Publicado em 04/12/2025
Um levantamento divulgado pelo Ministério Público do Acre (MPAC) revela um cenário alarmante em Sena Madureira: somente em 2025, já foram registrados 47 casos de estupro de vulnerável no município. O número preocupa as autoridades e reforça a necessidade de atenção redobrada por parte da comunidade.
Segundo o MPAC, os crimes afetam principalmente crianças e adolescentes e deixam sequelas que podem acompanhar as vítimas por toda a vida.
MP intensifica ações e cobra participação das famílias
Diante da situação, o promotor de Justiça Júlio César de Medeiros emitiu um alerta público, destacando que está em andamento um trabalho integrado entre diversos órgãos — Polícia Civil, Secretaria Municipal de Saúde, Educação, hospital e outros setores — para fortalecer o combate ao abuso sexual infantil.
O promotor explicou que desde março foi expedida uma recomendação para garantir uma atuação coordenada.
“Precisamos estar sempre municiados de informações para adotar as medidas necessárias”, afirmou.
Júlio César também chamou atenção para a responsabilidade dos pais e responsáveis. Em casos de omissão, eles podem ser responsabilizados criminalmente.
“Quando identificamos omissão, a polícia indiciará e o Ministério Público tomará providências. Quem tem o dever legal de impedir o resultado e não o faz responde pelo mesmo crime”, ressaltou.
Medo e silêncio dificultam denúncias
O promotor destacou ainda que, em alguns casos, os próprios pais ou padrastos são os abusadores, e muitas mães deixam de denunciar por medo ou dependência.
“Peço que denunciem. Estamos preparados para acolher as vítimas. São 47 casos confirmados, mas acreditamos que exista subnotificação”, afirmou.
Com o objetivo de acompanhar cada situação de perto, Júlio César solicitou à Polícia Civil todos os boletins de ocorrência envolvendo estupro de vulnerável no município. A intenção é verificar o andamento de cada processo e garantir que a sociedade receba uma resposta efetiva.
Perfil das vítimas e dos agressores
A maioria das vítimas são meninas, embora também exista registro envolvendo meninos.
Quanto aos autores dos crimes, parte deles já foi presa ao longo do ano e aguarda julgamento no presídio.

