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Alerta no mercado: Classificação de PCC e CV como terroristas pelos EUA ameaça economia do Brasil

Publicado em 30/05/2026

Foto: Reprodução/Rede Social

Por Redação

A recente decisão do governo dos Estados Unidos de classificar as maiores facções criminosas do Brasil — o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) — como organizações terroristas acendeu um sinal de alerta de proporções globais. Embora os impactos reais ainda estejam sendo mensurados, especialistas e investigadores alertam que a medida possui o potencial de provocar sanções econômicas graves e desestabilizar setores estratégicos do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro, como o agronegócio e o sistema bancário.

O grande risco para o país reside no fato de que o crime organizado tem utilizado o sistema financeiro nacional e a economia formal para lavar dinheiro, misturando recursos ilícitos em cadeias produtivas legítimas.

O peso das listas americanas

As facções brasileiras foram incluídas em duas categorias de alta restrição pelos EUA: a de Terroristas Globais Especialmente Designados (SDGTs, na sigla em inglês) e a de Organizações Terroristas Estrangeiras (FTOs).

De acordo com Thiago Rodrigues, professor de Relações Internacionais na Universidade Federal Fluminense (UFF) e pesquisador do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, enquanto a primeira lista foca em congelar ativos dentro do território americano, a segunda tem um alcance extraterritorial agressivo.

Na prática, qualquer empresário, banqueiro ou político estrangeiro que fizer negócios com empresas usadas pelo crime organizado para lavagem de dinheiro poderá ser alvo da justiça americana, mesmo que nunca tenha pisado nos EUA.

O fantasma da Operação Carbono Oculto

Um exemplo claro dessa contaminação econômica é a Operação Carbono Oculto, deflagrada pela Polícia Federal em agosto de 2025 com desdobramentos que se estendem ao longo de 2026. A investigação mira a infiltração do PCC no coração financeiro do país, na Avenida Faria Lima, em São Paulo.

O esquema revelou que fintechs utilizavam “contas-bolsões” em grandes bancos para misturar dinheiro limpo ao faturamento de postos de combustíveis controlados pela facção. Esses recursos eram posteriormente aplicados em fundos de investimento legítimos.

Setores sob risco e a reação dos bancos

Por se tratar da sétima maior economia do mundo e um sistema integrado complexo, o Brasil está muito mais exposto a esse tipo de medida do que países isolados internacionalmente. Especialistas apontam que o impacto pode atingir:

Agronegócio: Exportadores que utilizarem transportadoras ou intermediários financiados pelo crime organizado.

Turismo: Operações de câmbio e redes hoteleiras no Rio de Janeiro e capitais com forte presença do CV.

Setor de Tecnologia e Bolsa de Valores: Empresas que recebam aportes de fundos sob suspeita.

Por outro lado, o setor bancário tenta conter o alarmismo. Um representante de um grande banco brasileiro, ouvido reservadamente, minimizou os riscos de sanções generalizadas, afirmando que as principais instituições do país possuem programas robustos de compliance (conformidade) e prevenção à lavagem de dinheiro. Segundo a fonte, o impacto real deve se concentrar em fintechs de menor porte que operam fora das regras rígidas de fiscalização. O Banco Central também vem intensificando as normas de rastreamento para fechar o cerco à origem dos recursos.

Estratégia de Washington

A inclusão de grupos criminosos latino-americanos na lista de terrorismo reflete uma diretriz que ganhou força com o retorno de Donald Trump à Casa Branca em 2025. Logo no início de seu mandato, Trump assinou uma ordem executiva ordenando o Departamento de Estado a enquadrar grandes cartéis e gangues — como o de Sinaloa (México) e o Trem de Arágua (Venezuela) — sob as leis antiterrorismo.

Para o professor Thiago Rodrigues, a medida tem um forte teor geopolítico. Como a presença física do PCC nos EUA é considerada irrelevante por pesquisadores, o objetivo da Casa Branca é político. “Essa nova lista coloca esses grupos na narrativa da ‘guerra contra o terrorismo’, um inimigo perigoso que justifica interferências nos sistemas políticos e jurídicos de outros países”, conclui.

FONTE: G1

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