Publicado em 10/04/2026
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Por Redação
A partir da próxima segunda-feira (13), o deslocamento aéreo entre a capital e o município do Jordão ficará ainda mais restrito. A empresa responsável pela rota anunciou um novo reajuste tarifário, fixando o valor da passagem em R$ 2 mil, montante considerado proibitivo para a maior parte da população local.
O aumento reflete os desafios logísticos da região e o encarecimento dos insumos no setor de aviação, impactando diretamente uma das cidades mais isoladas do estado.
Custos operacionais e o fator combustível
A companhia aérea justificou o novo valor alegando a escalada nos custos operacionais, com destaque para o preço do combustível de aviação. Manter rotas em áreas de difícil acesso exige uma manutenção logística complexa que, segundo a empresa, tornou-se insustentável sem o repasse ao consumidor final.
A situação do Jordão é agravada pela sazonalidade climática. Durante o verão amazônico, o nível dos rios baixa drasticamente, tornando o transporte fluvial — a alternativa mais barata — inviável para grandes embarcações. Com os rios secos, o avião passa a ser a única via de acesso para atendimentos de saúde de urgência, deslocamentos educacionais e abastecimento de itens essenciais e compromissos familiares.
Isolamento reaquece debate sobre estrada
O novo preço da tarifa reacendeu a indignação dos moradores e trouxe de volta à pauta uma reivindicação histórica: a construção de uma rodovia que conecte o município ao restante do estado. Para a comunidade local, a estrada é a única solução definitiva para romper o isolamento geográfico e reduzir a dependência de um modal aéreo cada vez mais elitizado.
Lideranças locais afirmam que o valor de R$ 2 mil por um trecho doméstico reforça o sentimento de abandono institucional. Enquanto os projetos de infraestrutura terrestre não avançam, os moradores do Jordão seguem reféns de preços elevados para garantir o direito básico de ir e vir.

