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General golpista na Bolívia é preso e acusa presidente de ter preparado autogolpe

Publicado em 27/06/2024

O general golpista Juan José Zúñiga foi preso nesta quarta-feira (26) depois de liderar uma tentativa de golpe de Estado na Bolívia contra o presidente Luis Arce. Falando com jornalistas durante a prisão, ele disse que agiu a mando de Arce, que teria tentado um autogolpe.

Zúñiga cercou o palácio presidencial por horas com tropas e veículos blindados e disse durante o cerco que estava lá para “expressar seu descontentamento” e que precisava haver uma troca ministerial. Ele também afirmou que soltaria “prisioneiros políticos”, incluindo a ex-presidente Jeanine Áñez, condenada a dez anos de prisão em junho de 2022 por ter organizado um golpe de estado contra Evo Morales em 2019.

O general golpista chegou a se encontrar com Arce, que ordenou que o militar se retirasse, demitiu os chefes das Forças Armadas e nomeou seus substitutos. O novo comandante do Exército reiterou a ordem, e as tropas esvaziaram a praça.

O general Zúñiga foi destituído do cargo de comandante do Exército na última terça-feira (25) por Arce depois de fazer uma série de ameaças contra o ex-presidente Evo Morales. Evo e Arce, antigos aliados, são hoje rivais políticos e devem se enfrentar nas urnas em 2025.

Em uma entrevista na segunda-feira (24), o militar disse que Evo “não pode mais ser presidente desse país”. “Caso cheguemos a isso”, continuou, “não permitirei que ele pisoteie a Constituição, que desobedeça o mandato do povo”. Afirmou ainda que “as Forças Armadas são o braço armado do povo, o braço armado da pátria”.

Evo respondeu que ameaças desse tipo não têm precedente na democracia e pressionou o governo Arce, dizendo que se a fala não fosse desautorizada pelo presidente e pelo ministro da Defesa, “estará comprovado que na verdade estão autorizando um autogolpe”. Zúñiga foi removido do comando do Exército no dia seguinte.De acordo com o jornal boliviano El Deber, Zúñiga disse ao ser preso que conversou com Arce no último domingo (23), antes da tentativa de golpe. “O presidente me disse que a situação está muito crítica, que era preciso algo para levantar sua popularidade.” O general teria então perguntado ao presidente: “colocamos os blindados na rua?”, ao que Arce teria dito: “coloque”.

Zúñiga não apresentou evidências para sustentar a afirmação, e foi levado por policiais do Ministério de Segurança antes de continuar a fala. O presidente ainda não se manifestou sobre as acusações do militar, mas seu ministro da Justiça, Ivan Lima Magne, disse que o general mente e “busca justificar uma decisão que é sua e pela qual prestará contas à Justiça”.

Magne detalhou a ação penal contra Zúñiga, dizendo que “a democracia enfrenta um soldado traidor”, e que o Ministério Público da Bolívia buscará a pena máxima de 15 a 20 anos de prisão para o militar pelos crimes de atentado à democracia e à Constituição.

Depois que a polícia já havia recuperado controle da Praça Murillo, Arce disse a apoiadores reunidos no local que “ninguém pode nos tirar a democracia que conquistamos”. “Faremos respeitar a democracia conquistada com o voto nas urnas”, prometeu o presidente na varanda do palácio presidencial.

Arce se dirigiu a apoiadores reunidos na praça ao lado do vice-presidente, David Choquehuanca, que elogiou “a valentia de nosso presidente quando havia um tanque na porta do palácio”. Os bolivianos responderam cantando em coro o hino nacional. Bolivianos presentes no local gritavam palavras de ordem a favor da democracia e contra a tentativa de golpe.

 

[Folha Uol]

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