Publicado em 03/01/2026
Presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, e sua esposa, Cilia Flores, chegam ao Palácio do Planalto • Marcelo Camargo/Agência Brasil
Conhecida como “primeira combatente”, a advogada e política venezuelana foi retirada do país, afirmou Donald Trump
Trajetória política e relação com o chavismo
Nascida em 1956, em Tinaquillo, Cilia Flores de Maduro é advogada especializada em direito trabalhista e penal. Sua trajetória no chavismo começou em 1992, quando integrou a equipe de defesa jurídica de Hugo Chávez após a tentativa fracassada de golpe contra o então presidente Carlos Andrés Pérez.
Foi nesse período que ela conheceu Nicolás Maduro, com quem mantém um relacionamento de mais de 30 anos, oficializado em uma união civil em julho de 2013.
Flores construiu um capital político próprio, ocupando cargos de alta hierarquia na administração pública venezuelana. Ela foi a primeira mulher a presidir a Assembleia Nacional, entre 2006 e 2011, e atuou como Procuradora-Geral da República entre 2012 e 2013.
No jargão oficial do governo, ela é tratada como “primeira combatente”, termo adotado para substituir o título tradicional de primeira-dama.
“O poder por trás do trono” e controvérsias
Especialistas descrevem Flores como uma conselheira estratégica de primeira linha e uma figura central na consolidação do poder de Maduro após a morte de Chávez.
Apesar de ter adotado um perfil mais discreto nos últimos anos, sua influência é considerada decisiva nos bastidores do Palácio de Miraflores. A trajetória de Cilia Flores também é marcada por episódios controversos:
- Sanções internacionais: Em 2018, ela foi alvo de sanções do Departamento do Tesouro dos EUA e do governo do Canadá, sob a justificativa de que o círculo íntimo de Maduro colaborava para a manutenção do regime.
- Caso dos sobrinhos: Em 2015, dois de seus sobrinhos foram presos no Haiti pela agência antidrogas dos EUA (DEA) e condenados por tráfico de cocaína em Nova York, sendo posteriormente libertados em uma troca de prisioneiros em 2022.
- Acusações de nepotismo: Durante seu mandato no Parlamento, enfrentou críticas por contratar dezenas de familiares para cargos na Casa Legislativa, o que ela defendeu publicamente na época.
Contexto da captura e estado de emergência
A captura de Cilia Flores ocorreu em meio a bombardeios em áreas civis e militares nos estados de Miranda, Aragua e La Guaira, além da capital. Testemunhas relataram explosões e o uso de aeronaves durante a madrugada.
O regime da Venezuela, por meio de comunicados lidos na TV estatal, classificou a ação como uma “agressão criminosa” e apelou à mobilização popular para garantir a soberania nacional.

