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terça-feira, 17 de março de 2026
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Publicado em 17/03/2026

Os fugitivos partidários, com ou sem mandato, descaradamente irão fugir pela tal “janela”. Uma democracia, a exemplo da nossa, permite que os detentores de mandatos eletivos troquem o partido pelo qual haviam sido eleitos faltando apenas seis meses para as próximas eleições. Assim sendo, democraticamente, temos muito pouco e, de anárquico, o bastante; até porque nada mais poderá fragilizar uma democracia do que permitir e legalizar uma excrescência como a nossa “janela partidária”.

Pior ainda: os nossos partidos políticos são financiados com recursos públicos. Daí as suas exageradas quantidades e suas baixíssimas qualidades. Portanto, haja dinheiro para atender aos seus mais diversos e espúrios interesses, entre eles, a se destacar, a nossa corrupção eleitoral.

A nossa democracia tem nos feito crer que é a corrupção que faz um partido político crescer e se agigantar, a despeito dos reveses que possam acontecer, a exemplo do que está acontecendo com o PSDB, presentemente apequenando-se e em vias de desaparecer, justamente pela escassez de recursos para financiá-lo. Em contrapartida, o PL dos bolsonaristas e o PT dos lulistas dispõem de milhões e milhões de reais para competirem no nosso mercantilizado mercado eleitoral.

Para tanto, basta que avaliemos a corrupção que vem rolando em razão das apelidadas emendas parlamentares aos nossos orçamentos públicos: uma flagrante imoralidade, porém legalizada. Nas eleições deste ano, apenas no decorrer dos seus atuais mandatos, os nossos deputados federais e senadores dispuseram, anualmente, de R$ 50 milhões e, no decorrer dos últimos quatro anos, nada menos de R$ 200 milhões para se financiarem e bancarem suas reeleições.

E o mais grave: em seus discursos, tanto na tribuna da nossa Câmara dos Deputados quanto na do nosso Senado Federal, em razão da nossa polarização política, os nossos dois polos, reciprocamente, não param de se denunciar, como se estivessem à vontade para fazer suas hipotéticas delações premiadas.

Das duas, uma: ou a nossa legislação eleitoral será mudada, de sorte a evitar não apenas o surgimento de novos partidos, como também a morte de alguns outros, ou a nossa democracia continuará rumo ao desastre, tendo como causa a sua própria desmoralização.

Ao final do próximo mês de abril, quando a tal janela partidária for fechada, por baixo uma centena de candidatos estarão estreando em seus novos partidos e alguns dos eleitos nas eleições passadas estarão amargando suas merecidas derrotas. Se o ex-presidente Jair Bolsonaro e o renomado Ciro Gomes já foram filiados a dez partidos políticos distintos, estão aí dois dos piores exemplos.

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