Publicado em 03/02/2026
Quando me expresso, não raramente, maltrato o meu pobre português.
Como não sou suficientemente letrado, volta e meia, cometo alguns erros quando me expresso, por escrito e/ou verbalmente. Mas a minha maior preocupação é me fazer entendido. Portanto e de antemão, peço desculpas aos que me consideram um tanto desrespeitoso com a Última Flor do Lácio, a metáfora que o poeta Olavo Bilac atribuiu a nossa língua portuguesa. O próprio também a considerava como inculta e bela.
Como cometo alguns erros em algumas das minhas exposições, sobretudo, nas minhas conjugações e conjunção verbais, volto a repetir: sempre busco ser o mais compreensível possível.
Entretanto, em se tratando do nosso sistema político, partidário e eleitoral, em nenhum outro país do mundo vamos encontrar nada tão disfuncional. E o pior: sempre que algumas reformas legais foram procedidas os resultados finais só fizeram piorá-la.
Nos cemitérios onde se encontram enterrados os cadáveres de mais de uma centena dos nossos partidos políticos e as maternidades onde os mesmos foram e continuam sendo criados, têm sido as causas determinantes da nossa frágil e disfuncional estrutura partidária.
Sem pedir desculpas a ninguém, afirmo: no nosso país é bem mais fácil um sujeito se casar com uma prostituta e ela vir se comportar com fidelidade do que confiar na fidelidade dos nossos agentes políticos, em particular, daqueles que se elegeram graças à legenda de um determinado partido e o abandona no curso do próprio mandato.
Visando as eleições deste ano, entre os dias 6 de março e 5 de abril será aberta uma tal janela partidária, através da qual, os detentores de mandatos eletivos podem trocar de partido para se candidatarem nas eleições que ocorrerão no dia 04 de outubro. A esta excrescência deram o apelido de janela. Por que janela e não porta? Porque são através das janelas que os fugitivos costumam se evadirem.
Ciro Gomes e Jair Bolsonaro dois dos mais notáveis medalhões da nossa atividade política, no quesito fidelidade, seja conjugal e/ou partidária, já demonstraram que são capazes de relativizá-los, desde que isto venha lhes interessar.
Nas democracias que se prezam e que se dão a respeito, quando o detentor de um mandato eletivo troca de partido, antes de qualquer coisa, trai os seus próprios eleitores.
Por último: ou a nossa legislação político, partidária e eleitoral é lançada na lixeira de nossa história ou a nossa democracia continuará ao sabor dos espertalhões e fujões que ao invés de agir em nome e em prol da nossa nobilíssima atividade política priorizam os seus próprios interesses.

