Publicado em 17/06/2026
Foto: Alissson Oliveira/Secom
Por Redação
O desabamento da ponte Frei Paolino Baldassari, ocorrido no último dia 5 de junho em Sena Madureira, extrapolou os limites do isolamento geográfico e provocou um forte abalo na articulação política do Palácio Rio Branco. Em uma manobra que expôs a fragilidade e a falta de coesão da base governista na Assembleia Legislativa do Acre (Aleac), o deputado de oposição Edvaldo Magalhães (PCdoB) conseguiu articular a criação de uma Comissão de Representação Externa para fiscalizar as investigações do episódio.
A conquista de nove assinaturas — uma a mais do que o terço exigido de 24 parlamentares — representou uma dura derrota para os articuladores da gestão da governadora Mailza Assis. Mesmo detendo, teoricamente, ampla maioria no parlamento, o Poder Executivo assistiu à oposição ditar o ritmo da pauta fiscalizatória diante daquela que já é considerada a maior crise infraestrutural da história recente do Estado.
Diferente de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), que demanda votação majoritária e maior blindagem governista para ser barrada, a Comissão de Representação Externa possui rito sumário. O mecanismo é assegurado pelo Artigo 32 do Regimento Interno da Aleac (Resolução nº 86/1990).
Com o Requerimento nº 54/2026 devidamente protocolado, a instalação é imediata, dispensando a votação em plenário. O procedimento encontra respaldo, inclusive, em jurisprudência pacificada do Supremo Tribunal Federal (STF), que garante o direito das minorias parlamentares.
A atuação do colegiado seguirá critérios específicos:
Proporcionalidade Partidária: A composição dos membros deve respeitar o peso de cada bancada na Casa, embora a liderança e a relatoria fiquem politicamente atreladas ao bloco proponente.
Finalidade Estrita: O foco será exclusivo no acompanhamento das perícias técnicas. Na prática, o governo estadual terá de lidar com parlamentares independentes e de oposição fiscalizando diretamente órgãos sensíveis, como o Departamento de Estradas de Rodagem do Acre (Deracre).
Indícios de falhas na obra e racha na base governista
O cerne do requerimento que deu origem à comissão é incisivo. O documento aponta que “há fortes indícios de que o anteprojeto apresentado pelo Deracre não foi seguido pela Construtora Cidade, responsável pela obra”.
O movimento político ganhou tração justamente por atrair parlamentares que caminham com o Palácio Rio Branco. Dos nove deputados que assinaram o pedido, quatro integram a base de sustentação do governo e, nos bastidores, são vistos como alvos de uma contraofensiva do Executivo, que tenta demovê-los da ideia para esvaziar a força política do bloco.
Confira a lista dos deputados que assinaram o Requerimento nº 54/2026:
Edvaldo Magalhães (PCdoB)
Eduardo Ribeiro (Republicanos)
Tadeu Hassem (Republicanos)
Michele Melo (União Brasil)
Antônia Sales (MDB)
Adailton Cruz (União Brasil)
Gene Diniz (Republicanos)
Fagner Calegário (União Brasil)
Emerson Jarude (Novo)
Nos próximos dias, a Mesa Diretora da Aleac deve formalizar os nomes que irão compor a comissão, dando início oficial às vistorias e oitivas sobre o colapso da estrutura em Sena Madureira.

