Publicado em 18/01/2026
Levantamento mostra avanço pontual do senador, mas rejeição elevada e comparação com Tarcísio reacendem debate sobre quem, afinal, pode enfrentar Lula
Por Redação da VEJA
As projeções eleitorais mais recentes pela Quaest colocam o senador Flávio Bolsonaro entre 23% e 32% das intenções de voto nos cenários estimulados de primeiro turno. Em todos eles, o presidente Lula aparece à frente. Ao mesmo tempo, o levantamento indica que 53% dos eleitores que conhecem o ex-presidente Jair Bolsonaro têm uma imagem negativa dele — um dado que pesa diretamente sobre o desempenho do filho na corrida presidencial. O tema foi debatido no programa Os Três Poderes desta semana (este texto é um resumo do vídeo acima).
Como conciliar crescimento nas pesquisas com rejeição alta?
Segundo o cientista político Fábio Vasconcellos, a aparente contradição se explica pela dinâmica de conhecimento e rejeição do eleitorado. Dados anteriores da Quaest mostram que, à medida que Flávio Bolsonaro se tornou mais conhecido, sua rejeição também aumentou.
Em agosto de 2025, 22% dos eleitores que conheciam Flávio diziam votar nele, enquanto 55% afirmavam que não votariam. Em dezembro, a rejeição subiu para 60%, ao mesmo tempo em que a taxa de desconhecimento caiu. Ou seja: mais gente passou a conhecê-lo — e parte relevante passou a rejeitá-lo.
O que mudou no levantamento mais recente?
No levantamento atual, há um movimento marginalmente positivo para o senador. A rejeição recuou de 60% para 55%, enquanto o percentual dos que dizem conhecê-lo e votar nele subiu para 34% no melhor cenário testado.
Para Vasconcellos, trata-se de um ganho real, mas limitado. “Ele começa a chegar a um teto”, avalia. Mesmo com maior exposição, a rejeição permanece alta e impõe um freio ao crescimento.
Onde está o teto eleitoral de Flávio Bolsonaro?
Fábio Vasconcellos projeta que, no cenário mais favorável, Flávio pode alcançar cerca de 34% das intenções de voto. Se todos os eleitores que ainda não o conhecem — cerca de 11% — migrassem integralmente para sua candidatura, o teto teórico chegaria a 45%.
O próprio analista pondera que essa hipótese é pouco plausível. Ainda assim, o cálculo serve para ilustrar os limites estruturais da candidatura diante da rejeição associada ao sobrenome Bolsonaro.
Por que Tarcísio entra nessa conta?
A comparação com o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, reforça o dilema da direita. No melhor cenário testado pela Quaest, Tarcísio aparece com 26%, mas com um dado crucial: cerca de 31% dos eleitores dizem não conhecê-lo.
Se aplicadas as mesmas projeções teóricas, o teto potencial de Tarcísio poderia chegar a 57%, bem acima do de Flávio. Para Vasconcellos, isso explica por que setores da direita e do centro observam com atenção a evolução do governador paulista, mesmo com números atuais mais baixos.
O que essa disputa interna sinaliza para 2026?
A leitura do cientista político é clara: as pesquisas de agora não apontam quem vencerá a eleição, mas ajudam a definir quem pode chegar competitivo ao segundo turno. Nesse contexto, a direita vive uma disputa silenciosa por viabilidade, não apenas por intenção de voto.
Com campanha ainda distante e alto grau de ruído, o cenário segue aberto. Mas os dados reforçam uma pergunta incômoda para o bolsonarismo: até onde Flávio Bolsonaro consegue ir antes de bater no próprio teto?

