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domingo, 22 de fevereiro de 2026
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Privatizações, ferrovias e presídios: o que Flávio Bolsonaro já propôs em 8 áreas

Publicado em 22/02/2026

Pré-candidato à Presidência já anunciou propostas que pretende implementar no País caso seja eleito em outubro Foto: Wilton Junior/Estadão

Pré-candidato à Presidência já citou propostas para economia, segurança, infraestrutura e relações exteriores, sem detalhes

Por Naomi Matsui (Broadcast) | Estadão

Flávio Bolsonaro é mais difícil de derrotar que Tarcísio, diz João Paulo Cunha, conselheiro de Lula

Conselheiro de Lula e ex-presidente da Câmara aponta atraso do partido em buscar alianças ao centro e defende cautela em investigações do Banco Master. Crédito: Bianca Gomes | Estadão

BRASÍLIA – O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência, tem antecipado uma série de propostas que pretende executar caso eleito em outubro. As principais são na economia, mas o parlamentar também já sinalizou algumas pretensões em áreas como segurança pública, infraestrutura e relações exteriores, ainda que sem detalhes.

Uma análise compilada realizada pelo Estadão/Broadcast não identificou propostas relevantes para saúde pública, energia e meio ambiente.

Sem equipe anunciada, Flávio afirma que prepara um plano de governo que seguirá majoritariamente a linha da gestão de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Para isso, conta com colaborações como as do senador Rogério Marinho (PL-RN), do economista Adolfo Sachsida e do empresário Filipe Sabará.

Leia as principais propostas já anunciadas por Flávio Bolsonaro por meio de discursos e entrevistas:

1- Economia

Corte de gastos: Flávio manifesta a intenção de promover um “tesouraço” de gastos públicos e impostos, mas não detalha o que será feito. “Não dá para falar isso aqui agora, porque é um emaranhado de impostos, é um castelo de cartas. Se você quiser tirar um imposto, você tira uma carta, vai desabar do outro lado”, disse.

Privatizações: O senador defende a privatização de estatais e menciona com frequência os maus resultados dos Correios. “Sou muito favorável a privatizações. Uma gestão privada sempre tende a ser uma gestão focada no resultado, na qualidade do serviço prestado, mas também a gente não pode falar: ‘vamos privatizar tudo’. Tem que ver caso a caso”, afirmou.

Digitalização: O senador também cita a digitalização da estrutura estatal e econômica. “Se conseguirmos concentrar tudo isso de forma moderna e digitalizada, não tenho dúvida de que vai chover investimento aqui”, destacou.

Reformas: Flávio menciona, de forma genérica, a necessidade de realização de reformas. “Tem que fazer muitas reformas. Tem a reforma administrativa, tem a reforma eleitoral. A gente tem que revisitar a reforma tributária que foi feita.” O senador diz que trabalhará por um Estado mais enxuto, pela redução da burocracia e para melhorar o ambiente de negócios.

Revisão da reforma tributária: O parlamentar se diz a favor de uma revisão da reforma tributária. “A reforma tributária que aconteceu virou uma bagunça ainda maior. Profissionais liberais vão pagar tributos como nunca antes na sua vida”, disse.

Redução de ministérios: Sem dizer explicitamente que cortará ministérios, o senador criticou o atual número de pastas no governo Lula: “São 38 ministérios. Fico imaginando uma reunião do presidente da República com todos os seus ministros. Você não consegue cobrar resultado, você não consegue cobrar meta, você não consegue discutir projetos bons para a população”.

2 – Infraestrutura

Interligação ferroviária: “Se você pegar as nossas ferrovias brasileiras, nós temos basicamente um escoamento de toda a nossa produção para o litoral, mas não há uma interconexão da Região Centro-Oeste com os portos da Região Norte e Nordeste de uma forma direta. O presidente Bolsonaro inovou mais uma vez ao permitir a possibilidade de que projetos possam ser passados pela iniciativa privada pelo modelo de autorização”, afirmou.

Autorização para setor privado: O parlamentar defende uma maior participação de empresas na operação do setor ferroviário. “O investidor privado bota o dinheiro, faz com que o projeto que seja viável, constrói uma ferrovia e pode explorá-la por 50 anos.” Segundo ele, a participação envolveria investidores de outros países. “Essa mentalidade do setor privado, na questão das relações internacionais, seria bastante útil”, disse.

3 – Relações Exteriores

Pragmatismo: Na semana passada, o senador disse que, caso eleito, adotará uma atitude pragmática nas relações com os outros países. “Trump defende os interesses do povo americano. É o que pretendo fazer aqui mesmo. Quando for para qualquer mesa de negociação para fora, não tem subordinação, submissão, nada”, afirmou, mencionando o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

Alinhamento com Israel: Flávio defende um alinhamento com Israel. “Israel está na linha de frente da democracia contra a barbárie. Deixe-me dizer isso claramente, o Brasil deve estar com Israel, com os judeus, com as democracias que lutam contra o terror”, afirmou.

Ajuda de Eduardo Bolsonaro: Flávio mencionou que usará os contatos do irmão Eduardo Bolsonaro (PL-SP) no exterior. “Imagina o Flávio Bolsonaro presidente da República tendo alguém que, pelo mundo, possa trazer investimentos para o Brasil, que esteja ele falando em nome do presidente da República, de mesmo sobrenome. Não conheço ninguém no Brasil que reúna essas mesmas qualidades”, disse sobre o irmão.

4 – Segurança Pública

Construção de presídios: Flávio diz que uma de suas medidas na segurança pública será investir na construção de presídios. “Tem que construir presídio para caramba. (Falam) ‘Tem que construir mais escola e menos presídio’. Concordo, mas o que precisa agora é presídio, porque essas pessoas precisam ficar presas, até para a molecada poder estudar em paz”, declarou.

Endurecimento penal: “Vamos botar no papel, no plano de governo, é arregaçar esses marginais. É para ficar preso, mofar na cadeia, cumprindo a Lei de Execuções Penais, mas ficar lá agarrado”, disse.

Combate a organizações criminosas: O senador já afirmou que uma de suas prioridades é recuperar os territórios controlados pelo crime organizado. “No Brasil, a gente tem que começar a resgatar os territórios que hoje são dominados por organizações narcomilicianas, narcoterroristas”, afirmou.

Flexibilização do porte de armas: Flávio Bolsonaro compartilhou publicação em que defendeu a flexibilização do porte e posse de armas de fogo. A publicação é do instrutor de tiro Bene Barbosa e foi republicada por Flávio. “De todos os possíveis candidatos, o @flaviobolsonaro é o único que sempre teve uma posição muito clara sobre isso: favorável à posse e ao porte de armas”, afirmou Bene Barbosa em seu perfil no Instagram.

5 – Educação

Qualificação em tecnologia: O senador cita o mercado de tecnologia e de inteligência artificial como uma forma de reduzir a dependência da população de programas assistenciais. “O Brasil tem mais de 800 mil vagas ociosas para quem quer trabalhar, por exemplo, com inteligência artificial, tecnologia da informação. Por quê? Porque não tem qualificação. As pessoas não sabem trabalhar com isso. Por que, em vez de você ficar vendendo, se aproveitando da miséria das pessoas, você não usa para qualificar essas pessoas?”, questionou.

6 – Assistência Social

Bolsa Família: O senador sinalizou a intenção de manter programas assistenciais: “Programas como o Bolsa Família vão ser mantidos, e as pessoas que precisarem do Estado, vamos abraçar essas pessoas”. Segundo ele, porém, é necessário criar caminhos para reduzir a dependência desses programas.

7 – Política

Fim da reeleição presidencial: O senador já defendeu uma reforma política, com fim da reeleição para presidente. Segundo ele, a duração dos mandatos deve ser definida depois. “É saudável para nosso país. Faço esse compromisso público de que serei contra a reeleição”, disse.

Financiamento privado de campanha: Flávio se mostrou favorável à redução do Fundo Eleitoral, usado para irrigar as candidaturas, e à volta do financiamento de empresas nas campanhas. “Por que tem um financiamento público desse tamanho? Há hipocrisia no Brasil de que empresa não pode doar dinheiro para candidato. Na prática, os caras dão dinheiro por fora”, afirmou.

Articulação política: Diferentemente de Jair Bolsonaro, Flávio iniciou sua campanha defendendo alianças com o Centrão para sustentação política e disse que não adianta conquistar a presidência se não tiver apoio no Congresso. “Tem (oportunistas no Centrão, mas), a gente é muito realista. Tenho a consciência de que, sozinhos, não chegamos em lugar nenhum. No Congresso, tem de tudo. Não é o ideal, mas é o que tem. Então, não tem nenhum sentido dispensar pessoas ou partidos do Centrão”, afirmou.

8 – Comunicação de governo

Aumento de publicidade: O senador disse que, se eleito, investirá mais em publicidade estatal do que o pai, que apostou na comunicação via redes sociais. “Sou da linha que a gente tem que investir em publicidade, porque as pessoas precisam saber o que o governo está fazendo. Eu falava isso com meu pai. Eu falava assim: ‘Pai, até a Coca-Cola, a marca mais consolidada no mundo, investe pesado em publicidade’”, disse.

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