Publicado em 19/01/2026
Cerca de 30% dos cursos de Medicina avaliados no Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed) receberam conceitos considerados insatisfatórios e sofrerão punições do Ministério da Educação (MEC). Os dados foram divulgados nesta segunda-feira (19), em Brasília, pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep).
Ao todo, 351 cursos de Medicina participaram da avaliação e 107 obtiveram notas 1 ou 2, faixa que indica desempenho insuficiente. Entre as instituições do Acre, a Universidade Federal do Acre (UFAC) se destacou positivamente ao alcançar conceito 4, considerado alto, enquanto a Uninorte ficou entre os cursos com pior desempenho nacional, recebendo nota 1, o menor índice do exame.
O Enamed é aplicado anualmente com o objetivo de medir o desempenho dos estudantes e a qualidade da formação médica no país. Segundo o Inep, cerca de 89 mil alunos participaram da avaliação, incluindo concluintes e estudantes de outros períodos. Entre os quase 39 mil formandos, apenas 67% apresentaram desempenho considerado proficiente.
Diferença entre instituições
A análise dos resultados revelou forte disparidade entre os tipos de instituições. As universidades públicas federais, como a UFAC, concentraram os melhores desempenhos: 87,6% dos cursos federais obtiveram conceitos 4 ou 5. As instituições estaduais também apresentaram resultados positivos, com 84,7% nas faixas mais altas.
Em contrapartida, os piores desempenhos ficaram concentrados em instituições públicas municipais, onde 87,5% dos cursos ficaram nas notas 1 e 2. As instituições privadas com fins lucrativos, como a Uninorte, também apresentaram resultados preocupantes, com 58,4% dos cursos avaliados nas faixas mais baixas.
Penalidades
Os cursos que receberam conceito 1 ou 2 estarão sujeitos a sanções, que incluem redução ou suspensão total da oferta de vagas, além do bloqueio de acesso ao Fundo de Financiamento Estudantil (Fies) e a outros programas federais.
Segundo o ministro da Educação, Camilo Santana, das 107 instituições mal avaliadas, 99 sofrerão penalidades, já que universidades estaduais e municipais não estão sob a gestão direta do MEC.
As medidas previstas incluem:
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8 faculdades com suspensão total do ingresso de novos alunos;
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13 faculdades com redução de 50% das vagas;
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33 faculdades com redução de 25% das vagas;
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45 faculdades impedidas de ampliar o número de vagas.
Todas as instituições penalizadas também ficarão suspensas do Fies e de outros programas federais.
Camilo Santana afirmou que as faculdades terão prazo para apresentar defesa e ressaltou que o objetivo da avaliação é garantir a qualidade do ensino médico no país. “É um instrumento para que as instituições possam corrigir falhas e melhorar o ensino, protegendo a população que será atendida por esses profissionais”, declarou.

