30.3 C
Rio Branco
domingo, 11 de janeiro de 2026
O RIO BRANCO
Acre

Estado do Acre registra mais de 3 mil mortes violentas em uma década, aponta MP

Publicado em 04/04/2025

Nos últimos dez anos, o estado do Acre registrou 3.210 mortes violentas, segundo dados do Painel de Mortes Violentas (MVI), do Ministério Público do Acre (MPAC). Desse total, 42,2% estão relacionadas diretamente ao tráfico de drogas e a disputas entre facções criminosas, evidenciando a crescente influência do crime organizado na região.

A maioria das vítimas tinha entre 20 e 34 anos e, em sua grande maioria, eram homens — cerca de 90%. Apesar da forte presença de grupos criminosos, o procurador Rodrigo Curti alerta que fatores sociais e econômicos também impulsionam o cenário de violência. “Não se pode atribuir esse aumento apenas à presença de grupos criminosos, mas também à ausência de políticas públicas e à falta de oportunidades”, afirmou.

No início da década, os homicídios eram, em muitos casos, consequência de conflitos pessoais, como brigas motivadas por ciúmes ou consumo de álcool. Com o passar dos anos, porém, as mortes passaram a ser resultado de crimes mais organizados, em parte também por conta de mudanças na legislação penal.

O pico da violência ocorreu em 2017, com o registro de 531 assassinatos. Já em 2024, o número caiu para 178 casos. Em 2025, até o momento, já foram registrados 23 homicídios. No total, entre 2016 e 2024, o Acre contabilizou 4.833 mortes violentas, incluindo homicídios, feminicídios, latrocínios e mortes em ações policiais.

O levantamento do MPAC também aponta uma disparidade entre os municípios. Rio Branco lidera o ranking, com 57,2% dos casos (1.728 mortes), seguido por Cruzeiro do Sul, com 7,81% (236 casos), e Tarauacá, com 4,5% (136 registros).

Para o procurador Curti, a impunidade é um dos principais combustíveis da criminalidade. “O que combate o crime é a certeza da punição. A flexibilização das leis e as facilidades para progressão de pena incentivam a reincidência”, disse em entrevista à Gazeta.net. Ele também ressalta que a violência se concentra principalmente nas áreas mais vulneráveis, onde o Estado se faz ausente e o crime organizado atua como uma espécie de “autoridade paralela”, aprofundando o sentimento de insegurança.

Compartilhe:

Artigos Relacionados

Professores e alunos indígenas recebem bolsas para pesquisar e preservar a pesca artesanal no Acre

Redacao

Educação e Inclusão: Prefeito destaca importância da capacitação dos profissionais da educação

Marcio Nunes

Secretaria de educaçao emite nota sobre situação precária de escola na zona rural do Bujarí

Marcio Nunes

No feriado da Consciência Negra, dia 20 de novembro, confira o que funciona e o que estará fechado

Raimundo Souza

Acre se destaca entre os estados com menores índices de mortalidade e morbidade no trânsito

Marcio Nunes

Projeto “Pedalando Novos Tempos” transforma vidas e conquista Prêmio Prioridade Absoluta do CNJ

Jamile Romano