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O RIO BRANCO
Política

No STF, Bolsonaro foi do tédio à celebração e indicou medo de envenenamento

Publicado em 30/03/2025

Julgamento da Primeira Turma do STF sobre Golpe de Estado (Antonio Augusto/STF)

Ex-presidente compareceu de surpresa ao primeiro dia de julgamento do processo que o investiga por golpe de Estado

A presença surpresa de Jair Bolsonaro durante o primeiro dia de julgamento no plenário
da 1ª Turma do Supremo Tribunal Federal (STF), na última terça-feira, 25, rendeu
algumas cenas inusitadas. Sentado na primeira fileira e ao lado de seus advogados, o expresidente expressou diferentes reações – do cansaço durante as falas de ministros ao
elogio aos ataques feitos por advogados ao processo, passando pela recusa a tomar a
água disponibilizada pela Corte durante a sessão.

O comparecimento do ex-presidente leva adiante a estratégia de partir para o front,
intensificar aparições públicas e mobilizar seus apoiadores – além de, claro, gerar
barulho. Do lado de fora, parlamentares aliados espernearam após chegar atrasados e
não conseguir entrar de imediato na sessão, o que gerou uma correria de seguranças
dentro e fora do plenário.

Um advogado chegou a ser preso por desacato após reagir aos gritos ao ver que seu
nome não constava na lista de credenciados – o cliente dele, o ex-assessor Filipe
Martins, não seria julgado naquele dia. Como mostrou VEJA, após a série de tumultos,
a administração do Supremo decidiu cobrir com uma película as portas de vidro que dão
acesso ao plenário. Lá dentro, o senador Jorge Seif levou um pito de uma segurança por
tirar uma foto, o que é proibido, e foi obrigado a mostrar o celular e apagar a imagem.

Frente a frente com seus principais algozes, Bolsonaro optou por não dar nenhuma
declaração. Na sessão, ele intercalava entre prestar atenção às declarações dos
ministros, mexer no celular, cochichar com advogados e demonstrar sinais de cansaço ou
até de tédio – foram mais de 15 longas bocejadas durante a sessão.

O ex-presidente, por outro lado, indicou estar mais desperto durante o pronunciamento
dos advogados. Ele elogiou, por exemplo, o defensor do deputado Alexandre
Ramagem, que minimizou a atuação do ex-chefe da Abin e disse que sequer há
informações relevantes sobre seu cliente na delação firmada por Mauro Cid. “Ele foi
bem”, disse Bolsonaro ao advogado Paulo Bueno.

O ex-presidente também endossou o pronunciamento feito pelo advogado do excomandante da Marinha, almirante Almir Garnier, que chegou a subir o tom, ironizar um
golpe por “telepatia” e erguer o dedo em riste para desqualificar a denúncia da
Procuradoria-Geral da República. “O fato é que os romancistas da Polícia Federal não
quiserem pedir de volta os autos para analisar isso”, disse Demóstenes Torres,
referindo-se a supostas contradições na peça. Bolsonaro, neste momento, não segurou o
sorriso.

A seco
Nas cerca de seis horas em que esteve no plenário do Supremo, Bolsonaro não tomou
nenhum gole d’água. Lá dentro, é proibido entrar com qualquer tipo de líquido, e a Corte
disponibilizou na antessala uma mesa com os copos preenchidos.

Por volta das 16h, o advogado e ex-chefe da Secom Fabio Wajngarten saiu às pressas
do plenário e voltou carregando um copo cheio de água – segundo a coluna Radar, o expresidente estava irritado naquele momento. Bolsonaro, porém, recusou a oferta.

Wajngarten saiu novamente do recinto e retornou minutos depois, dessa vez com uma
garrafinha de água. O presidente pegou, olhou um pouco para a garrafa e a repassou a
outro advogado, indicando que não tomaria.

Diante da negativa, ainda se procurou alguma latinha de coca-cola para oferecer a
Bolsonaro, que opta por tomar bebidas industrializadas e lacradas nestas ocasiões, mas
não tinha nenhuma disponível.

Como é sabido, Bolsonaro sempre expressou o receio de sofrer algum tipo de
envenenamento – enquanto presidente, ele tinha um provador de comidas até mesmo no
Palácio da Alvorada e se recusava a pedir qualquer alimento por aplicativos de entrega.
Desde que o cerco jurídico contra o ex-presidente se fechou, Bolsonaro passou a dizer
que, se for preso, pode acabar sendo morto ou envenenado na prisão.

*Com informação da VEJA

 

 

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