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domingo, 30 de novembro de 2025
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Com Bolsonaro preso, cresce movimentação por Tarcísio como nome da direita em 2026

FAVORITO - O político do Republicanos: interlocução com Bolsonaro e apoio de siglas do Centrão são trunfos para eleição (Pablo Jacob/Governo do Estado de SP//)

A maré política, na esteira da derrocada do ex-presidente, nunca foi tão favorável para o governador paulista

Por Heitor Mazzoco e Laísa Dall’Agnol | VEJA

A longa novela sobre quem poderá ser o herdeiro político escolhido por
Jair Bolsonaro, que se arrasta desde meados de 2023, quando o ex-presidente foi
considerado inelegível pelo Tribunal Superior Eleitoral, se aproxima do seu final.
O desfecho do julgamento por tentativa de golpe, que não só elevou a
inelegibilidade do ex-presidente para até 2060, como o condenou a 27 anos de
prisão em regime inicialmente fechado, deve apressar as conversas sobre quem,
afinal, representará a oposição, em especial o eleitorado bolsonarista, no duelo
contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2026. Favorito desde sempre, o
governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), consolidou sua
posição nos últimos dias como o único presidenciável capaz de angariar o apoio
do clã Bolsonaro — por ser o mais próximo ao ex-presidente — e obter ainda o
amplo eleitorado de centro-direita que deseja se livrar do lulismo, mas não
comunga totalmente com a cartilha bolsonarista.

MUDANÇA DE ROTA - O governador Ronaldo Caiado e ACM Neto: União Brasil deve desistir de candidatura própria (União Brasil//)

A delicada situação judicial do ex-presidente mobilizou líderes do Centrão e da
direita em busca de uma definição sobre quem vai liderar a oposição. Embora
continue negando oficialmente que disputará a Presidência da República —
cada vez com menos ênfase —, Tarcísio vem conversando nas últimas semanas
sobre a entrada na corrida presidencial com importantes caciques nacionais,
como o senador Ciro Nogueira, presidente nacional do PP; o ex-prefeito de
Salvador ACM Neto, do União Brasil; e o governador de Minas Gerais, Romeu
Zema, além do presidente nacional do PSD e secretário de seu governo,
Gilberto Kassab. Também apoiam cada vez mais nos bastidores o seu nome
para o Planalto os caciques Valdemar Costa Neto (PL), Baleia Rossi (MDB) e
Marcos Pereira (Republicanos). A meta é construir um grande bloco de centrodireita com PL, União Brasil, PP, Republicanos, MDB e PSD e esquecer a ideia
de candidaturas pulverizadas no primeiro turno — tese antes defendida por
alguns nomes desse campo político, como o governador de Goiás, Ronaldo
Caiado (União Brasil).

PLANO - Ciro Nogueira: cacique atua por frente ampla do centro à direita (Aloisio Mauricio/Fotoarena/.)

A direita corre contra o tempo porque faltam pouco mais de cinco meses
apenas para Tarcísio, caso aceite o desafio, renunciar ao cargo que ocupa,
como exige a lei. O governador paulista resiste a avançar o sinal. Até meados
de janeiro, pelo menos, ele não quer declarar oficialmente que disputará a
Presidência da República para não antecipar mais a já antecipada corrida
eleitoral, mas entre os seus interlocutores há cobrança para que ele diga ao
menos aos aliados que está pronto para o desafio. “Acho que o pessoal está
muito ansioso. Há tempo para a definição. Isso já está sendo feito, e as pessoas
só não percebem”, disse Tarcísio em um evento empresarial na quarta-feira 26.
“Não tenham ansiedade, porque virá a decisão na hora certa. Não precisa ser
em dezembro. Pode ser janeiro, fevereiro, março”, completou o governador.
Segundo seus interlocutores, ele acha importante entregar obras estratégicas
de sua gestão antes de partir para uma corrida presidencial, como a conclusão
de trechos do Rodoanel e de duas novas linhas do metrô. “Bater o martelo
sobre uma candidatura o deixaria, na prática, sem governo. E isso deve ser
bem calculado, ele precisa deixar a casa arrumada”, diz um aliado próximo.

O principal nó da articulação, no entanto, está justamente no círculo mais
próximo a Bolsonaro. Tarcísio ainda aguarda a palavra final do ex-presidente —
sem o seu apoio formal e explícito, ele dificilmente irá para a disputa nacional.
Ele estava com visita marcada para o dia 10 de dezembro em sua casa em
Brasília, no período da detenção em regime domiciliar, mas o encontro foi
cancelado diante da prisão preventiva decretada pelo ministro Alexandre de
Moraes após Bolsonaro danificar a tornozeleira. Agora, Tarcísio terá de fazer
novo pedido ao ministro do STF para poder discutir o quadro político frente a
frente com o capitão, desta vez preso em regime fechado. Em todas as
conversas com aliados, Tarcísio recebeu queixas e alertas em relação à posição
dos filhos de Bolsonaro. O caos costurado pelo deputado Eduardo Bolsonaro
(PL-SP), por exemplo, com as investidas contra o país, o STF e aliados, o
tornou tóxico demais. Na quarta 26, em entrevista, ele mandou recados a
quem pretende herdar o espólio do pai. “Eu pretendo apoiar um outro
candidato em 2026 desde que ele seja identificado com os meus eleitores, que
são bolsonaristas”, disse. Questionado sobre se já identificou alguém com esse
perfil, respondeu: “Flávio Bolsonaro”. O nome do senador como candidato a
presidente foi especulado, de fato, nos últimos dias, mas a sua desastrada
atuação no episódio que levou o pai à prisão preventiva (ao convocar uma vigília de apoiadores perto do condomínio do ex-presidente) contou como
sério ponto negativo.

TÁTICA - Ratinho Jr.: articulação discreta e disposição de manter nome no páreo (Jonathan Campos/AEN//)

Se prevalecer a premissa de que o ex-capitão só apoiará alguém se a chapa
tiver um sobrenome Bolsonaro, uma alternativa é a ex-primeira-dama
Michelle Bolsonaro. Mas essa hipótese não é consenso nem entre os filhos de
Bolsonaro nem entre os companheiros de PL. “Eu mesmo não concordo.
Precisamos focar no Legislativo. A Michelle pode ser eleita senadora pelo DF.
Assim, com maioria, podemos fazer frente ao STF e travar o Poder Executivo”,
diz um parlamentar do PL. Outros aliados também alegam que o melhor seria
um vice sem o sobrenome Bolsonaro, porque daria maior amplitude à chapa
que enfrentará Lula, como alguém do Nordeste ou de um estado
eleitoralmente relevante, como o governador de Minas Gerais, Romeu Zema
(Novo).

IMPASSE - Valdemar: chapa com um Bolsonaro é o maior nó a ser desatado (Eduardo Knapp/Folhapress/.)

Se a estrela de Tarcísio sobe no mercado de apostas, a de outros concorrentes
de centro-direita vai perdendo força, como a dos governadores do Paraná,
Ratinho Jr. (PSD); de Goiás, Ronaldo Caiado (União Brasil); do Rio Grande do
Sul, Eduardo Leite (PSD); e o próprio Zema. “De todos, Tarcísio é hoje o mais
forte. Os outros não conseguiram se articular nacionalmente”, afirma um
cacique do União Brasil. Esses presidenciáveis de centro-direita, no entanto,
não pensam em jogar a toalha. Ratinho Jr., que nas pesquisas consegue ser o
mais bem colocado depois de Tarcísio, movimenta-se com discrição, continua
conversando com políticos, sociedade civil e empresários e aposta na imagem
de “pacificador” do país, de alguém longe da polarização. Além disso, não pode
se descuidar da gestão do estado, onde pretende eleger o seu sucessor. Já
Ronaldo Caiado, que enfrenta fogo amigo dentro da federação União Brasil-PP,
contratou um marqueteiro (Paulo Vasconcelos, que atuou em campanhas de
Aécio Neves e Cláudio Castro) para a sua campanha presidencial, e não
descarta nem mesmo mudar de partido para manter a candidatura ao Palácio
do Planalto, cenário hoje tido como o mais provável.

OPÇÃO - Kassab: apesar de o PSD ter dois presidenciáveis, ele quer Tarcísio (Aloisio Mauricio/Fotoarena/.)

Uma condição para Tarcísio receber o aval de Bolsonaro e da família é também
uma dificuldade: mostrar que, se eleito, fará todo esforço possível para tirar o
ex-presidente da cadeia. O governador de São Paulo parece ter entendido o
recado e, nos últimos dias, foi enfático na defesa de algum tipo de perdão
judicial. “Sempre defendi anistia e o que eu puder fazer para que ela seja
aprovada, eu vou fazer. Nosso interesse é vê-lo livre desse processo, dessa
situação toda. Na hora da dificuldade é que os amigos têm que estar juntos”,
disse em entrevista na quarta 26. No mesmo dia, afirmou que a direita, “que o
pessoal às vezes diz que está desorganizada”, vai apresentar um projeto liberal
para o país “se livrar do PT” porque o Brasil está na “direção errada”. “Mas é
fácil acertar. A gente coloca na direção correta rapidinho”, completou. O
discurso, como se vê, parece cada vez mais com o de um candidato ao Planalto.
A maré política, na esteira da derrocada de Bolsonaro, nunca foi tão favorável
para o governador paulista.

 

 

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