Publicado em 04/01/2026
Ministra Gleisi Hoffmann ignorou Flávio Bolsonaro e rebateu fala de Tarcísio de Freitas, que alfinetou Lula por proximidade com Maduro
Embora Jair Bolsonaro (PL) tenha ungido o filho 01 como candidato à Presidência da República, Tarcísio segue sendo tratado como principal opositor, enquanto Flávio tem sido ignorado pelos adversários.
No começo do mês, o presidente do PT, Edinho Silva, já havia falado que “não dá para levar Flávio a sério” e que Tarcísio tem articulado para ser o líder da ultradireita.
No caso do ataque dos Estados Unidos à Venezuela, o raciocínio parece se repetir. Um sinal disso é que tanto Flávio quanto o governador atacaram Lula pela proximidade com o ditador Nicolás Maduro, que foi capturado e levado aos Estados Unidos pelo governo Trump. Apenas a manifestação do governador provocou uma reação do governo.
O que disse Tarcísio
Em sua fala, Tarcísio afirmou que a ditadura venezuelana só foi possível pela “omissão e até apoio explícito de quem insistiu em chamar um ditador de companheiro”. Ele também disse que a Venezuela está “vencendo a esquerda” e que, “no final do ano”, o Brasil também vence”. Na manifestação, Tarcísio não fez qualquer menção a quem seria o candidato da direita.
Flávio foi mais explícito e compartilhou uma montagem misturando a imagem de Lula com a de Maduro, em que afirma que “Lula é Maduro” e que “Maduro é Lula”.
A ministra das Secretaria de Relações Institucionais, Glesi Hoffmann (PL), que frequentemente atua como ponta-de-lança no ataque a adversários do governo, ignorou Flávio e respondeu à manifestação do governador.
“Tarcísio Freitas, que vestiu boné do Trump, comemorou o tarifaço que ele impôs contra o Brasil, apoiou a traição de Eduardo Bolsonaro à pátria, defendeu a anistia aos golpistas condenados, agora tem o desplante de responsabilizar Lula pela invasão dos EUA à Venezuela. É muito cinismo para um bolsonarista só”, escreveu a ministra.Antes disso, Gleisi havia criticado o posicionamento de outro presidenciável, o governador do Paraná, Ratinho Filho (PSD).
Tarcísio diz que concorrerá à reeleição e prometeu apoiar Flávio — opção vista com descrença pelo mundo político, pela Faria Lima e até no cenário externo.
No editorial em que defende que Lula não deveria ser eleito, a revista britânica The Economist definiu Flávio como “impopular” e “ineficaz”, enquanto falou de Tarcísio como “ponderado” e “democrata”.
Gleisi fez o papel de porta-voz do governo ao rebater a revista e novamente mirou Tarcísio. “Não é para o ‘bem do Brasil’ que preferem Tarcísio”, afirmou. “É por seus interesses, que não são os do país nem do povo brasileiro.”
Plano B
Desde que Bolsonaro anunciou que apoiará o filho mais velho para a Presidência da República, aumentaram as chances de que Tarcísio dispute a reeleição ao governo paulista. O governador, no entanto, permanece como plano B do bolsonarismo para o caso de uma reviravolta — o que não é incomum vindo do ex-presidente.
Parlamentares ligados ao chamado bolsonarismo raiz têm cobrado apoio mais explícito por parte de Tarcísio em relação a Flávio Bolsonaro, além da atitude protocolar do governador até agora.
O chefe do Executivo estadual tem falado nos bastidores que não pretende, neste momento, se engajar na campanha de Flávio, segundo aliados ouvidos pela reportagem. Embora tenha declarado publicamente que apoia a candidatura do filho 01, o endosso foi feito de forma tímida.

