dino em julgamento virtual a partir do dia 13 de março.

A quebra de sigilo de Lulinha identificou que ele movimentou R$ 19,5 milhões entre 2022 e 2026. Os dados foram obtidos pela CPMI. A defesa do filho do presidente criticou os vazamentos das informações.

Lulinha não é investigado pela Polícia Federal, mas foi mencionado ao longo das apurações. O nome dele apareceu nas operações de busca e apreensão contra a empresária Roberta Luchsinger, realizada em meados de dezembro do ano passado.

A PF apura se Lulinha manteve uma sociedade oculta por meio de Roberta com Antonio Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”. A empresária também teve a quebra de sigilo aprovada pela CPMI e, depois, suspensa por Dino na quarta-feira (4).

Com as anulações determinadas por Dino, os acessos às informações sigilosas foram suspensos. Se o pleno do STF referendar o despacho do ministro, os pedidos de quebras de sigilo devem precisar ser votados novamente, de forma individual e não em bloco, pela CPMI.

Mendonça quebra sigilo

O ministro André Mendonça autorizou o pedido da PF para quebrar o sigilo do Lulinha antes mesmo da decisão da CPMI do INSS.

Segundo a apuração, a solicitação da PF foi motivada por suspeitas de “mesadas” a Lulinha. No pedido encaminhado ao Supremo, a corporação listou transferências que teriam como destinatário Fábio Luís e requereu o acesso aos dados bancários. A medida, então, foi autorizada por Mendonça.

No relatório sob sigilo, a PF aponta supostos pagamentos de mesadas de Antônio Camilo Antunes, o Careca do INSS, a Lulinha, por meio da amiga dele. De acordo com a Polícia Federal, ele seria um sócio oculto.

Os pagamentos de R$ 300 mil mensais seriam, segundo apuração preliminar, pagamentos para Lulinha facilitar acesso de Antunes a locais específicos em Brasília — algo que é negado pela defesa de ambos.

Ao STF, a defesa de Lulinha disse que a quebra de sigilo não era necessária. Em petição endereçada a Mendonça, o filho do presidente se colocou à disposição da Justiça para esclarecimentos. “Estamos absolutamente tranquilos quanto ao resultado da quebra, pois ele não teve nenhuma participação nas fraudes do INSS e não cometeu nenhum crime”, escreveu o advogado Guilherme Suguimori.

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