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Procissão do Círio arrasta pagadores de promessa e peregrinos, em ápice da festa de 2 milhões em Belém

Publicado em 12/10/2025

Procissão que leva o nome de Círio tem previsão de chegada à Basílica Santuário de Nazaré ao fim da manhã deste domingo (12) – Vinicius Sassine/Folhapress

  • Romaria deste domingo (12) é o ponto alto de extenso calendário que mobiliza devotos de Nossa Senhora de Nazaré

  • Evento tem atos culturais espalhados, não necessariamente religiosos, e procissões prosseguem até fim de outubro

Por Vinicius Sassine da Folha de (São Paulo)
Belém

Peregrinos cruzaram dezenas de quilômetros até alcançarem Belém, com pés enfaixados e machucados. Mulheres pagaram promessas com longos percursos nas ruas feitos de joelhos, antes da trasladação, que reuniu uma multidão de promesseiros agarrados a uma corda. Manifestações culturais pontilharam os quatro cantos da cidade, com atos profanos e religiosos.

Tudo isso já existiu antes do grande ato do Círio de Nazaré: a procissão da Catedral de Belém, na Cidade Velha, até a basílica, em que uma multidão de devotos –naquela que é considerada a maior procissão católica do mundo, com um envolvimento total de 2 milhões de pessoas, segundo a Igreja Católica– acompanha a imagem peregrina de Nossa Senhora de Nazaré.

Às 7h30 deste domingo (12), teve início a procissão que leva o nome de Círio, com previsão de chegada à Basílica Santuário de Nazaré ao fim da manhã. O percurso é de 3,6 quilômetros.

O percurso do Círio tem muita música, aperto e fé. As ruas da cidade custam a comportar tanta gente.

O mais impressionante está no centro das vias por onde passa a procissão. Um batalhão de homens jovens e exaustos segue agarrados à corda ligada à berlinda que encapsula a imagem de Nossa Senhora de Nazaré.

São, essencialmente, pagadores de promessa, feita para o alcance de alguma graça.

Quem está no entorno da corda distribui e joga água nos devotos.

Ao fim, ou mesmo durante o percurso para alguns, essa corda será repartida. Por isso tanta gente disputa um espaço na corda desde a madrugada.

Devotos na corda, na avenida Presidente Vargas; alguns passam mal e são carregados em macas por voluntários – Vinicius Sassine/Folhapress

O grande ato, porém, é um componente do que é o Círio como um todo. Até a chegada do momento em que a imagem de Nossa Senhora de Nazaré retorna à basílica, acompanhada por uma multidão, muita coisa já se passou em Belém e no entorno da capital do Pará.

Nas horas que antecederam a saída da procissão, homens e mulheres guardaram espaços junto à corda feita com fibra amazônica, acoplada à berlinda com a imagem, basicamente para pagarem uma promessa. No pelotão da corda, existem pessoas que são apenas devotos, mas o mais comum é que sejam promesseiros, fiéis que atribuem à santa o alcance de uma graça.

Um pouco antes na linha do tempo, e outra vez a corda teve um papel fundamental nesse conjunto de atos que é o Círio: ela já foi estendida na trasladação, que é o caminho inverso feito pela imagem, da basílica à Catedral. A trasladação é feita no sábado à noite. O Círio, nas primeiras horas do domingo.

O início dessas duas procissões é marcado por muito barulho, euforia e cânticos religiosos. Logo essa atmosfera é tomada por correria, com a passagem de homens e mulheres carregados em macas conduzidas por voluntários. São pessoas que não suportam o próprio autoflagelo, e precisam ser retiradas da multidão para atendimento médico.

A passagem das macas ganha contornos de normalidade, até pela recorrência. No Círio, o agradecimento está associado à dor, ao sacrifício e à devoção.

Nas horas que antecederam a trasladação, por exemplo, um grupo de mulheres percorria as ruas de joelhos, acompanhadas por outros devotos que dão suporte com água, sombra improvisada e papelão estendido no asfalto, para alívio da dor.

Essas mulheres pagam promessas feitas, a exemplo de outros devotos. Muitas vezes, um cartaz ajuda a entender o que significa aquele ato: é um agradecimento pelo ingresso na universidade, pela saúde do filho, pela saída de uma avó da UTI de um hospital. Outros fiéis carregam um canudo de formatura, a réplica de uma casa ou outro objeto simbólico que denota uma conquista pessoal.

Ao todo, o Círio de Nazaré tem 14 procissões. A imagem peregrina por diferentes pontos da cidade, para fora da cidade e pela água, na romaria fluvial feita na manhã de sábado, na baía que contorna Belém.

Patrimônio cultural da humanidade, declarado pela Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura), o Círio envolve shows, festas e manifestações culturais diversas, de cunho essencialmente não religioso –embora tudo esteja misturado, de certa forma.

Um desses atos é o Auto do Círio, realizado na sexta (10) por artistas ligados à UFPA (Universidade Federal do Pará), com cortejo e paradas em palcos dispostos em diferentes pontos do centro histórico. Acompanham o cortejo grupo de umbanda, ciganos, palhaços e drag queens.

Também tem um arrastão do Arraial do Pavulagem, feito no sábado. Pavulagem é outra tradição cultural de Belém, também patrimônio da cidade, com um ritmo próprio e boi-bumbá. O arraial de junho arrasta uma multidão também no Círio.

No calendário religioso, o Círio não acaba no momento em que a imagem de Nossa Senhora de Nazaré chega à basílica após a procissão de domingo. Tem romaria agendada até o fim do mês, e uma missa de encerramento marcada para o dia 26.

A festa católica homenageia Nossa Senhora de Nazaré há 233 anos. Conforme a tradição, foi na região da basílica que foi encontrada uma imagem da santa, em 1700. Em 1793, diante do aumento da devoção, os paraenses fizeram a primeira procissão em homenagem à padroeira do estado.

Cerca de 27 mil pessoas estão envolvidas na segurança e suporte aos fiéis, segundo a organização. São militares das Forças Armadas, servidores de governos das três esferas e uma “guarda de Nazaré”, com 3.000 homens voluntários.

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