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MPAC recomenda suspensão de contratos com Instituto Upas após constatar irregularidades

Publicado em 26/11/2025

O Ministério Público do Estado do Acre (MPAC), por meio da 1ª Promotoria de Justiça Especializada de Defesa da Saúde, recomendou que a Secretaria de Estado de Saúde (Sesacre) e a Secretaria Municipal de Saúde de Rio Branco (Semsa) suspendam novas contratações e parcerias com o Instituto Upas. O órgão orienta ainda que sejam interrompidas a execução e a contratação de serviços de saúde vinculados à entidade.

A recomendação foi emitida após procedimentos de fiscalização que identificaram diversas irregularidades. Entre elas, estão a ausência de licenciamento sanitário, pendências relacionadas à segurança contra incêndio, falta de comprovação de capacidade técnica, fragilidades na prestação de contas e baixa transparência no uso de recursos públicos.

O MPAC também apontou falhas graves no cumprimento das normas de regulação do SUS, especialmente no controle das filas de espera para procedimentos eletivos. Segundo o promotor de Justiça Ocimar Sales Júnior, a desorganização dos fluxos assistenciais em mutirões e ações itinerantes pode gerar favorecimentos indevidos, seleção inadequada de pacientes e barreiras de acesso, prejudicando a equidade e a universalidade do sistema.

Regras desrespeitadas e exigências ignoradas

Na recomendação, o Ministério Público reforça que qualquer parceria com entidades privadas deve obedecer rigorosamente aos requisitos legais que regem a complementação dos serviços do SUS. Isso inclui:

  • planejamento adequado da demanda;

  • justificativa formal para a contratação;

  • realização de chamamento público ou credenciamento;

  • análise de vantajosidade;

  • comprovação da capacidade técnica da entidade.

O que o MPAC determinou

O documento orienta que Sesacre, Semsa, a Secretaria de Planejamento e a Prefeitura de Rio Branco:

  • deixem de contratar, pagar ou executar serviços prestados pelo Instituto Upas ou por qualquer entidade sem fins lucrativos que não atenda às exigências legais;

  • sigam de forma rigorosa as normas para celebração de parcerias públicas;

  • realizem auditorias internas para revisar a regularidade das pactuações, uso dos recursos públicos e transparência das contas;

  • mapeiem as filas de espera e garantam que todos os procedimentos executados por entidades privadas sejam regulados pelos sistemas oficiais de Sesacre e Semsa.

Além disso, os órgãos deverão apresentar, em até 20 dias, um diagnóstico detalhado das parcerias firmadas nos últimos dois anos, incluindo valores repassados ao Instituto Upas, origem dos recursos e comprovação dos serviços prestados. Também devem revisar todos os contratos mantidos com a entidade.

Outro ponto da recomendação determina que a Controladoria-Geral do Município assegure total transparência das emendas parlamentares destinadas à saúde, com publicação integral das informações no Portal da Transparência.

As instituições notificadas têm 15 dias para informar ao MPAC se irão acatar as medidas recomendadas. Caso contrário, o Ministério Público poderá adotar providências legais, incluindo a proposição de ação civil pública

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