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terça-feira, 9 de junho de 2026
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Disputa esquisita

Publicado em 09/06/2026

No nosso país, não existe lulismo nem bolsonarismo, mas sim, simplesmente, antilulismo e antibolsonarismo.

Via de regra, 45% dos nossos eleitores afirmam que vão votar no candidato Flávio Bolsonaro porque não votarão no candidato Lula de jeito nenhum e, em igual percentual, outros 45% afirmam que votarão no candidato Lula porque não votarão no candidato Flávio Bolsonaro.

Sendo assim, e considerando que, em todas as pesquisas, o presidente Lula e o senador Flávio Bolsonaro sempre aparecem nos primeiros lugares, enquanto os demais pré-candidatos — entre eles Romeu Zema, ex-governador do Estado de Minas Gerais, e o ex-governador do Estado de Goiás, Ronaldo Caiado — sempre aparecem com percentuais bastante nanicos e nunca superiores a 4%, tudo nos leva a crer que o candidato que vier a ser eleito assumirá suas funções sendo rejeitado por mais de 45% dos nossos eleitores.

Isto é o resultado de um país que se deixou levar pela política do contra, presentemente o antilulismo e o antibolsonarismo, ou, mais apropriadamente, pelo ódio ou por qualquer outro sentimento ainda pior.

Daí a pergunta que não quer calar: qual o papel que vem sendo exercido pelos nossos partidos políticos se, de um lado, o ex-presidente Jair Bolsonaro impôs a candidatura de seu filho, Flávio Bolsonaro, e, de outro, o presidente Lula, no curso de seu terceiro mandato, busca exercer um quarto mandato presidencial?

Portanto, se 90% dos nossos votos estão divididos entre o lulismo e o bolsonarismo, decerto o vencedor das próximas eleições estará nas mãos de 10% dos nossos eleitores. E o mais grave: enquanto a atual legislação político-partidária se mantiver, coisas piores ainda poderão acontecer.

Para comprovar isso, basta lembrarmos as eleições presidenciais de 1989, vencidas pelo então candidato Fernando Collor, filiado a um partido apelidado pela sigla PRN, e as eleições de 2018, quando o então candidato Jair Bolsonaro foi eleito por um partido apelidado de PSL.

Lamentavelmente, no nosso país, os partidos já se transformaram em verdadeiros balcões de negócios, ou melhor, de negociatas. Entre eles, e a título de exemplo, podemos citar o PSD, atualmente presidido por Gilberto Kassab.

A propósito, no Estado de São Paulo e em diversos outros estados, o PSD apoia a candidatura de Flávio Bolsonaro, enquanto, em outros, como o Estado da Bahia, o partido é 100% lulista.

Nas democracias que se prezam, é de apenas alguns partidos políticos que saem os candidatos em condições de se eleger aos mais elevados postos de poder.

Nos Estados Unidos, somente filiados ao Partido Democrata ou ao Partido Republicano têm condições reais de eleger um presidente — e, no máximo, por dois mandatos.

Entre nós, porém, não é assim. E é nessa realidade que o presidente Lula surfa.

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