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Em nota conjunta, países latino-americanos rejeitam ‘qualquer tentativa de controle’ da Venezuela

Publicado em 04/01/2026

Operação dos EUA na Venezuela tem impacto no cenário mundial.  Foto: JUAN BARRETO

Por Redação | Estadão

Brasil, Chile, Colômbia, México e Uruguai divulgaram novo comunicado na tarde deste domingo, 4, após operação dos EUA e captura de Maduro

Trump deixa claro ao mundo com prisão de Maduro que quem manda na América Latina é ele

Ataque à Venezuela é mais um sintoma do fim do sistema de regras criado pelos EUA após a 2ª Guerra. Crédito: TV Estadão

Brasil, Chile, Colômbia, México e Uruguai rejeitaram neste domingo, 4, “qualquer tentativa de controle” sobre a Venezuela após o ataque dos Estados Unidos e a captura do ditador Nicolás Maduro e da mulher dele neste sábado, 3.

“Manifestamos nossa preocupação diante de qualquer tentativa de controle governamental, de administração ou de apropriação externa de recursos naturais ou estratégicos” venezuelanos, aponta um comunicado divulgado pela Chancelaria colombiana.

Os cinco países manifestaram preocupação com a estabilidade regional após os ataques de Washington que resultaram na captura de Maduro.

Donald Trump disse que um de seus principais objetivos é manter o domínio sobre o petróleo da Venezuela, que possui as maiores reservas do mundo.

Mais cedo, a Coreia do Norte, inimiga ferrenha dos Estados Unidos, que há muito acusa Washington de querer derrubar seus dirigentes, classificou a operação do governo de Donald Trump na Venezuela como “a mais grave violação da soberania”.

“É outro exemplo que confirma mais uma vez a natureza desonesta e brutal” de Washington, disse sua Chancelaria.

Veja abaixo os posicionamentos divulgados:

  • Israel

O primeiro-ministro Binyamin Netanyahu  declarou que Israel apoia a “ação enérgica” de Washington na Venezuela.

“No que diz respeito à Venezuela, desejo expressar o apoio de todo o governo à decisão firme e ação enérgica dos Estados Unidos para restaurar a liberdade e a justiça nessa região do mundo”, afirmou Netanyahu neste domingo, 4, na abertura de uma reunião do gabinete.

“Na América Latina, (…) vários países estão retornando à órbita estadunidense e (…) restabelecendo seus laços com o Estado de Israel. Estamos felizes por isso, felicitamos o presidente (Donald) Trump (…) e também saudamos as Forças Armadas estadunidenses, que realizaram uma operação perfeita”, adicionou.

  • China

O Ministério das Relações Exteriores da China condenou o ataque como uma ameaça para “a paz e a segurança da América Latina e do Caribe” e denunciou o “comportamento hegemônico” dos Estados Unidos.

  • Papa Leão XIV

papa Leão XIV afirmou neste domingo, 4, que “o bem-estar do querido povo venezuelano” deve prevalecer e pediu garantias “à soberania” da Venezuela. Os Estados Unidos atacaram a Venezuela com bombardeios em Caracas e capturaram o ditador Nicolás Maduro e a mulher dele neste sábado, 3. O pedido do pontífice endossa o coro de diversos líderes mundiais, que condenaram a ação dos EUA.

“O bem-estar do querido povo venezuelano deve prevalecer sobre qualquer outra consideração e levar à superação da violência e ao empreendimento de caminhos de justiça e paz, garantindo a soberania do país”, afirmou o pontífice americano após sua oração do Ângelus na Praça de São Pedro, no Vaticano.

  • Brasil

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, disse no X que o ataque à Venezuela e a captura de Maduro “ultrapassam uma linha inaceitável”. Pediu à comunidade internacional, através das Nações Unidas, para “responder de forma vigorosa”.

  • Rússia

O Ministério das Relações Exteriores da Rússia pediu “firmemente” aos Estados Unidos “que reconsiderem sua postura e libertem” Maduro e sua esposa.

  • México

O Ministério das Relações Exteriores do México, condenou, em um comunicado, “energeticamente as ações militares executadas unilateralmente” contra a Venezuela.

  • Colômbia

O presidente colombiano, Gustavo Petro, repudiou os ataques “com mísseis” em Caracas e ordenou a mobilização de militares na fronteira com a Venezuela.

A Colômbia é, neste ano, membro não permanente do Conselho de Segurança da ONU, razão pela qual o mandatário de esquerda pediu que o órgão se reúna “imediatamente”.

  • Chile

O presidente em fim de mandato do Chile, Gabriel Boric, manifestou sua “enérgica condenação”, em particular “diante do anúncio de que um Estado estrangeiro pretende exercer controle direto sobre o território venezuelano, administrar o país e eventualmente continuar operações militares até impor uma transição política”.

“Hoje é a Venezuela, amanhã pode ser qualquer outro”, acrescentou.

  • Cuba

“Os Estados Unidos não têm autoridade moral nem de qualquer tipo para retirar à força de seu país o presidente venezuelano, mas (…) são, sim, responsáveis perante o mundo” pela sua “integridade física”, disse o presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, aliado de Caracas.

  • ONU

O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, expressou sua preocupação pelo “respeito ao direito internacional”, segundo um porta-voz.

  • Irã

O Irã, que mantém estreitos vínculos com a nação sul-americana rica em petróleo e bombardeada por Trump no ano passado, condenou “firmemente o ataque militar americano”.

  • União Europeia

A chefe da diplomacia europeia, Kaja Kallas, pediu “moderação” e respeito ao direito internacional após conversar com o secretário de Estado americano, Marco Rubio.

  • Espanha

O presidente do governo espanhol, Pedro Sánchez, disse no X que seu país “não reconhecia o regime de Maduro”, mas “também não reconhecerá uma intervenção que viola o direito internacional”.

Essa intervenção militar “empurra a região para um horizonte de incerteza e belicismo”, acrescentou, e pediu uma “transição justa e dialogada”.

  • França

O presidente francês, Emmanuel Macron, afirmou neste sábado que o “povo venezuelano” só pode “se alegrar” com o fim da “ditadura Maduro” e pediu uma “transição pacífica”.

  • Alemanha

O chefe do governo alemão, Friedrich Merz, considerou que Maduro havia “levado [a Venezuela] à ruína”.

O presidente deposto e capturado por Washington “desempenhou um papel problemático na região”, por exemplo “ao envolver a Venezuela no tráfico de drogas”, acrescentou.

  • Itália

A primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, considerou “legítima a intervenção defensiva” dos Estados Unidos na Venezuela.

Embora tenha considerado que “a ação militar externa não é a via para pôr fim aos regimes totalitários”, segundo um comunicado.

  • Reino Unido

O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, afirmou que todos os países devem “respeitar o direito internacional” e acrescentou que o Reino Unido não participou de modo algum nesta operação.

  • Panamá

O presidente do Panamá, José Raúl Mulino, manifestou seu desejo por “um processo de transição ordenado e legítimo” na Venezuela.

  • Guatemala

“Fazemos um chamado para cessar qualquer ação militar unilateral e respeitar os princípios da Carta da Organização das Nações Unidas”, escreveu o presidente da Guatemala, Bernardo Arévalo, no X.

  • Argentina

A operação dos Estados Unidos “significa a queda do regime de um ditador que vinha fraudando as eleições (…) E isso não é bom apenas para a Venezuela, mas também para a região”, disse o presidente argentino Javier Milei à LN+ .

  • Equador

O presidente equatoriano, Daniel Noboa, escreveu no X: “A todos os criminosos narcochavistas chega a sua hora. A sua estrutura vai terminar de cair em todo o continente”.

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