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Brasil dá lição aos EUA ao condenar Bolsonaro, diz Levitsky no New York Times

Publicado em 12/09/2025

O New York Times publicou nesta sexta-feira (12) um artigo de opinião de Steven Levitsky, professor em Harvard e coautor do best-seller “Como as Democracias Morrem”, e Filipe Campante, professor de economia em Johns Hopkins.

No texto, os autores afirmam que o Brasil “acaba de ter sucesso onde a América falhou”, ao condenar Jair Bolsonaro por conspirar contra a democracia. O Supremo Tribunal Federal sentenciou o ex-presidente a 27 anos de prisão.

Um homem com cabelo grisalho e pele clara está posando para a foto em um ambiente interno. Ele usa um paletó azul e uma camisa clara. Ao fundo, há colunas de pedra e uma parede com um padrão sutil. O homem olha diretamente para a câmera com uma expressão neutra.
O cientista político e professor de Harvard Steven Levitsky, autor de “Como as Democracias Morrem” – Harvard/Divulgação

“Na quinta-feira, a Suprema Corte brasileira fez o que o Senado americano e a Justiça federal tragicamente fracassaram em fazer: levar à Justiça um ex-presidente que atentou contra a democracia”, escrevem.

“A administração Trump está tentando usar tarifas e sanções para intimidar os brasileiros a subverter seu sistema legal — e sua democracia junto com ele”, afirmam, em referência à sobretaxa de 50% aos produtos brasileiros aplicada desde agosto.

Campante e Levitsky também ressaltam que, ao contrário dos EUA, as instituições brasileiras reagiram cedo ao risco autoritário. Eles lembram que o STF abriu o inquérito das fake news, suspendeu contas de aliados de Bolsonaro, mandou remover conteúdo antidemocrático das redes e até prendeu o deputado Daniel Silveira (PL-RJ) que, segundo eles, pregava a ditadura. “Essas medidas foram controversas, mas consistentes com o que democracias europeias fazem para conter ameaças às suas instituições”, dizem.

Para os autores, a experiência histórica de uma ditadura militar ajudou autoridades brasileiras a agir com mais firmeza. Eles citam declaração de Moraes: “Percebemos que podíamos ser Churchill ou Chamberlain. Eu não queria ser Chamberlain.”

A frase é uma referência à Segunda Guerra Mundial: Neville Chamberlain, então premiê britânico, tentou apaziguar Hitler e fracassou; já Winston Churchill adotou posição firme e liderou a resistência contra o nazismo.

“Com todos os seus defeitos, a democracia brasileira está mais saudável hoje do que a americana”, dizem.

[FOLHA DE SÃO PAULO]

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