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Cadeira vazia: EUA não enviarão nenhum representante de alto escalão à COP30

Publicado em 02/11/2025

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump (SAUL LOEB/AFP)

A Argentina se junta aos EUA na lista de ausentes em uma COP que, até o momento, espera 57 líderes, um total relativamente modesto

Por Luana Zanobia | VEJA

A poucos dias dos líderes mundiais desembarcarem em Belém do Pará, para
discutir o futuro do planeta na COP30, a cadeira reservada aos Estados Unidos
permanecerá vazia. Não por erro logístico, conflito de agenda ou crise
doméstica. Mas por decisão política deliberada. A Casa Branca confirmou que
nenhum representante de alto escalão americano participará da conferência.

O governo brasileiro confirmou nesta sexta-feira, 31, que a Argentina também
ficará de fora. Com a nova ausência, a previsão oficial é de que cerca de 57
chefes de Estado e de governo compareçam à cúpula de líderes na próxima
semana, número inferior ao inicialmente esperado pelo Itamaraty, e bem
abaixo das cúpulas de Glasgow (120) e Dubai (140). A COP na floresta ainda
pode ter impacto histórico; mas o teatro de poder está menos lotado que o
previsto.

A ausência dos EUA marca a primeira COP em três décadas sem a presença de
um emissário de nível ministerial de Washington – nem presidente, nem vice,
nem enviado especial, nem mesmo um subsecretário com status diplomático.
O governo Trump argumenta que o país “não precisa de fóruns multilaterais
para discutir energia”, já que mantém “diálogo direto” com aliados e
adversários.

Desde seu retorno ao poder, em janeiro, o republicano ampliou subsídios à
exploração doméstica de petróleo e gás, afrouxou regulações ambientais,
desmontou metas de transição energética e passou a usar o setor como
instrumento de pressão internacional. Oficiais do governo têm ameaçado
retaliações comerciais contra países que adotarem mecanismos de precificação
de carbono ou barreiras verdes. Internamente, a decisão agrada à coalizão
política que o sustenta: petroleiras texanas, mineradoras do Meio-Oeste,
sindicatos da indústria pesada e eleitores ressentidos com o discurso
“ecológico de elite”.

Enquanto os EUA se retiram, China e União Europeia ocupam o vácuo
normativo. Para ambos, a ausência americana é um presente diplomático:
menos resistência e mais espaço para moldar as regras do jogo. A cúpula
amazônica, que deveria reforçar o multilateralismo, corre o risco de cristalizar
um novo desenho de poder: um mundo onde a governança climática existe,
mas sem os Estados Unidos.

Há quem minimize o impacto imediato da ausência americana. Afinal, a
história mostra que nenhum acordo climático de peso avançou sem o dinheiro,
o poder de negociação ou a influência geoeconômica dos Estados Unidos. Mas,
diferentemente de 2017, quando Trump abandonou o Acordo de Paris pela
primeira vez, desta vez as engrenagens da transição já funcionam sem
Washington. Os mercados de crédito de carbono se expandem, fundos
soberanos desinvestem de petróleo e carvão, e grandes construtoras
substituem o cimento convencional por materiais de baixo carbono. O mundo,
ainda que lentamente, está descobrindo que pode continuar movendo-se
mesmo quando os EUA deixam a mesa.

 

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