22.3 C
Rio Branco
segunda-feira, 12 de janeiro de 2026
O RIO BRANCO
BrasilGeral

Lula sanciona lei proposta por Moro no combate ao crime organizado

Publicado em 30/10/2025

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT)
Imagem: ARIF KARTONO/AFP

Do UOL, em São Paulo

O presidente Lula (PT) sancionou hoje uma lei aprovada no Congresso que endurece o combate ao crime organizado e aumenta a proteção dos agentes públicos que atuam na área.

O que acontece

Lei criminaliza a obstrução e a conspiração para obstruir ações contra o crime organizado. As penas foram fixadas em 4 a 12 anos de prisão e multa.

Projeto de lei é de autoria do senador Sérgio Moro (União Brasil-PR). O texto foi aprovado na Câmara no início deste mês — havia passado pelo Senado em maio de 2023. Na sequência, seguiu para sanção presidencial. Lula chegou de viagem ontem e sancionou a lei, publicada hoje cedo no Diário Oficial.

Ao UOL, Moro comentou que a lei é “um importante avanço no combate ao
crime organizado”. Segundo o senador, a mudança ‘protege os agentes de lei que
estão na linha de frente contra o crime organizado” e “estende a proteção de escolta a
agentes aposentados se estiverem em situação de risco”.

Artigo do Código Penal que define o crime de associação criminosa foi alterado
pela medida. A partir de agora, pessoas que encomendarem crimes a integrantes de
uma associação criminosa poderão ser punidas com a mesma pena prevista para os
próprios criminosos, que é de 1 a 3 anos de prisão, além da pena pelo delito solicitado,
se ele ocorrer.

Inicialmente, penas deverão ser cumpridas em presídios federais de segurança
máxima. A lei ainda estabelece que penas para crimes de obstrução e conspiração
para obstrução de ações contra o crime organizado deverão ser cumpridas inicialmente
em presídios federais de segurança máxima. O mesmo vale para presos provisórios
investigados por esses delitos.

Proteção de agentes públicos

Lei reforça a segurança pessoal de autoridades envolvidas no combate ao
crime. Neste sentido, aumenta a proteção de servidores judiciais, membros do
Ministério Público e agentes das forças de segurança considerados em situação de
risco — incluindo aposentados e seus familiares.

Texto altera regras em vigor. Agora, profissionais que atuam nas regiões de fronteira,
consideradas de maior vulnerabilidade e sob influência de organizações criminosas,
passam a ter acesso a maior proteção.

Sanção da lei ocorre dois dias após a megaoperação policial no Rio que resultou
na morte de 121 pessoas. As vítimas foram 117 suspeitos e quatro policiais, nos
complexos do Alemão e da Penha, na Zona Norte da capital. Mais da metade dos
corpos foram identificados no Instituto Médico-Legal Afrânio Peixoto, no centro do Rio.

Moro também citou a operação policial desta semana: “O conflito no Rio
confirma que se trata de uma guerra”, disse ele. “Sem proteger quem enfrenta o
crime organizado, perderemos essa guerra”, concluiu o senador.

A proposta de Moro

Iniciativa de Moro surgiu após a descoberta de um plano do PCC contra ele. Em
2023, o senador foi um dos alvos de um plano do PCC (Primeiro Comando da Capital).
Os criminosos pretendiam praticar extorsão mediante sequestro e assassinar o ex-juiz e
ex-ministro da Justiça e Segurança Pública do governo do ex-presidente Jair Bolsonaro(PL).

Filha de Moro era plano B, caso não fosse possível sequestrar o ex-juiz. Outras
autoridades, como o promotor Lincoln Gakiya, do Ministério Público de São Paulo,
também estavam na mira. O UOL apurou que o PCC investiu US$ 550 mil (R$ 2,9
milhões) no plano do atentado.

Justiça Federal no Paraná condenou oito pessoas ligadas à facção pelo crime
em janeiro. Os envolvidos foram condenados por organização criminosa e tentativa de
extorsão mediante sequestro.

Na época, Moro comemorou a decisão, mas disse que “falta descobrir o
mandante”. O senador afirmou que atuaria para garantir que isso fosse feito.

Enquanto ministro, Moro coordenou ações contra o PCC. Em 2019, ele foi o
responsável pela transferência de Marcola, líder da organização criminosa, e mais 21
suspeitos de integrar o grupo para presídios federais.

 

Compartilhe:

Artigos Relacionados

Prefeitura de Rio Branco mobiliza 100 servidores para limpeza da Via Chico Mendes

Raimundo Souza

STF suspende julgamento de mulher que pichou “Perdeu, Mané” em estátua

Marcio Nunes

Operações da PF sobre emendas pressionam novos presidentes do Congresso

Raimundo Souza

Serviço de Assistência Especializada da Fundhacre ganha reforço com aquisição de quatro novas centrífugas laboratoriais

Raimundo Souza

Trump ameaça presidente interina da Venezuela: ‘Pagará um duro preço se não fizer o correto’

Raimundo Souza

Papa Francisco deve ter alta hospitalar neste domingo

Raimundo Souza