Publicado em 20/01/2026
Rio Branco registrou, nos últimos meses, diversos casos de incêndios em residências, alguns com perdas materiais significativas e risco à vida dos moradores. Diante desse cenário, o capitão Ricardo Moura, especialista em Perícia de Incêndio do Corpo de Bombeiros do Acre, reforça a importância de medidas simples e preventivas dentro de casa para evitar tragédias.
Segundo Moura, grande parte dos incêndios domésticos tem origem em problemas elétricos. Ele alerta para que os moradores não realizem ligações clandestinas, evitem sobrecarregar tomadas e sempre contratem profissionais qualificados para serviços elétricos.

“As instalações muito antigas devem ser revisadas, para serem compatíveis com o aumento dos equipamentos que a residência passou a utilizar”, orienta.
O uso de extensões e benjamins (os populares “Ts” ou réguas) é outro fator de risco. “Esses dispositivos facilitam a sobrecarga elétrica, pois permitem conectar vários aparelhos em um único ponto que não foi projetado para tanta carga. Nunca use benjamins ou extensões para equipamentos de alto consumo, como airfryers, micro-ondas, máquinas de lavar, secadores de cabelo, ferros de passar e aquecedores. Evite o uso de ‘T’ ou extensões como soluções definitivas”, destaca, ressaltando que o ideal é instalar mais tomadas no ambiente quando houver necessidade constante de ligar vários eletrônicos.
Atitudes simples que salvam vidas:
– Não deixar panelas no fogo sem supervisão.
– Evitar ligar vários aparelhos em uma única tomada.
– Nunca conectar uma extensão em outra ou usar dois “Ts” juntos.
– Optar por conectores de qualidade e evitar improvisos frequentes.
Materiais inflamáveis esquecidos em casa
Produtos comuns podem se tornar perigosos em caso de fogo: esmaltes, sprays de cabelo, álcool, solventes, óleos de cozinha, tintas, colas e até velas acesas sem supervisão. “A gordura acumulada em coifas e fogões também é altamente inflamável”, alerta.
O armazenamento de botijões de gás também merece atenção especial e deve ser feito em local arejado, externo e sempre na vertical.
Primeira ação em caso de incêndio
Se houver princípio de incêndio, a primeira ação deve ser desligar o padrão de energia. Caso haja extintor tipo BC, utilizá-lo para conter o foco e acionar imediatamente o Corpo de Bombeiros pelo telefone 193, informando endereço, referências e se há vítimas.

“Em residências unifamiliares não há obrigatoriedade de equipamentos preventivos, mas, caso queira, recomenda-se um extintor tipo ABC. Para prédios, as exigências seguem o projeto contra incêndio e pânico. Cada edificação deve ter projeto apresentado e aprovado pelo setor responsável, a Diretoria de Atividades Técnicas e Operacionais (Datop)”, reforça.

Atenção especial a crianças e idosos
O especialista lembra que crianças e idosos nunca devem ser deixados sozinhos em casa, pois são os mais vulneráveis em situações de emergência.
Cheiro de queimado, tomadas quentes, disjuntores que desarmam com frequência e luzes piscando são sinais claros de risco. “Esses indícios exigem atenção imediata de um profissional qualificado”, afirma Moura.
Nos condomínios, síndicos devem garantir a manutenção rigorosa dos equipamentos de combate a incêndio, realizar treinamentos e manter rotas de fuga sempre desobstruídas.

