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Desembargadores viram réus por “venderem sentenças” e receberem propina através dos escritórios dos filhos

Publicado em 26/10/2024

Foto: Reprodução PF.

Uma investigação recente colocou o Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul no centro das atenções. Diversos desembargadores foram afastados de suas funções após serem associados a um esquema de corrupção que envolve a venda de sentenças judiciais, lavagem de dinheiro e outros crimes, segundo aponta a Polícia Federal. Esta operação, conhecida como Ultima Ratio, trouxe à tona uma rede de práticas ilícitas dentro do poder judiciário estadual. As informações são do Diário do Poder.

Entre os suspeitos, estão o desembargador Sérgio Fernandes Martins, Sideni Soncini Pimentel, que presidia o tribunal, e outros como Vladimir Abreu Da Silva, Alexandre Aguiar Bastos e Marcos José de Brito Rodrigues. As acusações incluem a formação de organização criminosa e a falsificação de documentos públicos. Como consequência, impôs-se aos envolvidos o uso de tornozeleiras eletrônicas e a proibição de entrada no tribunal.

Em agosto, o Terra Brasil noticiou um suposto esquema de vendas de sentença envolvendo advogados e juízes da Bahia. Outro escândalo envolvendo corrupção de desembargadores foi repercurtido após o vazamento de um áudio de uma reunião na Câmara Municipal de Coruripe (AL).

Qual o papel dos advogados filhos dos desembargadores neste esquema?

Um aspecto central na investigação abrange o envolvimento de advogados que são filhos dos desembargadores investigados. Supostamente, esses advogados utilizavam seus escritórios para disfarçar e dar uma aparência legal ao fluxo de recursos obtidos de maneira questionável. A Polícia Federal relatou que essas práticas incluíam burlar sistemas de rastreamento financeiro, dificultando ainda mais o desvendamento do esquema fraudulento.

Rodrigo Gonçalves Pimentel, filho do desembargador Sideni Pimentel, é um dos principais nomes mencionados. Ele estaria ligado financeira e pessoalmente a decisões judiciais favorecidas por juízes aposentados, como Júlio Cardoso, que, por sua vez, realizava transações imobiliárias com dinheiro de origem obscura. Além de Rodrigo, outros nomes como Fabio Castro Leandro e Marcus Vinicius Machado Abreu da Silva também surgem como suspeitos de intermediar decisões judiciais em benefício próprio ou de seus familiares.


Escritório de Rodrigo Gonçalves Pimentel, o Pímentel, Mochi & Bento Advogados Associados.

Consequências para o sistema judiciário do estado

O impacto deste escândalo é significativo e coloca em questão a integridade do sistema judiciário de Mato Grosso do Sul. A confiança do público pode ser seriamente comprometida quando membros de um sistema que deveria zelar pela justiça são implicados em atividades criminosas. As autoridades se veem pressionadas a investigar e processar de forma transparente para tentar restabelecer a credibilidade do judiciário local.

Além das penalidades individuais que os magistrados e seus familiares possam enfrentar, há uma necessidade clara de reformas estruturais e maiores controles internos para evitar que essas práticas se repitam. A operação Ultima Ratio é um passo importante, mas um caminho incerto na luta contra a corrupção sistêmica dentro das instituições judiciais.


TJ/MS.

O que essa operação significa para o futuro do judiciário brasileiro?

Esse expressivo caso em Mato Grosso do Sul vem a ilustrar um problema maior, que desafia não apenas o estado, mas todo o judiciário brasileiro. Operações como a Ultima Ratio deixam evidente a importância de um sistema judiciário transparente e confiável, onde a corrupção e a manipulação de decisões judiciais são efetivamente combatidas.

À medida que as investigações avançam, espera-se que as lições aprendidas a partir desse episódio sirvam para fortalecer os mecanismos de controle contra a corrupção dentro do judiciário. Tal fortalecimento é crucial para garantir que a justiça prevaleça e que a população mantenha sua confiança nos sistemas que regem a lei e a ordem no país.

*Com informações do Terra Brasil Notícias

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