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Auxílios-doença por ansiedade têm maior patamar em dez anos no INSS

Publicado em 14/03/2025

Os auxílios-doença por ansiedade dispararam e atingiram o maior número de concessões em dez anos, ocupando o primeiro lugar no ranking do Ministério da Previdência Social pelo quarto ano seguido. Os afastamentos por depressão aparecem na sequência.

Em relação ao ano passado, os casos ligados a ansiedade aumentaram em 76%, ante 69% dos atribuídos à depressão. O volume total de auxílios concedidos pelo INSS teve uma alta de quase 40%.

O ministério elaborou um ranking dos dez transtornos mentais e comportamentais que mais geraram a concessão de benefícios por incapacidade temporária (antigo auxílio-doença), de 2014 a 2024, em todo o Brasil.

Ranking dos transtornos mentais e comportamentais que mais geraram a concessão de auxílios-doença em 2024

  1. Outros transtornos ansiosos (141.414)

  2. Episódios depressivos (113.604)

  3. Transtorno depressivo recorrente (52.627)

  4. Transtorno afetivo bipolar (51.314)

  5. Transtornos mentais e comportamentais devido ao uso de múltiplas drogas e ao uso de outras substâncias psicoativas (21.498)

  6. Reações ao estresse grave e transtornos de adaptação (20.873)

  7. Esquizofrenia (14.778)

  8. Transtornos mentais e comportamentais devido ao uso de álcool (11.470)

  9. Transtornos mentais e comportamentais devido ao uso da cocaína (6.873)

  10. Transtornos específicos da personalidade (5.982)

O número total de auxílios deste ranking é de quase meio milhão, o que representa um aumento de cerca de 67% em relação ao ano passado. Também é o maior número de licenças médicas concedidas dos últimos dez anos.

O QUE EXPLICA ESSE CENÁRIO?

Para a advogada trabalhista Priscila Arraes, o aumento da concessão de benefícios é causado pelo adoecimento mental. “As pessoas passaram a pandemia no modo sobrevivência, esperando que voltaríamos à normalidade, mas não voltamos. Hoje temos o home office, por exemplo, e o luto por parentes perdidos.”

A especialista também cita a precarização do trabalho, que afirma ser progressiva desde 2017. “Há um risco iminente de perder o emprego. Amanhã o empregador pode mandar o funcionário embora e contratar um autônomo para reduzir custos. É a diminuição de funcionários, mas não do trabalho. Uma equipe pequena faz as mesmas coisas que a equipe grande fazia.”

home office foi outro fator apontado pela especialista como motivador do adoecimento. “Muitas vezes o trabalho ultrapassa o limite do descanso, envia-se mensagens a qualquer hora. O ambiente empresarial também invade a casa, que antes era espaço da família. E há uma falta de proteção social, do ver e ser visto pelos colegas.”

Neste ano, também houve um aumento de auxílios-doença no geral, incluindo transtornos físicos. Priscila diz que é possível atribuir isso ao fato de que, na época da pandemia, as pessoas fizeram menos cirurgias eletivas e exames de rotina, prejudicando a saúde geral.

[Folha Uol]

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