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Política

Lula descarta retaliação tarifária contra os EUA e evita contato direto com Trump

Publicado em 06/08/2025

O presidente reafirma aposta no diálogo comercial, apesar da falta de interlocução com o governo norte-americano

Em meio à escalada nas tarifas impostas pelos Estados Unidos a produtos brasileiros, que podem chegar a 50%, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que o Brasil não adotará medidas de retaliação. A declaração foi feita em entrevista à agência Reuters nesta quarta-feira, 6 de agosto.

Lula deixou claro que não pretende responder com tarifas recíprocas, mesmo diante do impacto das medidas americanas. Ele também afirmou que não vê possibilidade de diálogo direto com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e descartou qualquer tipo de contato pessoal com o líder norte-americano neste momento.

Segundo o presidente, não há espaço para negociação com Trump. Ainda assim, ele reiterou o compromisso do governo brasileiro com as tratativas comerciais multilaterais e destacou que o país seguirá tentando alternativas diplomáticas para resolver o impasse.

Ao comentar a postura do governo norte-americano, Lula classificou as ações como antipolíticas e anticivilizatórias, afirmando que esse tipo de atitude compromete as relações bilaterais. O presidente relembrou que o Brasil já havia superado momentos delicados no passado, como a interferência dos Estados Unidos no golpe de 1964, mas considerou a postura atual ainda mais grave. Em suas palavras, é inadmissível que o presidente dos Estados Unidos ache que pode ditar regras a um país soberano como o Brasil.

Reconhecendo a dificuldade nas negociações, Lula afirmou que o foco de seu governo agora é adotar medidas compensatórias para mitigar os impactos econômicos provocados pelas tarifas, sem comprometer a responsabilidade fiscal. Segundo ele, o Estado tem a obrigação de ajudar as empresas brasileiras afetadas e criar condições para que possam enfrentar esse momento com mais segurança.

Lula também mencionou que o vice-presidente Geraldo Alckmin, que acumula a função de ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, está à frente dos esforços para manter o diálogo aberto com parceiros internacionais e buscar soluções viáveis.

A decisão ocorre em um contexto delicado nas relações entre Brasil e Estados Unidos, agravado pela nova postura protecionista do governo Trump. Mesmo sem sinal de abertura para o diálogo direto, o governo brasileiro busca evitar um conflito comercial mais amplo.

Resumo: Diante do aumento das tarifas norte-americanas, Lula rejeita retaliações e acusa os Estados Unidos de agir de forma antipolítica e desrespeitosa com a soberania do Brasil. O presidente evita contato direto com Donald Trump e afirma que o governo federal vai focar em medidas compensatórias para proteger a economia brasileira, mantendo a responsabilidade fiscal.

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