Publicado em 19/05/2026
Foto: Reprodução
Por Redação
Em um passo decisivo para o fortalecimento da rede de proteção à infância, o governo do Acre inaugurou, nesta segunda-feira (18), o Centro de Atendimento Integrado da Criança e do Adolescente (Caica). O novo espaço foi planejado para unificar o acolhimento a vítimas de violência física, sexual e psicológica.
A inauguração foi realizada intencionalmente no dia 18 de maio, data em que se celebra o Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes.
O principal objetivo do Caica é acabar com a peregrinação de famílias por diferentes órgãos públicos, eliminando a necessidade de as vítimas repetirem o relato da agressão várias vezes — dinâmica que especialistas apontam como um dos principais fatores de agravamento de traumas psicológicos.
O secretário de Assistência Social e Direitos Humanos, João Paulo, explicou que o centro vai concentrar equipes de saúde, assistência social e do sistema de Justiça. O intuito é garantir sigilo absoluto e blindar os menores da exposição indevida, inclusive em redes sociais.
Órgãos e profissionais reunidos no Caica:
Sistema de Justiça: Ministério Público do Acre (MPAC), Tribunal de Justiça e Defensoria Pública.
Perícia Técnica: Instituto Médico Legal (IML).
Equipe Multidisciplinar: Profissionais de medicina, enfermagem, psicologia e assistência social.
“O trabalho é que a gente possa evitar revitimizar essas crianças, esses adolescentes e tentar preservar a imagem deles e da família”, destacou o secretário João Paulo.
Fim do modelo de atendimento disperso
O procurador-geral de Justiça do MPAC, Oswaldo D’Albuquerque, validou a urgência do novo modelo e criticou a estrutura tradicional de atendimento, que costuma penalizar quem já foi agredido.
“A violência, muitas vezes, não termina no momento da agressão. Ela continua quando a vítima encontra portas fechadas, demora, atendimento desarticulado e a necessidade de repetir inúmeras vezes aquilo que já é doloroso dizer uma única vez”, ponderou o procurador-geral.
Para o chefe do Ministério Público, o Caica supera o formato de instituições dispersas, que historicamente submetiam crianças e adolescentes a “percursos potencialmente revitimizantes” no momento de maior vulnerabilidade.
Planos de expansão e novas ações sociais
A governadora Mailza Assis Cameli reforçou o compromisso do Estado com a dignidade da infância ao entregar o novo instrumento de proteção.
“Com essa preocupação em dar um atendimento digno, em fazer valer a política de proteção à criança e adolescente, é que nós trabalhamos e abraçamos essa causa”, declarou a chefe do Executivo.
Próximos passos anunciados pelo governo:
Descentralização: Estudo para a instalação de uma segunda unidade do Caica no Segundo Distrito de Rio Branco.
População de rua: Criação de um centro de acolhimento específico para pessoas em situação de rua, oferecendo alimentação, higienização, pernoite e encaminhamento para tratamentos de saúde e centros de terapia.

