23.3 C
Rio Branco
segunda-feira, 12 de janeiro de 2026
O RIO BRANCO
BrasilGeral

Barroso segue Weber e vota a favor da descriminalização do aborto

Publicado em 18/10/2025

O ministro do STF Luís Roberto Barroso

(Luccas Lucena e Victoria BecharaDo UOL, em São Paulo)

Um dia antes de se aposentar, o ministro Luís Roberto Barroso, do STF (Supremo
Tribunal Federal), votou pela descriminalização do aborto nas 12 primeiras semanas de
gestação.

O que aconteceu

“A interrupção da gestação deve ser tratada como uma questão de saúde
pública, não de direito penal”, disse o ministro. “Ninguém é a favor do aborto em si.
O papel do Estado e da sociedade é o de evitar que ele aconteça, dando educação
sexual, distribuindo contraceptivos e amparando a mulher que deseje ter o filho e esteja
em circunstâncias adversas. Deixo isso bem claro para quem queira, em boa-fé,
entender do que se trata verdadeiramente.”

O STF julga a descriminalização do aborto até 12 semanas de gestação em
qualquer circunstância. A ação, proposta pelo PSOL, tramita no Supremo desde 2017.
O partido alega que a criminalização viola direitos fundamentais das mulheres à vida, à
liberdade e à integridade física.

Após o voto de Barroso, Gilmar pediu destaque e interrompeu o julgamento em
plenário virtual. Em 2023, Barroso havia feito o pedido para que o processo fosse
retirado do plenário virtual e levado para o plenário físico.

Para Barroso, a discussão não é sobre ser contra ou a favor do aborto. “É sobre
definir se a mulher que passa por esse infortúnio deve ser presa”, acrescentou. “A
interrupção da gestação deve ser tratada como uma questão de saúde pública, não de
direito penal.”

Criminalização penaliza “meninas e mulheres pobres”, enfatizou o ministro —
assim como fez Rosa Weber. O ministro ressaltou que “nenhum país democrático e
desenvolvido do mundo” proíbe a interrupção da gravidez. Disse ainda que pessoas
com melhores condições financeiras podem “atravessar a fronteira com o Uruguai,
Colômbia, ir para a Europa ou valer-se de outros meios aos quais as classes média e
alta têm acesso.”

No Brasil, a interrupção da gravidez é permitida em três casos: estupro, risco de
vida da gestante ou se o feto for anencéfalo. A lei não estabelece limite de idade
gestacional para realização de aborto legal.

Antes de se aposentar, em 2023, Rosa Weber deu o primeiro voto favorável à
descriminalização. A ministra, que era relatora do caso na época, defendeu a posição
da autodeterminação da mulher e reforçou que o aborto é um problema de saúde
pública, sendo uma das quatro causas diretas de mortalidade materna. A discussão foi
suspensa logo em seguida pelo pedido de destaque de Barroso.

Com a saída de Rosa Weber, Flávio Dino se tornou relator da ação. O ministro já
se posicionou contra a descriminalização do aborto antes de chegar ao STF. “Eu sou
filosoficamente, doutrinariamente contra o aborto. Acho que a legislação brasileira não
deve ser mexida nesse aspecto”, disse em entrevista ao Valor Econômico, em 2022.

Em 2016, a 1ª Turma do STF não viu crime no aborto realizado nos primeiros três meses da gestação. O entendimento, porém, estava restrito a um caso que tratava de uma clínica de aborto clandestina em Duque de Caxias (RJ). Na ocasião, Barroso argumentou que a criminalização atinge principalmente mulheres mais pobres, que precisam recorrer a clínicas clandestinas sem infraestrutura.

“As mulheres são seres livres e iguais, dotadas de autonomia, com autodeterminação para fazerem suas escolhas existenciais. Em suma: têm o direito fundamental à sua liberdade sexual e reprodutiva. Direitos fundamentais não podem depender da vontade das maiorias políticas. Ninguém duvide: se os homens engravidassem, aborto já não seria tratado como crime há muito tempo.

A tradição judaico-cristã condena o aborto. Deve-se ter profundo respeito pelo sentimento religioso das pessoas. É, portanto, plenamente legítimo ter posição contrária ao aborto, não o praticar e pregar contra a sua prática. Mas será que a regra de ouro, subjacente a ambas as tradições – tratar o próximo como desejaria ser tratado -, é mais bem cumprida atirando ao cárcere a mulher que passe por esse drama? Pessoalmente, entendo que não. Portanto, sem renunciar a qualquer convicção, é perfeitamente possível ser simultaneamente contra o aborto e contra a criminalização.”

-Luís Roberto Barroso, em voto sobre descriminalização do aborto

Compartilhe:

Artigos Relacionados

Diretoria do INSS virou alvo do centrão e epicentro da crise de fraudes em descontos

Raimundo Souza

Primeira turma do STF forma maioria para confirmar decisão que bloqueou X no Brasil

Raimundo Souza

Preço da cesta básica cai em 15 das 27 capitais em julho

Marcio Nunes

Com rodovia fechada, moradores temem perder prova de concurso por conta de protesto em Xapuri

Raimundo Souza

O programa “O X da Questão” de domingo, 12, abordou Trânsito, Transporte e Desenvolvimento

Raimundo Souza

Governador prestigia Expoacre e destaca show de Gusttavo Lima como promessa de noite inesquecível

Raimundo Souza