Publicado em 01/02/2026
Imagem: Reprodução do Instagram
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RIO BRANCO – A floresta não é apenas um conjunto de árvores ou um depósito de recursos naturais; ela é um organismo vivo que pulsa. No Acre, essa pulsação tem ritmo, voz e nome. Sob o dossel das árvores gigantescas, vivem os verdadeiros guardiões do bioma: os povos originários, cujas trajetórias se confundem com a própria história da terra.
Para esses povos, a preservação ambiental não é um conceito teórico ou uma meta de sustentabilidade de gabinete. É uma questão de sobrevivência e identidade. Valorizar essa cultura é entender que o futuro do planeta está intrinsecamente ligado ao respeito às raízes daqueles que tratam a floresta como mãe e farmácia, escola e santuário.
Foto: Cleiton Lopes -Secom
Saberes que Atravessam Gerações
Caminhar por uma aldeia no interior do Acre é mergulhar em um universo de conhecimentos milenares. A relação entre o homem e a natureza é regida por uma delicada harmonia. Cada planta tem um propósito, cada animal carrega um simbolismo e cada rio conta uma história.
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Medicina da Floresta: O conhecimento sobre ervas, raízes e rituais de cura que a ciência ocidental ainda tenta catalogar.
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Gestão Territorial: Técnicas de manejo que garantem a regeneração da mata enquanto provêm o sustento.
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Espiritualidade: Uma conexão profunda onde a floresta é habitada pelo Espírito de Deus que emana energias que exigem respeito e equilíbrio.
“A floresta é nossa vida. Sem ela, o povo adoece e a memória morre. Nós não somos donos da terra, nós somos parte dela”, afirma uma liderança indígena local.
Foto: Cleiton Lopes -Secom
Resistência e Identidade
A história dos povos do Acre é marcada por uma resiliência inabalável. Diante das pressões do desmatamento, do agronegócio predatório e da invasão de terras, as comunidades mantêm erguidos seus costumes e línguas. Essa resistência não é apenas política; é cultural. Ela se manifesta no grafismo corporal, no artesanato de sementes, nos cantos ancestrais e na forma como as novas gerações são ensinadas a amar o chão onde pisam.
Reconhecer essa luta é fundamental para qualquer projeto de futuro. A identidade acreana está profundamente enraizada na herança indígena, e ignorar essa base é desmoronar a estrutura da própria sociedade regional.
Foto: Cleiton Lopes -Secom
O Futuro Nasce das Raízes
O debate sobre as mudanças climáticas coloca o Acre no centro do mundo. No entanto, a solução para a crise ambiental pode estar menos em tecnologias complexas e mais na escuta ativa dessas comunidades. Os povos originários são os detentores das chaves para uma convivência pacífica e duradoura com o ecossistema.
O amor pela floresta, passado de geração em geração, é o que sustenta a vida no presente e garante o ar que respiraremos amanhã. Proteger o território indígena é, em última análise, proteger a humanidade.
Veja o vídeo | Instagram do governo do Acre
Vídeo: Uma reprodução | Agência de Notícias do Acre




