Publicado em 09/06/2026
Foto: Clemerson Ribeiro/Secom
A presidente do Departamento de Estradas de Rodagem, Infraestrutura Hidroviária e Aeroportuária do Acre (Deracre), Sula Ximenes, acompanhou, nesta terça-feira, 9, os sócios da Construtora Cidade, em uma vistoria técnica no local do desabamento da ponte Frei Paolino Baldassari, ocorrido no último dia 5, em Sena Madureira.

O objetivo da inspeção é coletar informações para a elaboração do laudo técnico que apontará as causas do acidente.
“Eles vão avaliar o material e a estrutura atingida. A partir dessa análise, será elaborado um laudo técnico para identificar as causas do acidente. Esse documento não fica pronto de imediato, mas já teremos informações preliminares sobre as providências que deverão ser adotadas”, explicou Ximenes.

À tarde, está prevista uma reunião com a governadora do Acre, Mailza Assis, na qual a empresa deverá apresentar as primeiras medidas a serem adotadas. “A população não pode ficar desassistida sem essa ponte. Estamos aguardando o posicionamento oficial da empresa”, destacou.

Enquanto isso, o governo estadual disponibilizou uma catraia para garantir a travessia da população. “Por enquanto, uma embarcação tem dado conta do serviço, mas, se houver necessidade, outras serão colocadas”, disse a presidente.
O Deracre também avalia intervenções emergenciais na estrada Mário Lobão, construída em 2022. “Não se trata de uma situção que se resolva de um dia para o outro, mas vamos enviar equipes técnicas para verificar as condições da via, avaliar a possibilidade de recuperação por meio do serviço de tapa-buracos”, afirmou.

Sobre o desabamento, Sula ressaltou que o episódio surpreendeu até a construtora. “Foi um choque para todos. É uma empresa com mais de 50 anos de atuação e nunca havia enfrentado uma situação como essa. Por isso, optaram por acompanhar a situação pessoalmente.”
Além da ponte, moradores relataram processos erosivos nas proximidades do rio após o acidente. A presidente informou que será realizado um estudo detalhado para identificar as causas e dimensionar os impactos da ocorrência.
“Não podemos dar respostas rápidas sem um laudo técnico. É preciso estudo para saber se o desbarrancamento foi consequência da ponte ou da oscilação do rio, que é o mais provável. Técnicos qualificados vão analisar o caso para que posssamos ter um diagnóstico preciso.”
Em relação às residências localizadas próximas ao barranco, a presidente informou que ainda não há definição sobre eventuais remoções. “Tudo que foi feito até agora foi uma avaliaçã preliminar, sem base em laudo técnico. Não há neste momento qualquer documento que indique necessidade de retirada de moradores. Assim que os resultado das vistorias forem concluídos, a população será devidamente informada”, concluiu.

Raul Santos e Roberto Santos, diretores da Construtora Cidade, visitaram o local do desabamento junto a um consultor e um geólogo contratados pela empresa para auxiliar na análise técnica.
O sócio da Construtora Cidade, Raul Santos, relatou que após os primeiros sinais de problemas na Ponte Frei Paolino Baldassari, em Sena Madureira, a empresa enviou imediatamente seu engenheiro chefe, responsável pela obra, para realizar uma inspeção.
“Assim que ele avaliou a situação, recomendou a interdição da ponte. A presidente do Deracre, Sula Ximenes, foi informada e determinou a interdição de forma imediata. Essa medida foi fundamental para evitar uma tragédia ainda maior”, afirmou Santos.

Movimentação de solo como causa provável do desabamento da ponte
Raul Santos, afirmou que a empresa trouxe especialistas em estruturas e geologia para aprofundar os estudos e elaborar um laudo técnico sobre as causas do acidente.
“Tudo indica que houve uma movimentação significativa da massa de terra, que acabou comprometendo a estrutura da ponte. Os indícios estão visíveis nas barrancas do rio, que apresentam fraturas e rachaduras. Neste momento, estamos na fase de estudos e, assim que tivermos uma conclusão, divulgaremos nota oficial à imprensa”, explicou Santos.

Questionado sobre a possibilidade de prever esse tipo de fenômeno antes da obra, o empresário destacou que todos os estudos geotécnicos e sondagens exigidos pelas normas técnicas foram realizados.
“Esses movimentos de terra são difíceis de detectar com precisão, tanto no local exato quanto no momento em que podem ocorrer. No Acre, já tivemos situações semelhantes, mas em menor escala. Infelizmente, não há previsão normativa para esse tipo de ocorrência”, disse.

Raul Santos também ressaltou que a empresa tem 57 anos de atuação e trabalha no Acre desde 2002, já tendo construído mais de 20 pontes importantes no estado, como as sobre os rios Purus, Iaco e Envira, além de estruturas em Rio Branco e na fronteira com o Peru.
“Temos experiência consolidada e sempre trabalhamos em parceria com instituições locais, como a Funtac e a Universidade Federal do Acre, além de profissionais da comunidade técnica”, afirmou.

Sobre os escombros que ficaram no rio após o desabamento, Santos garantiu que a empresa pretende acelerar a retirada em conjunto com o governo estadual.
“É da nossa vontade e acredito que também do governo do Acre dar celeridade a esse processo. Vamos discutir as medidas diretamente com a governadora”, concluiu.
Agência de Notícias do Acre

