Publicado em 03/07/2026
Foto: Rafael Ribeiro/CBF
Por Alessandra Karoline
Com apenas 19 anos, o atacante Endrick já acumula marcas expressivas de precocidade com a camisa da Seleção Brasileira. Às vésperas do confronto decisivo contra a Noruega pelas oitavas de final da Copa do Mundo de 2026, o jovem jogador concedeu entrevista coletiva nesta quinta-feira (2) e esbanjou tranquilidade ao ser questionado sobre a ansiedade e uma possível vaga no time titular.
“Vou dormir como um bebê. Vou ficar muito tranquilo porque, antes de dormir, faço a minha oração e converso com Deus. As coisas acontecem no momento certo. Não vim aqui para viver o extraordinário, vim para mostrar quem é o Endrick”, afirmou.
O atacante destacou a excelente relação com o técnico Carlo Ancelotti, com quem já havia trabalhado no Real Madrid. Para Endrick, a chegada do treinador italiano foi o “encaixe perfeito” para o ciclo da Seleção Brasileira.
O jovem explicou que sua ausência no primeiro jogo e a entrada gradual ao longo do torneio (atuou 26 minutos contra o Haiti, 8 contra a Escócia e 46 contra o Japão) foram conduzidas com naturalidade.

O jogador relembrou que, em sua primeira temporada no Real Madrid, Ancelotti pedia paciência e o utilizava aos poucos antes de lhe dar a titularidade na Copa do Rei.
“O Mister sabe muito bem o que fazer. Ele é um dos treinadores mais vitoriosos do mundo. No último jogo, ele mexeu bem e quem fez o gol foi o Martinelli, que veio do banco. O Mister sempre faz o melhor pela equipe, não pelo Endrick ou pelo Matheus Cunha. Ele não tem medo, faz o que pensa e as coisas acontecem. Ele é iluminado”, elogiou.
Questionado sobre seu posicionamento em campo, Endrick relembrou sua passagem pelo Lyon, onde atuou como camisa 9, falso nove e aberto pela ponta direita — função que também desempenhou contra a Escócia. “Do jeito que o Mister me colocar, vou fazer de tudo para me adequar ao estilo dele e da Seleção”, pontuou.
Bastidores com Neymar e a “resenha” com Rayan
Apesar da pouca idade, Endrick já soma 20 partidas e quatro gols pela equipe principal. Ele revelou que o ambiente com os jogadores mais experientes tem sido fundamental para o seu crescimento profissional. No banco de reservas e nas horas vagas na concentração, o santista e madridista divide momentos descontraídos com o principal astro do time.
“Tenho uma relação muito boa com o Ney. A gente fica brincando depois dos treinos, jogando carta, trocando resenha. É muito importante pegar experiência com os capitães: ele, Marquinhos, Casemiro, Alisson. Sempre busquei fazer isso com o Gustavo Gómez no Palmeiras. Estar perto de pessoas inteligentes é muito bom”, relatou.
Endrick também celebrou o fato de dividir o sonho do Mundial com o amigo Rayan. Os dois se enfrentam desde as categorias de base (em torneios como a Gold Cup de 2017 e a final da Copa do Brasil Sub-17 de 2022). “A gente fica junto trocando resenha com o Igor Thiago também. Eu pude ajudar no último jogo contra o Japão e o Rayan já está na equipe titular. É uma vitória estarmos aqui com 19 anos”.

O Brasil enfrenta a Noruega no próximo domingo (5) em um tabu histórico: a Seleção Brasileira nunca venceu os escandinavos na história do confronto profissional. Endrick projetou um duelo franco e alertou para os perigos do mata-mata.
“É um grande jogo, com grandes jogadores e os dois times buscando a vitória. Agora sabemos que não tem margem para erro. No último jogo, saímos perdendo e custou para buscarmos o resultado. Agora é mata-mata: é matar ou matar”, projetou o atacante.
Fora das quatro linhas, Endrick revelou que vive a expectativa de ser pai em breve. Perguntado se pretende guardar histórias da Copa para contar ao filho, o atleta preferiu priorizar o lado humano. “Tô contando as horas para ele chegar. Quero contar histórias da minha vida para que ele conheça o Endrick pessoa, e não o jogador. Quando ele crescer, vai ver as coisas que o pai fazia em campo e espero que fique feliz”, concluiu.

