Publicado em 25/05/2026
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Por Redação
Uma eventual mudança na legislação trabalhista brasileira pode transformar a rotina de milhares de trabalhadores no Acre. Segundo dados recentes do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), o fim da escala 6×1 — modelo em que o profissional trabalha seis dias e descansa apenas um — beneficiaria diretamente 37.544 pessoas no estado, que passariam a adotar a jornada 5×2 (dois dias de folga semanais).
Atualmente, o Acre conta com 63.312 trabalhadores já inseridos na escala 5×2, o que representa 62,77% do mercado formal identificado. Por outro lado, os outros 37,23% da força de trabalho local ainda estão submetidos ao regime de descanso único semanal.
Além da mudança nas folgas, a proposta de redução da carga horária semanal máxima de 44 para 40 horas alcançaria um contingente ainda maior: 90.490 trabalhadores acreanos teriam sua jornada reduzida.
Prioridade federal e urgência no Congresso
O debate ganhou força definitiva após o presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinar, em 13 de abril, uma mensagem presidencial formalizando o envio de um Projeto de Lei ao Congresso Nacional. O texto tramita com urgência constitucional e prevê redução do limite da jornada de 44 para 40 horas semanais. garantia de dois dias de descanso remunerado e proibição expressa de qualquer redução salarial.
De acordo com o Governo Federal, a medida visa proporcionar mais tempo para o convívio familiar, lazer, cultura e descanso, o que também deve gerar reflexos positivos na produtividade das empresas.
“Não faz sentido que, em pleno século XXI, com toda a evolução tecnológica, milhões de brasileiros e brasileiras tenham que trabalhar seis dias por semana para descansar apenas um dia. Para as mulheres, a situação é muito mais difícil. Elas chegam cansadas do trabalho e, na maioria das vezes, ainda precisam cuidar da casa e dos filhos”, defendeu o presidente Lula em pronunciamento oficial no Dia do Trabalhador.
O panorama do mercado de trabalho
A redução da jornada deve impactar os mais diversos setores da economia, com forte incidência no comércio, prestação de serviços, indústria e logística.
A tabela abaixo detalha o cenário da escala 6×1 e o impacto da redução de horas tanto no cenário local quanto no nacional:
| Indicador | Impacto no Acre | Impacto no Brasil |
| Trabalhadores na escala 6×1 (Beneficiados com o fim do modelo) | 37.544 | 14,9 milhões |
| Trabalhadores com jornada > 40h (Beneficiados com a redução de horas) | 90.490 | 38,6 milhões |
| Trabalhadores já inseridos no modelo 5×2 | 63.312 | 29,8 milhões |
No cenário nacional, o MTE mapeou a jornada de 44,7 milhões de cidadãos. Cerca de um terço do país (14,9 milhões) ainda cumpre a rotina 6×1.
A Região Sudeste lidera o contingente de trabalhadores nesse regime, somando 7 milhões de pessoas. Em seguida aparecem o Sul (2,9 milhões), o Nordeste (1,97 milhão), o Centro-Oeste (1,34 milhão) e, por fim, a Região Norte, com 751,7 mil trabalhadores nesta situação.
Entre os estados, São Paulo concentra o maior número absoluto de profissionais na escala 6×1, registrando 4,28 milhões de pessoas, seguido por Minas Gerais (1,46 milhão) e Rio de Janeiro (1,05 milhão).

