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sábado, 17 de janeiro de 2026
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De quartel a sede do poder municipal, a fascinante saga do edifício da Prefeitura de Rio Branco

Publicado em 17/01/2026

De um modesto alojamento militar a um luxuoso hotel, passando por uma moderna penitenciária, a trajetória da atual Prefeitura é um pergaminho surpreendente

O imponente edifício que hoje abriga a administração municipal de Rio Branco, na Rua Rui Barbosa, nº 285, é muito mais do que a sede do poder executivo: é um livro de história vivo, cujas paredes sussurram as memórias de mais de um século de transformações radicais. De um modesto alojamento militar a um luxuoso hotel, passando por uma moderna penitenciária, a trajetória da atual Prefeitura é um pergaminho surpreendente que reflete a própria evolução política e social da capital acreana.

Foto da fachada da Prefeitura
O imponente edifício que hoje abriga a administração municipal de Rio Branco, na Rua Rui Barbosa, nº 285, é muito mais do que a sede do poder executivo: é um livro de história vivo. (Foto: Secom)

Das cinzas do “Velho Pardieiro” à “Penitenciária Modelo”

A saga do endereço que centraliza o poder de Rio Branco começa em 1910, quando o local abrigava uma simples casa de madeira para guardas militares da Companhia Regional do Alto Acre. Em frente a sede ficava um campo de exercícios que hoje conhecemos como a vibrante Praça da Revolução.

Foto da casa de madeira para guardas militares da Companhia Regional do Alto Acre
A saga do endereço que centraliza o poder de Rio Branco começa em 1910, quando o local abrigava uma simples casa de madeira para guardas militares da Companhia Regional do Alto Acre. (Foto: Arquivo/Secom)

Com a posse do primeiro governador do Território Federal do Acre, Epaminondas Tito Jácome, em 1921, um quartel maior foi erguido para a Força Policial. No entanto, o prédio de madeira, com dois pisos, não era notável pela beleza e logo ganhou o depreciativo apelido de “o velho pardieiro sem estética”.

Foto de Epaminondas Jácome
Primeiro governador do Território Federal do Acre, Epaminondas Tito Jácome. (Foto: Imagem Revitalizada)

A primeira grande revolução arquitetônica veio em 1927, na gestão do governador Hugo Carneiro, que julgou o quartel inadequado. O destino traçado para o local era monumental: o prédio foi demolido para dar lugar a uma Penitenciária Modelo. O projeto ambicioso foi assinado pelo arquiteto alemão Albert Oswald Massler — o mesmo que projetou o Palácio Rio Branco.

Foto da Construção da Penitenciária
Construção da Penitenciária de Rio Branco com o nome em homenagem ao Ministro da Justiça, no governo Vargas, Vicente Rao. (Foto: Acervo/Secom)

Financiada pela União durante o governo de Getúlio Vargas e inaugurada em 29 de agosto de 1935, a prisão foi oficialmente batizada como “Penitenciária Ministro Vicente Ráo” e, posteriormente, alterada para “Penitenciária Dr. Evaristo de Morais” em 1940. Com capacidade para 120 sentenciados, era, na época, um dos estabelecimentos prisionais mais modernos e confortáveis do país.

Foto do Presídio onde é hoje a Prefeitura
O projeto, ambicioso, da Penitenciária Ministro Vicente Rao foi assinado pelo arquiteto alemão Albert Oswald Massler — o mesmo que projetou o Palácio Rio Branco. (Foto: Acervo/Secom)

A mais espetacular metamorfose: De presídio a hotel de luxo

Se a transformação de quartel em presídio já era notável, o destino que o interventor José Guiomard dos Santos reservou para o edifício em 1950 é, sem dúvida, o capítulo mais surpreendente de sua história.

Foto do Hotel Chuí
A antiga casa de custódia se transformou no “Hotel Chuí”, uma homenagem ao gaúcho José Plácido de Castro. (Foto: Aequivo Biblioteca IBGE)

Com a transferência gradual dos poucos presos para a recém-construída Colônia Penal Agrícola, o prédio da penitenciária foi esvaziado e submetido a uma reforma ultrarrápida de apenas noventa dias (janeiro a abril de 1950).

Foto de 1950 do Hotel Chuí
O Decreto nº 160, de 30 de junho de 1950, de Guiomard Santos, selou a mais inusitada das reinvenções: a antiga casa de custódia se transformou no “Hotel Chuí”. (Foto: Acervo/Secom)

O Decreto nº 160, de 30 de junho de 1950, de Guiomard Santos, selou a mais inusitada das reinvenções: a antiga casa de custódia se transformou no “Hotel Chuí”, uma homenagem ao gaúcho José Plácido de Castro.

O Hotel Chui em 1978
Hotel Chuí em 1978: o mais elegante e chique ponto de hospitalidade de luxo da capital acreana. (Foto: Acervo/Secom)

Sob a nova administração, o “Hotel Chuí” rapidamente se consolidou como o mais elegante e chique ponto de hospitalidade de luxo da capital acreana. O local que antes abrigava a custódia penal, agora recebia a elite e os visitantes mais importantes do Acre, um verdadeiro testemunho da resiliência e da capacidade de reinvenção da cidade.

A sede definitiva do Poder Municipal

A vocação hoteleira não seria, contudo, definitiva. Após um período de arrendamento e subsequente devolução ao governo estadual, o prédio do antigo “Hotel Chuí” foi, mais uma vez,  transformado.

Foto da nova sede da Prefeitura em 1950
A nova Sede da Prefeitura cedida pelo Governo do Território em meados de 1950. Em 1969 o órgão municipal passou a funcionar no porão do Palácio das Secretarias. (Foto: Acervo/Secom)

Enquanto isso, a Intendência Municipal de Rio Branco (futura Prefeitura), que iniciou suas atividades em 1913, havia peregrinado por vários endereços. Em 1984, a história da Prefeitura e do emblemático edifício se uniram de forma definitiva.

Foto da sede da Prefeitura em 1986
Primeira imagem da Sede da Prefeitura, quando o Prefeito Flaviano Melo assumiu em 1986. (Foto: Acervo/Secom)

O governador Nabor Teles da Rocha Junior cedeu o imóvel, por empréstimo, ao município. O então prefeito, engenheiro Flaviano Flávio Baptista de Melo, autorizou uma rápida reforma, e em 8 de junho de 1984, a Prefeitura Municipal de Rio Branco iniciava sua mudança para o endereço que ocupa até hoje: Rua Rui Barbosa, nº 285. A posse do patrimônio foi confirmada posteriormente, consolidando o edifício como a sede oficial e definitiva do poder municipal.

Foto do historiador José Wilson Aguiar
Como bem resume o historiador José Wilson Aguiar, coordenador de Patrimônio Histórico e Cultural da Fundação Municipal de Cultura Garibaldi Brasil, a história deste edifício é um símbolo. (Foto: Val Fernandes/Secom)

Como bem resume o historiador José Wilson Aguiar, coordenador de Patrimônio Histórico e Cultural da Fundação Municipal de Cultura Garibaldi Brasil, a história deste edifício é um símbolo: “Essa metamorfose de presídio para hotel de luxo, e finalmente em sede do poder municipal, faz com que este prédio carregue em sua estrutura a memória de diferentes fases do desenvolvimento e da organização social do Acre. É um local onde a história, a arquitetura e o poder se encontram de forma única.”

FACHADA DA PREFEITURA DE RIO BRANCO
A próxima vez que você passar pela Rua Rui Barbosa, lembre-se: o coração da administração municipal é também um guardião da história. (Foto: Secom)

A próxima vez que você passar pela Rua Rui Barbosa, lembre-se: o coração da administração municipal é também um guardião da história, um lugar onde a segurança militar, a custódia penal, a hospitalidade de luxo e o poder político se fundiram em uma das mais fascinantes narrativas da cidade de Rio Branco.

(Assessooria)

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