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Espanha se une contra racismo que incomodou Yamal como não se uniu com Vini

Publicado em 04/04/2026

Lamine Yamal, da Espanha, se manifestou nas redes sociais após caso de racismo em amistoso contra o Egito no RCDE Stadium, em Barcelona
Imagem: David Aliaga/NurPhoto via Getty Images

Por UOL, em São Paulo

O caso de racismo no amistoso entre Espanha e Egito — que levou Lamine Yamal a se
manifestar nas redes sociais — tem mobilizado o mundo da bola e autoridades
espanholas. O apoio ao jogador do Barcelona contrasta com a divisão quando o
assunto são os casos sofridos por Vini Jr.

O que aconteceu

O caso: torcedores espanhóis presentes no RCDE Stadium, em Barcelona,
cantaram “quem não pular é muçulmano”. O protocolo antirracismo foi acionado. A
partida terminou 0 a 0.

O episódio ganhou destaque nas entrevistas coletivas dos técnicos dos três
principais times da elite espanhola — Atlético de Madri, Barcelona e Real Madrid
— realizadas nos últimos dois dias. O tom de repúdio se repetiu. Todos entram
em campo hoje pela 30ª rodada de La Liga. O Real encara o Malloca às 11h15 (de
Brasília), e o Barça recebe o Atlético às 16h (de Brasília).

“Lamine [Yamal, do Barcelona] fez uma manifestação fantástica. No futebol, defendemos a inclusão. Acho que é frustrante, é um pequeno número de idiotas que não entende isto. É momento de pensar e melhorar. Não só no futebol, mas na vida. Não há lugar para o racismo. É sobre estarmos juntos. Todos queremos ser respeitados, não importa a tua pele, raça, nada. É hora de mudar estes pensamentos.”

Hansi Flick, técnico do Barcelona

“A Espanha não é um país racista, caso contrário, teríamos incidentes todos os fins de semana e em todos os estádios. Mas a nossa posição permanece a mesma: devemos erradicar todas as formas de comportamento racista nos estádios e na sociedade. […] Temos que continuar lutando com a mesma força para garantir que esses atos nunca mais se repitam, nem em campo, nem na sociedade.”

-Álvaro Arbeloa, técnico do Real Madrid

“É um problema social, e a nível mundial, não específico da Espanha, da Argentina ou de qualquer outro lugar. Um respeito que se perdeu há muitos anos. […] Todos nós temos que trabalhar para conscientizar as pessoas e mostrar que as coisas podem melhorar.”

 –Diego Simeone, técnico do Atlético de Madri

O caso mobilizou até o primeiro-ministro do país, Pedro Sánchez: “O incidente de ontem (quarta-feira) em Cornellà é inaceitável e não deve se repetir. Não podemos permitir que uma minoria incivilizada manche a imagem da Espanha, um país pluralista e tolerante. A seleção nacional de futebol e seus torcedores não são exceção”, afirmou.

A polícia regional catalã abriu investigação contra os cânticos islamofóbicos, xenófobos e racistas que aconteceram durante a partida. Além do canto “quem não pular é muçulmano”, houve vaias durante a execução do hino egípcio.

Efeito Vini Jr?

A mobilização acontece após anos de luta do brasileiro contra casos de racismo no país. O primeiro caso aconteceu em 2022, e Vini chegou a sugerir que a Copa do Mundo de 2030 — que tem a Espanha como uma das sedes — acontecesse em outro lugar.

A Espanha não possui uma legislação específica para casos de racismo, mas torcedores já foram punidos por ofensas ao brasileiro. Em maio do ano passado, por exemplo, a Justiça da Espanha condenou cinco torcedores do Valladolid a um ano de prisão. Eles ainda tiveram que pagar uma multa de 1.620 euros (cerca de R$ 10.182 na época).

Por outro lado, também no ano passado, o Ministério Público arquivou um processo contra torcedores do Barcelona que cometeram atos de cunho racista contra Vini em 2023. A justiça espanhola descartou qualquer possibilidade de que o comportamento dos torcedores teve a intenção de humilhar ou proferir ódio contra o atleta revelado pelo Flamengo.

Também não há união sobre apoio a Vini dentro de campo. Quando o caso de racismo na Champions League, em que o argentino Prestianni foi suspenso por chamar o brasileiro de macaco, o técnico do PSG, Luis Enrique (que não estava envolvido na partida, mas é espanhol), disse que o caso “não era importante”.

Além disso, em 2022, Simeone desconversou após Vini Jr ser alvo de insulto racista por Pedro Bravo, presidente da Associação Espanhola de Empresários de Jogadores. “Vivemos em uma sociedade em que todos estamos incluídos, somos todos pessoas e é a sociedade que temos. Me centro no que me ocupa como treinador, buscar os caminhos para fazer uma boa partida em um clássico que sempre é especial para a gente e os torcedores”, falou na ocasião.

Torcedores do Real Madrid estenderam faixa contra o racismo antes de jogo diante do Benfica Imagem: Thomas COEX / AFP

O brasileiro, porém, foi acolhido após após o caso por seus torcedores. O argentino foi suspenso preventivamente pela Uefa, e a torcida do Real Madrid montou um mosaico de combate ao racismo, que foi exibido no Santiago Bernabéu, casa do Real.

A expectativa agora é se terá alguma manifestação das arquibancadas para Lamine Yamal, especialmente porque o espanhol encontrará uma torcida marcada por casos de racismo contra Vini Jr. O Atlético será o mandante no clássico espanhol.

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