Publicado em 11/02/2026
O empresário Abrahão Felício Neto foi preso na manhã desta quarta-feira (11) durante a Operação Regresso, deflagrada pela Força Integrada de Combate ao Crime Organizado no Acre (Ficco-AC). A ação investiga a atuação de um grupo suspeito de envolvimento com tráfico interestadual de drogas e lavagem de dinheiro.
Abrahão é neto de um dos fundadores do Grupo Miragina, tradicional empresa do ramo alimentício no estado. A informação foi confirmada pela Rede Amazônica Acre e pelo g1. A defesa do empresário ainda não havia se manifestado até a última atualização desta reportagem.
De acordo com a Polícia Federal, a empresa Miragina não é alvo da investigação. Apesar disso, agentes estiveram na sede da companhia, em Rio Branco, para cumprimento de diligências. Ao todo, foram executados cinco mandados de prisão preventiva e 18 de busca e apreensão nos municípios de Rio Branco e Cruzeiro do Sul, além de Aracaju, em Sergipe.
A 1ª Vara Criminal da Comarca de Rio Branco também autorizou o bloqueio de bens e valores que podem chegar a R$ 5 milhões. Segundo os investigadores, há indícios de que um dos suspeitos teria utilizado indevidamente a estrutura empresarial para facilitar práticas ilícitas.
Em nota, o advogado da Miragina S/A, Gilliard Nobre Rocha, afirmou que o empresário preso não possui qualquer cargo de direção ou vínculo administrativo com a empresa. A defesa destacou ainda que a companhia não é investigada e que mantém suas atividades normalmente. O comunicado ressalta que o processo tramita sob segredo de Justiça, o que limita a divulgação de informações detalhadas.
Estrutura organizada
As investigações são conduzidas de forma integrada pelas polícias Federal, Civil, Militar e Penal. Conforme apurado, o grupo atuaria de maneira estruturada no envio de drogas para outros estados do país.
Durante a apuração, foram identificados pelo menos cinco episódios relacionados ao tráfico, que resultaram na apreensão de cerca de 350 quilos de cocaína nos estados do Acre, Pará e Goiás.
Segundo o delegado da Polícia Federal Rodrigo Muniz, um dos investigados — apontado como integrante de uma família conhecida no Acre — teria exercido papel estratégico na coordenação das atividades, organizando negociações e logística para transporte da droga.
Além do tráfico, a investigação também apura indícios de lavagem de dinheiro, com movimentações financeiras consideradas incompatíveis com a renda declarada pelos suspeitos.
Os envolvidos poderão responder por tráfico de drogas, associação para o tráfico e lavagem de capitais.
Prisões e apreensões
Durante a operação desta quarta-feira, três pessoas foram presas em flagrante por posse ilegal de arma de fogo — duas em Rio Branco e uma em Cruzeiro do Sul. Também foram apreendidos cinco veículos e pequenas quantias em dinheiro.
Caso anterior envolvendo carga da marca
A marca Miragina já havia sido mencionada em outro episódio, em dezembro de 2022, quando uma carreta que transportava biscoitos da empresa foi interceptada pela Polícia Rodoviária Federal (PRF) na BR-070, em Poconé (MT), com 468 quilos de cocaína.
Na ocasião, a empresa declarou que não possuía responsabilidade sobre o transporte da carga após a retirada dos produtos da fábrica por parte dos compradores.
Segundo a PRF, o motorista apresentou comportamento considerado incompatível com o de um condutor profissional e demonstrou desconhecimento sobre detalhes da viagem. Ele afirmou que faria a entrega do semirreboque no Rio Grande do Norte, mas não soube informar o valor da negociação nem detalhes sobre o contratante.
A Operação Regresso segue em andamento e novas informações podem ser divulgadas conforme o avanço das investigações.



