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Política

Lula compara Brasil pós-Bolsonaro à Faixa de Gaza e diz que será candidato para vencer em 2026

Publicado em 20/06/2025

O presidente Lula (PT) disse em entrevista ao rapper Mano Brown que se lembra do Brasil pós-governo de Jair Bolsonaro (PL) quando olha para a Faixa de Gaza, palco de um conflito entre Hamas e Israel desde outubro de 2023.

“De vez em quando eu olho para a destruição na Faixa de Gaza e fico imaginando o Brasil que nós encontramos. Não tínhamos mais Ministério do Trabalho, de Igualdade Racial, de Direitos Humanos, de Cultura. Foi uma destruição proposital”, declarou na entrevista de mais de duas horas no podcast Mano a Mano.

É a segunda vez que Lula participa do programa, que funciona em formato de mesacast –um bate papo entre o apresentador e o convidado. A entrevista foi publicada no Spotify na madrugada desta quinta-feira (19).

Ao lado do rapper, um antigo aliado, o mandatário se sentiu mais confortável para falar sobre as ações do governo e de reeleição. Evitou assuntos espinhosos, como os conflitos em curso no Oriente Médio.

Logo no começo do episódio, o presidente admitiu que tem dificuldade para governar com minoria no Congresso Nacional. A fala dele se deu no contexto de uma pergunta da jornalista Semayat Oliveira, que citou críticas ao governo pela esquerda direcionadas às concessões políticas feitas pelo petista a partidos do centro.

“Para que as pessoas compreendam, eu elegi 70 deputados do meu partido. O Congresso Nacional tem 513 deputados. É só analisar para saber que preciso fazer composições políticas para governar o país, se não, não consigo”, respondeu Lula.

Em outro momento, o presidente defendeu a regulamentação das redes sociais, o que, segundo seu ponto de vista, é necessário para resguardar o processo democrático. “Se não regularmos, estamos vulneráveis.”

Sobre eleição, disse que será candidato para vencer a disputa contra a direita, citando nominalmente nomes levantados como opções à ausência de Bolsonaro, inelegível até 2030.

Entre os possíveis adversários, citou os governadores de Minas GeraisRomeu Zema (Novo), de São PauloTarcísio de Freitas (Republicanos), e do ParanáRatinho Júnior (PSD), pontuando que “podem procurar o candidato que quiserem, se eu for candidato é para ganhar as eleições“.

O governador do Paraná preparou um vídeo em tom presidenciável, de olho nas eleições de 2026, se apresentando como filho do apresentador Carlos Roberto Massa, o Ratinho, e enumerando feitos de sua gestão no estado.

A propaganda, elaborada pelo marqueteiro argentino Jorge Gerez, foi divulgada nesta quarta-feira (18). Nela, Ratinho Jr. contou trabalhar desde cedo com o pai e relatou ter entrado para a política porque “sempre via os mesmos sobrenomes, prometendo as mesmas coisas”.

Durante a entrevista, Lula disse ainda que a população vai começar a sentir agora as mudanças operadas por seu governo. Prometeu lançar até o fim deste mês uma linha de crédito para reformas de casas e outra para aquisição de motos elétricas por entregadores de comida.

Uma terceira promessa —esta para até o fim do ano— é incluir o gás de cozinha na cesta básica, medida que, segundo diz, deve conceder o produto gratuitamente a aproximadamente 17 milhões de famílias.

Lula foi questionado sobre o caso dos descontos irregulares em benefícios do INSS. Ele disse que o esquema começou antes de seu atual mandato, colocando a culpa na gestão anterior. “Foi no governo Lula que foi descoberta a maracutaia do governo Bolsonaro”, declarou.

O petista defendeu a Contag (Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura), próxima ao PT e citada no caso do INSS. Lula classificou a entidade como “muito séria” e disse que seus dirigentes enviaram ao governo comprovantes de regularidade dos descontos.

O presidente também afirmou que as polícias às vezes agem como inimigas da população em operações nas periferias e defendeu o uso das câmeras corporais. Além disso, disse esperar que o Congresso aprove uma proposta de emenda à Constituição para aumentar a presença do governo federal na segurança pública, área que hoje fica a cargo principalmente dos estados.

 

[fOLHA Uol]

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