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sábado, 7 de fevereiro de 2026
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PSD racha em apoio a Lula enquanto Kassab tenta viabilizar candidato

Publicado em 07/02/2026

Gilberto Kassab, presidente do PSD
Imagem: Raul Luciano – 9.jul.2025/Ato Press/Estadão Conteúdo

Por Carlos Madeiro, Felipe Pereira e Amanda Freitas Colunista do UOL, do UOL em Brasília e colaboração para o UOL, em Brasília.

O presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, quer lançar uma candidatura própria à
Presidência da República neste ano, mas o partido vive uma divisão interna. Parte das
bancadas estaduais, especialmente no Nordeste, já trabalha pela reeleição do
presidente Lula (PT).

O que aconteceu

Kassab tem dito que o PSD lançará um candidato ao Planalto. Em declaração
recente, o político prometeu decidir até abril entre os governadores Ratinho Junior (PR),
Eduardo Leite (RS) e Ronaldo Caiado (GO) —este último filiou-se recentemente ao
PSD.

O presidente do partido também fala na possibilidade de uma chapa
pura. Kassab cita exemplos recentes dentro da sigla, como a reeleição do governador
Ratinho Junior (PR), que concorreu com vice do próprio PSD, e a vitória do prefeito
Eduardo Paes (Rio de Janeiro), que também formou chapa com outro nome do partido.

Kassab tem tentado se posicionar como fiador de uma “terceira via”. Nesta semana, fez o anúncio de que seis deputados estaduais do PSDB e um do Cidadania vão, a partir de 4 de março, para seu partido. Também trouxe recentemente, além de Caiado, o governador de Rondônia, Marcos Rocha, do União para o PSD.

Ele ainda sinalizou apoio ao bolsonarismo. Em declaração recente, Kassab disse que em um eventual segundo turno em que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) esteja, ele irá apoiá-lo. Jair Bolsonaro (PL) indicou o filho como pré-candidato do PL à Presidência.

Apesar do esforço de Kassab em ampliar o poderio do PSD, já existem diretórios alinhados a Lula nos estados. A contradição expõe um racha entre a estratégia nacional e a prioridade local de reeleição com alianças regionais.

No Nordeste, boa parte dos estados já sinaliza apoio ao petista, mesmo se o PSD lançar candidatura própria. A região é estratégica para Lula e é onde o PT tem peso eleitoral. Nos bastidores, dirigentes reconhecem que, mesmo com candidato próprio, o partido não teria unidade nacional para enfrentar Lula.

  • Bahia: o senador Otto Alencar (PSD) afirmou que o partido “vai com Lula” no estado e que a aliança local está mantida “em acordo com Kassab”;
  • Pernambuco: o PSD é liderado no estado por André de Paula, ministro da Pesca e Aquicultura, aliado declarado de Lula;
  • Ceará: a sigla está alinhada ao governador Elmano de Freitas (PT);
  • Sergipe: o governador Fábio Mitidieri (PSD) já anunciou apoio a Lula;
  • Piauí: o PSD integra a base do governador Rafael Fonteles (PT), e Lula apoia o deputado Júlio César (PSD) como candidato ao Senado em chapa com Fonteles;
  • Alagoas: a principal liderança do partido no estado, Luciano Amaral, também apoia Lula;
  • Maranhão: o prefeito de São Luís, Eduardo Braide (PSD), mantém posição neutra, mas é visto como aliado potencial do campo governista.

Minas e São Paulo

A divisão também aparece nos dois maiores colégios eleitorais. Em Minas Gerais, o cenário é oposto ao Nordeste, já que o PSD mineiro não trabalha pela reeleição de Lula.

O atual governador, Romeu Zema (Novo), deve deixar o cargo para sair candidato à Presidência. O vice, Mateus Simões (PSD), já iniciou articulações para viabilizar sua candidatura ao governo do estado. Ele é familiarizado com a ala bolsonarista, como o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG).

Rodrigo Pacheco, atualmente no PSD, articula deixar o partido para se filiar ao União Brasil. Segundo interlocutores, essa mudança já está bem avançada e deve se concretizar nas próximas semanas. A ideia é que o senador saia candidato ao governo de Minas.

Lula já disse que apoiaria Pacheco em MG em eventual candidatura. O estado é importante para o petista conseguir se reeleger. Ao UOL, disse nesta semana: “nós vamos ganhar as eleições de Minas Gerais outra vez. E eu quero dizer aqui em alto e bom som, eu ainda não desisti de você, Pacheco. Acho que você pode ser o futuro governador de Minas” (veja o vídeo abaixo).

Em São Paulo, o PSD tenta manter espaço ao lado do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos). Kassab é secretário da Casa Civil do governo paulista e chegou a ser cotado para a vice na chapa do governador.

Hoje, o vice-governador é Felício Ramuth (PSD), o que garante à sigla posição estratégica na gestão estadual. Há pressão do bolsonarismo para que Tarcísio se filie ao PL. Integrantes do PSD admitem que, mesmo nesse cenário, a prioridade é garantir palanque e sobrevivência política no maior colégio eleitoral do país.

Dirigentes reconhecem que o partido cresce, mas que isso não se traduz em unidade política nacional. Hoje, o PSD tem seis governadores, a segunda maior bancada no Senado e foi o que mais elegeu prefeitos em 2024.

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