24.5 C
Rio Branco
segunda-feira, 22 de junho de 2026
O RIO BRANCO
BrasilPolítica

Em Genebra, Lula cobra investimentos de países ricos e defende nova ordem econômica após Cúpula do G7

Publicado em 18/06/2026

Foto: Ricardo Stuckert/PR

Por Alessandra Karoline

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva apresentou, nesta quarta-feira (17), um balanço de sua participação na Cúpula do G7, realizada em Évian-les-Bains, na França. Em entrevista coletiva na Suíça, o mandatário brasileiro destacou que o principal eixo dos debates foram os desequilíbrios globais e defendeu uma reformulação nas relações comerciais entre as nações desenvolvidas e o Sul Global.

A cidade de Évian-les-Bains carrega um histórico simbólico para a diplomacia brasileira: em 2003, no seu primeiro mandato, Lula tornou-se o primeiro presidente do Brasil a comparecer a uma cúpula do grupo (à época, G8) no mesmo local.

Um dos pontos centrais do discurso do presidente foi a exploração de terras raras e minerais críticos. Lula sinalizou abertura para parcerias com o capital estrangeiro, mas impôs como condição inegociável a industrialização e a agregação de valor dentro dos países detentores das reservas, de modo a evitar a repetição de modelos coloniais de exploração.

Lula cobrou uma postura ativa das potências industrializadas na criação de novos mercados consumidores em regiões como a América Latina, África, Índia e China. Para o presidente, o crescimento econômico sustentável depende de geração de emprego e distribuição de renda a nível global.

No âmbito digital, o petista levou ao fórum internacional as iniciativas recentes do Brasil voltadas à proteção de menores, citando a proibição do uso de telefones celulares em escolas e o chamado “ECA digital”, voltado à regulação do ambiente virtual para jovens e adolescentes.

Brasil endossa três declarações conjuntas do bloco

Ao término da cúpula, que contou com três sessões de debates focadas em solidariedade internacional, crescimento compartilhado e o uso seguro da Inteligência Artificial, o G7 emitiu oito declarações conjuntas. De acordo com o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, o Brasil endossou formalmente três desses textos:

Segurança digital para menores: Alinhada aos debates legislativos em curso no Brasil.

Combate ao câncer: Cooperação internacional na área da saúde.

Combate ao narcotráfico: Considerada pauta prioritária e de segurança regional para o governo brasileiro.

Agenda bilateral e avanços comerciais com Japão e EFTA

Paralelamente às reuniões do bloco, Lula cumpriu uma intensa agenda de encontros bilaterais com lideranças como Emmanuel Macron (França), Volodymyr Zelensky (Ucrânia), Abdel Fattah El-Sisi (Egito), além de representantes da União Europeia.

O chanceler Mauro Vieira destacou como ponto alto o encontro com a primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi, onde ficou acertado o lançamento oficial das negociações para um acordo comercial entre o Japão e o Mercosul, previsto para o próximo dia 30 de junho, em Assunção, no Paraguai.

Outro avanço comemorado pela comitiva brasileira foi o andamento do acordo de livre comércio entre o Mercosul e o EFTA (bloco composto por Suíça, Noruega, Islândia e Liechtenstein). Na mesma tarde em que Lula cumpria agenda oficial, o Legislativo Suíço aprovou o tratado por ampla maioria. No Brasil, o texto foi aprovado pela Câmara dos Deputados na semana passada e segue em tramitação acelerada no Senado Federal.

Compartilhe:

Artigos Relacionados

Fux defende ajuste imediato nas regras do mercado de apostas online

Marcio Nunes

Câmara vota proposta que amplia possibilidade de saque do FGTS

Marcio Nunes

Congresso se reaproxima do governo e desloca crise para o Judiciário após operações

Raimundo Souza

Governo Lula anuncia bloqueio dos recursos financeiros de bets ilegais

Vitória Lopes

Datafolha: 51% aprovam prisão domiciliar de Bolsonaro e 53%, ações de Moraes

Kevin Souza

Lula cobra PT em festa, diz que política apodreceu e que partido não pode ir para a vala comum

Raimundo Souza