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Um referencial

Publicado em 08/01/2024

    O que resultar da gestão do presidente Javier Milei se prestará como referencia para nós.        

A eleição do presidente Javier Milei se deu de forma inquestionavelmente democrática, nada a contestar, embora o mesmo, enquanto candidato, não tenha tomado os devidos cuidados ao debulhar os seus rosários de promessas, posto que, algumas de suas promessas, já haviam se revelado absolutamente impraticáveis no seu próprio país. A citar, a dolarização da sua moeda. Vejamos;  

Para honrar os compromissos com os seus credores a Argentina só dispõe de US$27 bilhões. O Brasil, por exemplo, dispõem de US$-342 bilhões em reservas cambiais, a moeda corrente nos EUA e no restante do mundo. Ainda assim nenhum dos nossos candidatos a presidência da República, nas nossas últimas eleições, chegou a sugerir a dolarização da nossa moeda. De mais a mais, as reservas cambiais da Argentina encontram-se insuficientes para honrar, particularmente, os seus compromissos de curtíssimo prazo.

 Ainda bem que o próprio presidente Javier Milei já revogou esta inconseqüente e arriscadíssima promessa. A provar que sim, indicou o economista Luiz Caputto, um adversário ferrenho de tamanha maluquice econômica, para o comando da sua economia.  

A indicação do referido ministro para comandar a economia argentina revelou-se numa brutal incoerência entre os compromissos assumidos pelo então candidato Javier Milei, porquanto o mesmo, por reiteradas vezes, havia prometido que romperia com as “castas” que havia dominado a Argentina ao longo dos últimos 40 anos, enquanto o próprio Luiz Caputto, ao tempo em que Maurício Macri presidiu a Argentina, não apenas ajudou a criar como alimentou o macrismo. Ainda bem que o presidente Javier Milei cada vez mais vem se distanciando do candidato de mesmo nome, e por certo, quanto mais vier se distanciar, maiores serão as suas chances de sucesso, do contrário, seu insucesso será apenas uma questão de tempo.

Quantas vezes o candidato Javier Milei prometeu que jamais se sentaria numa mesma mesa para negociar com os comunistas do Brasil e da China, já que esta promessa sempre esteve presente em seus discursos e debates, embora os referidos países já se comportassem como os principais parceiros comerciais da Argentina.

Nas democracias tem sido freqüentes a permissibilidade conferida aos seus candidatos, um comportamento que costumamos chamar de calote eleitoral, qual seja, os candidatos prometerem tudo que lhes vêm a telha e quando se elegem só lhes restam reclamar das heranças malditas que receberam. 

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