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Estado do Acre registra mais de 3 mil mortes violentas em uma década, aponta MP

Publicado em 04/04/2025

Nos últimos dez anos, o estado do Acre registrou 3.210 mortes violentas, segundo dados do Painel de Mortes Violentas (MVI), do Ministério Público do Acre (MPAC). Desse total, 42,2% estão relacionadas diretamente ao tráfico de drogas e a disputas entre facções criminosas, evidenciando a crescente influência do crime organizado na região.

A maioria das vítimas tinha entre 20 e 34 anos e, em sua grande maioria, eram homens — cerca de 90%. Apesar da forte presença de grupos criminosos, o procurador Rodrigo Curti alerta que fatores sociais e econômicos também impulsionam o cenário de violência. “Não se pode atribuir esse aumento apenas à presença de grupos criminosos, mas também à ausência de políticas públicas e à falta de oportunidades”, afirmou.

No início da década, os homicídios eram, em muitos casos, consequência de conflitos pessoais, como brigas motivadas por ciúmes ou consumo de álcool. Com o passar dos anos, porém, as mortes passaram a ser resultado de crimes mais organizados, em parte também por conta de mudanças na legislação penal.

O pico da violência ocorreu em 2017, com o registro de 531 assassinatos. Já em 2024, o número caiu para 178 casos. Em 2025, até o momento, já foram registrados 23 homicídios. No total, entre 2016 e 2024, o Acre contabilizou 4.833 mortes violentas, incluindo homicídios, feminicídios, latrocínios e mortes em ações policiais.

O levantamento do MPAC também aponta uma disparidade entre os municípios. Rio Branco lidera o ranking, com 57,2% dos casos (1.728 mortes), seguido por Cruzeiro do Sul, com 7,81% (236 casos), e Tarauacá, com 4,5% (136 registros).

Para o procurador Curti, a impunidade é um dos principais combustíveis da criminalidade. “O que combate o crime é a certeza da punição. A flexibilização das leis e as facilidades para progressão de pena incentivam a reincidência”, disse em entrevista à Gazeta.net. Ele também ressalta que a violência se concentra principalmente nas áreas mais vulneráveis, onde o Estado se faz ausente e o crime organizado atua como uma espécie de “autoridade paralela”, aprofundando o sentimento de insegurança.

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