Publicado em 10/06/2026
Foto: Reprodução
Por Redação
O deputado estadual Edvaldo Magalhães (PCdoB) defendeu, nesta quinta-feira (10), a criação de uma comissão de representação da Assembleia Legislativa do Acre (Aleac) para acompanhar as investigações sobre o desabamento da Ponte Frei Paolino Baldassari, em Sena Madureira. Em pronunciamento na tribuna, o parlamentar levantou suspeitas sobre a execução do projeto e questionou o custo final do empreendimento, que ultrapassou R$ 45 milhões após aditivos contratuais — um valor 25% superior ao originalmente pactuado.
Magalhães anunciou que apresentará um requerimento para formalizar a comissão externa nos moldes do Regimento Interno da Casa, sugerindo que um membro da Mesa Diretora presida os trabalhos. “Não vou nem propor CPI porque sei que ela vai nascer morta. Mas quero propor um instrumento legislativo razoável que permita a esta Assembleia acompanhar esse processo de apuração dos fatos”, justificou o deputado.
O objetivo do grupo será acompanhar de perto os inquéritos e perícias conduzidos pelo Ministério Público do Acre (MPAC), Tribunal de Contas do Estado (TCE-AC), Polícia Civil e eventuais investigações da Polícia Federal.
Durante o discurso, o parlamentar sugeriu que as investigações avaliem minuciosamente se houve redução de materiais ou alterações estruturais na transição do projeto original para a execução na margem do rio.
Para embasar seu argumento, Magalhães comparou o colapso à Ponte da Amizade, localizada na BR-364 sobre o Rio Iaco, que foi erguida pela mesma empreiteira. Segundo ele, a estrutura da rodovia federal resistiu a severas movimentações de terra sem comprometer sua sustentação principal.
“Na outra ponte, o maciço se moveu, mas as colunas não caíram e o tablado não caiu. Nesta [Frei Paolino], bastou a movimentação do barranco para quebrar tudo e jogar a estrutura dentro do rio. O projeto básico apontava determinadas características para as colunas. O que foi executado precisa ser analisado”, apontou o comunista, cobrando respostas transparentes para a sociedade acreana.
O desabamento da estrutura deixou quatro pessoas feridas. Entre as vítimas mais graves está o juiz aposentado Edinaldo Muniz, que permanece internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) em Rio Branco. De acordo com o último boletim da Secretaria de Estado de Saúde (Sesacre), o magistrado está consciente e apresenta quadro clínico estável. Seu irmão, Edinei Muniz, que também foi atingido no acidente, recebeu alta médica no início desta semana.
O outro lado: Governo e Construtora buscam causas
Enquanto o Ministério Público lidera a apuração jurídica do caso, o governo do Estado do Acre informou que iniciou os trâmites legais para apurar as responsabilidades administrativas do episódio. Técnicos do Departamento de Estradas de Rodagem do Acre (Deracre) e da Construtora Cidade realizam estudos geotécnicos em conjunto para mapear os fatores que provocaram o colapso.
Em nota, a Construtora Cidade refutou falhas de engenharia e sustentou que a edificação seguiu rigorosamente todas as normas técnicas vigentes. A empresa atribuiu o desastre a um fenômeno natural severo de deslizamento de encostas, conhecido regionalmente como “terras caídas”. A empreiteira alegou ainda que, ao detectar os primeiros sinais de instabilidade no solo, recomendou formalmente ao Deracre a interdição total do tráfego na ponte um dia antes do desabamento.

